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O concelho da Figueira da Foz no romance "O Emigrante"

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  A geografia e o tempo andam, sempre, de mãos dadas nos romances. Vejamos então como no romance O Emigrante tal sucede no que diz respeito ao concelho da Figueira da Foz. Desde logo, no primeiro capítulo, numa cena que se passa a bordo do comboio Sud-Express,  em final de agosto de 1967, dois emigrantes, de regresso a França, efetuam a viagem lado a lado, sentados no corredor de uma das carruagens completamente lotada. Durante a travessia da Meseta Castelhana, de noite, quando a fome começou a apertar, por entre a partilha de merendas que ambos levavam, as respetivas terras de origem vieram à baila. Um era da região de Viseu (Renato) e o outro era de Bunhos, concelho da Figueira da Foz (Augusto). — Mas não fica [Bunhos] mesmo ao lado da Figueira? — Ficar fica, mas nós não gostamos da malta da Figueira! Têm a mania de que são mais importantes do que nós, só porque são da cidade! — vincou Augusto. — Conheces Bunhos, já lá estiveste? — Eu fiz a tropa na Figueira da ...

Figueira da Foz: Inauguração da Linha da Beira Alta contou com o Rei D. Luís em 1882

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Estação da Figueira da Foz  A linha da Beira Alta, entre a Figueira da Foz e Vilar Formoso, foi inaugurada com pompa e circunstância pelo Rei D. Luís no dia 3 de agosto de 1882, contando igualmente com a presença do Presidente do Conselho, de ministros e de inúmeras entidades civis, militares e religiosas. Após várias vicissitudes, que não vêm agora ao caso, o troço inicial entre a Figueira e a Pampilhosa (Ramal da Figueira da Foz) foi encerrado e desativadpo em 2009. Regressando à inauguração vamos transcrever a descrição que Bronislaw Wolowski — um jornalista possivelmente de origem polaca que escrevia para um jornal francês — publicou sobre este evento num livro sob o título Les Fêtes en Portugal. Inauguration du chemin-de-fer de la Beira-Alta – Voyage de la famille royale. Notes de souvenirs de voyage . Desse livro, editado pela E. Dentu, de Paris, em 1883, reproduzimos de seguida uma tradução do capítulo “ Pampilhosa – Figueira da Foz ”. As festas oficiais começavam verdad...

Almoço real servido na Figueira no dia da inauguração da linha da Beira Alta

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Falámos em anterior crónica sobre a inauguração da linha da Beira Alta, no dia 3 de agosto de 1882, pelo Rei D. Luís , com a viagem inaugural a ter início na estação da Figueira da Foz. O chef que foi escolhido pela cidade da Figueira para preparar o almoço real foi Paul Bergamim, suiço, que já tinha sido o chefe do Hotel Bragança, de Lisboa, um hotel de “primeiro nível, verdadeiramente!” e depois no Grande Hotel do Bussaco e no bufet da estação de comboios da Pampilhosa. Está claro que nos continuamos a socorrer da descrição que Bronislaw Wolowski para falarmos nesta crónica do almoço real. E diz-nos o referido cronista: Reproduzo aqui o menu que foi impresso em língua francesa, e junto para a curiosidade do facto como exemplo da língua portuguesa, o convite enviado pelo Conselho municipal desta encantadora cidade da Figueira-da-Foz, à qual eu desejo que o novo caminho-de-ferro abra a era de todas as prosperidades. Municipalidade da Figueira-da-Foz A Camara Municipal tem...

Figueira da Foz | “A Corrida Mais Bonita de Portugal”? Sim. E no resto ano?

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Foto: Município da Figueira da Foz “A Corrida Mais Bonita de Portugal”? Sim. E no resto ano? Concordo com o nome encontrado pela organização para traduzir, de forma apelativa, a corrida/caminhada que se realizou, pela segunda vez, neste fim de semana entre a Praia de Quiaios e a Figueira da Foz. Tratou-se de “A Corrida Mais Bonita de Portugal”. Porém, não compreendo a contradição que tal nome encerra. Trata-se mesmo de um paradoxo. Ou seja, a organização, a cargo do município da Figueira da Foz , adotou um nome (o melhor nome que poderia, sem dúvida!) só que inconsequente nos restantes dias do ano. E passo a explicar o meu ponto. Recuemos quatro anos, a 2021, quando por opção do município (não importa para aqui quem verdadeiramente tomou a decisão ou quem a executou), aquele percurso marginal, de rara e soberba beleza, entre a Murtinheira e o Farol, foi pavimentado. E, desde tal decisão, aquele trajeto, ou aquele trilho, que precisava de facto de uma requalificação, ficou exclu...

Excelente serão cultural, com Bagão Félix, na Biblioteca da Figueira da Foz

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  Sempre gostei de conhecer o lado B das propostas, dos projetos e das pessoas. Ficarmos restringidos a um único olhar, a uma só perspetiva, à narrativa exclusiva, reduz a nossa capacidade de decidir, de encontrar o melhor caminho e de ajuizar bem seja sobre aquilo que for ou sobre quem for. Vem isto a propósito da sessão que teve lugar ontem à noite, 18 de setembro, na Biblioteca Municipal Pedro Fernandes Tomás, na Figueira da Foz. Eu conhecia o lado A de António Bagão Félix. O de político, de ministro, o de economista, em suma o de figura pública. Bem, ontem, nas “5.as de Leitura”, em torno do último livro de Bagão Félix, Quarenta Árvores em discurso direto, pude conhecer o seu outro lado, o seu lado B. E se eu até nutria alguma simpatia por ele, embora sendo nós de áreas diferentes, ele da democracia cristã, conservador, e eu da área do socialismo democrático e da social-democracia — signifique esta taxonomia política aquilo que significar —, agora fiquei rendido ao convers...

Conhece a estrada do Enforca Cães?

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  Enforca Cães . Tão incomum é o seu nome quanto a beleza que a rodeia. Trata-se da estrada que liga, no concelho da Figueira da Foz, a localidade da Murtinheira (freguesia de Quiaios) a Buarcos. O topónimo, Enforca Cães , dever-se-á, segundo a memória dos mais idosos, ao facto de ali serem abatidos, em tempos idos, cães com doenças contagiosas para os humanos. De origem antiga, a estrada teve durante muito tempo um uso industrial (desde finais do século XVIII) dedicado quase exclusivamente à atividade extrativa de carvão e de calcário que ocorreu na Serra da Boa Viagem. Estas atividades industriais encerraram respetivamente em 1961 e em 2013. Ora, estas circunstâncias, que vieram ditar uma degradação lenta da via, levaram mesmo ao seu encerramento à circulação automóvel, por questões de segurança, em 2019, situação muito contestada pelas populações, que exigiam a sua requalificação e reabertura. Neste contexto, a Câmara Municipal da Figueira da Foz tratou de operacionaliza...

Paulo de Carvalho e as filarmónicas: um doce arrepio na Figueira da Foz!

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Foi uma viagem maravilhosa. Uma viagem até aos anos 70. Com partida e chegada no CAE (Centro de Artes e Espetáculos) da Figueira da Foz no âmbito da 3.ª Temporada Orquestrae. O comandante desta viagem, que aconteceu neste sábado, dia 22 de novembro, foi Paulo de Carvalho, esse icónico cantor e compositor, cuja cantiga E Depois do Adeus foi a primeira senha para a Revolução do 25 de Abril de 1974. Este modelo, proposto pelo CAE, não é novo. Já lá assistíramos a outro itinerário semelhante , em que à banda do cabeça de cartaz são associadas filarmónicas do concelho da Figueira da Foz, num resultado verdadeiramente espantoso. Ouvir a voz bem timbrada de Paulo de Carvalho entoar os Meninos de Huambo com uma orquestra constituída por cerca de oito dezenas de músicos da Filarmónica Quiaiense e da Filarmónica de Lares, a atuarem conjuntamente e com o público a emprestar a sua voz, formando um gigantesco coro, foi uma experiência verdadeiramente imersiva e única. Ou ouvir Lisboa Meni...

Quinta do Bill e filarmónicas: a música em interação na Figueira da Foz

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 Pode-se estranhar. Pode-se mesmo duvidar das virtualidades da associação de duas filarmónicas centenárias com uma icónica banda nascida em início dos anos 90. Podemos mesmo achar que alguma coisa não estará a bater certo. Poderemos tudo o que quisermos, mas também poderemos render-nos à poesia, nestes tempos de prosa dura. E se assim for só poderemos achar o resultado de magnífico. Foi uma ode à música, essa linguagem universal que faz milagres. Que transforma mais de 800 pessoas num único ser, num coletivo unido pelas sonoridades de uma centena de músicos em palco. Foi tão bom ouvir os diálogos sonoros de instrumentos tão diferentes. De escutar as disputas das teclas e das guitarras elétricas com o tão numeroso naipe de instrumentos de sopro. De apreciar os ritmos da percussão e os silvos doces dos agudos pífaros, o deslizar das crinas do arco nas cordas do violino e as harmonias das palhetas do acordeão…. Foi tão bom saborear as vozes de todos, onde nenhuma voz esteve a ma...

Restaurante Olaias – Figueira da Foz: a boa gastronomia também pode estar rodeada de arte

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  Há restaurantes que nos cativam à primeira, como foi o caso do Olaias, integrado no CAE (Centro de Artes e Espetáculos) da Figueira da Foz. Um restaurante que nos permite, antes ou depois da refeição, apreciar uma exposição de pintura ou escultura ali mesmo ao lado. Entrámos e, gradualmente, os nossos sentidos começaram a apreciar cada detalhe. Parámos para a visão esmiuçar cada pormenor, cada recanto, cada singularidade. Mas a mais-valia estava no conjunto. No aspeto global que o espaço apresenta. Porém, a cereja estava guardada para o fim, quando levantámos a cabeça e olhámos em frente, para poente, pela fachada envidraçada, confrontámo-nos com o verde do parque das Abadias e com os prédios atrás dos choupos e dos plátanos. Depois o serviço, de grande simpatia e enorme discrição. A ementa, essa, era diferenciadora. Podemos resumir a estratégia com a frase: aqui quem escolhe é o cliente. É que não houve aquela habitual intrusão do couvert, em que ainda mal nos sentámos e a...

Figueira da Foz: Carla Pais e Maria do Rosário Pedreira na Biblioteca Municipal

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  Que bela sessão, 5.as de leitura, na Biblioteca Municipal da Figueira da Foz, no dia 3 de junho! Com a Carla Pais à sua esquerda e a Maria do Rosário Pedreira à sua direita, a Teresa Carvalho soube, com a sua singular maestria nestas lides, distribuir de modo exemplar o jogo pelas convidadas, até mesmo quando as deixou, às duas, em interação direta! A primeira, a vencedora do Prémio Leya 2025, com o livro A Sombra das Árvores no Inverno , falou-nos da emoção com que recebeu a notícia (dada por Manuel Alegre!) de um dos mais importantes prémios contemporâneos da literatura portuguesa. A sua voz, ainda um pouco suspensa e emotiva, que a Teresa Carvalho deixou fluir, trouxe-nos as alterações das suas rotinas (e das do seu gato!), face ao ribombar do telefone, daquele dia em diante, e às solicitações editoriais que exigiam a sua presença. As suas palavras não esconderam a aprendizagem que teve de desenvolver (sob a batuta do Paulo!) para lidar com a notoriedade e com a comunica...

Guitarrista Marta Pereira da Costa atuou no Mosteiro de Seiça

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  O concerto da guitarrista Marta Pereira da Costa marcou o início da nova aposta de programação cultural no Mosteiro de Santa Maria de Seiça . Foi ao final da tarde deste domingo, 25 de agosto. Esta iniciativa, que teve lugar neste monumento nacional do concelho da Figueira da Foz, marcou o lançamento do “Notas ao Entardecer”, do município figueirense. Num ambiente místico de um espaço monástico, foram fantásticos os trinados da guitarra portuguesa dedilhada por Marta Pereira da Costa. As sonoridades produzidas pela guitarrista e pelos seus acompanhantes, estes em guitarra acústica, contrabaixo, piano e percussão, ainda perduram na memória de uma audiência que encheu o auditório. Foi uma parceria perfeita, a deste quinteto de intérpretes de excelência com o Mosteiro. Recorde-se que Marta Pereira da Costa foi a primeira mulher a tocar profissionalmente guitarra portuguesa no Fado. E, neste cenário único e diferenciador, a guitarrista efetuou uma viagem pelo fado, com interp...

Biblioteca da Figueira da Foz: João de Melo foi o convidado das 5.as de Leitura

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  Gosto particularmente das 5. as de leitura que têm lugar na Biblioteca Municipal da Figueira da Foz, onde a um ritmo mensal, se conversa com um escritor. Desta feita (21 de maio), o convidado foi João de Melo, que já leva 50 anos de carreira literária, e a Teresa Carvalho foi a moderadora. Sim, tudo aconteceu a um ritmo muito elevado, em que o autor se centrou, sobretudo, nas memórias da sua vida e, quiçá, nos inúmeros ‘fantasmas’ de um tempo longínquo (quem os não teve/tem?), que, ainda hoje, o assolarão. É verdade que João de Melo nos pareceu em busca da felicidade, pelo menos em termos discursivos. De fechar portas. Mas as marcas da família, sobretudo do pai, da ilha de São Miguel, do seminário, da guerra, e sei lá eu que mais, ainda se sentiram. Ainda foram muito sonantes. Lastro, mesmo. É verdade que as conversas fluem, porventura, é assim, deverá ser assim, e nessa liberdade de fluência, a conversa esteve muito centrada na vida, na sua vida. Na subida a pulso. No tr...

Carregal do Sal: Um mar gente no funeral da jovem bombeira, Cátia Pereira Dias

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Fotos: Farol da nossa terra «Cerca de duas mil pessoas participaram hoje no funeral de Cátia Pereira Dias, 20 anos de idade, bombeira da corporação de Carregal do Sal, que morreu na passada quinta-feira num incêndio em São Marcos/Muna, na zona de Santiago de Besteiros, concelho de Tondela. As cerimónias religiosas tiveram início às 11h00 [dia 31 de agosto] com a celebração de missa de corpo presente no salão polivalente do quartel dos Bombeiros Voluntários da própria corporação, onde a urna com as cinzas cremadas estiveram em velório desde as 20h00 de ontem. Presidiu-a o bispo de Viseu, D. Ilídio Leandro, em concelebração com sete padres de diferentes arciprestados, incluindo os párocos José Fernando, Ramiro Ribeiro e Álvaro Arede, do arciprestado de Carregal do Sal. O salão encheu por completo, sem poder acolher toda a gente que compareceu para prestar homenagem à inditosa bombeira, ficando centenas de pessoas no exterior do mesmo. Entre as individualidades presentes, ocupara...

As intermitências do IP 3, entre Viseu e Coimbra

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  Ligando os distritos de Coimbra, Viseu e Vila Real, o IP 3 tinha como pontos limites a Figueira da Foz e Vila Verde da Raia. Face a vicissitudes várias, de que não importa agora discorrer, só os seus extremos, a Norte e a Sudoeste estão, neste momento, transformados em autoestradas, respetivamente, A24, entre Vila Verde da Raia e Viseu, e A14, entre Coimbra e a Figueira da Foz. O traçado restante, entre Viseu e Coimbra, afinal o troço mais importante do IP3 em termos de tráfego, é uma aberração, uma autêntica ‘via estreita’, envolvida, há anos sem fim, num discurso que tresanda a bafio. Este troço, Viseu-Coimbra, ora morre, ora vive, ora é para fazer ora não é. Ora é adulado ora é vilipendiado. Ora é autoestrada ora é assim-como-está-com-uns-fundilhos-novos. Ora vai terminar a Anadia ora vai para Coimbra ou para Condeixa. Ora também conta com a requalificação do IC 12 ora não. Ora tem pontes e túneis ora tem sabe-se-lá-bem-o-quê. Ora, este troço, morto ou vivo, vá por um la...

Uma ‘aula’ sobre a escravidão, por João Pedro Marques

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  A sessão das 5.as de Leitura que teve lugar nesta quinta-feira, 23 de outubro, na Biblioteca Municipal da Figueira da Foz, contou com a presença do historiador e romancista João PedroMarques . Sob a batuta suave e competente de Teresa Carvalho , a moderadora, dando o palco ao convidado, este dissertou sapientemente, enquanto historiador, pela temática da escravatura, que acabou por ser o pano de fundo deste excelente serão literário, com permanentes ligações a circunstâncias históricas, em que não faltaram também incursões francas e intimistas a alguns aspetos dos seus tempos de estudante de engenharia. Está claro que, nesta conversa, não poderia faltar uma palavra do romancista sobre os seus romances. Sobre a sua escrita criativa. Sobre as suas tramas romanescas, tecidas normalmente ‘em cima’ de “acontecimentos históricos”, onde ele se socorre de personagens reais e de personagens fictícias, para criar uma “intriga” e dar corpo às suas ficções. Ou seja, poderemos dizer, em ...

Mosteiro de Santa Maria de Seiça: Um bom exemplo de recuperação do património

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  Por: Acácio Pinto Localizado na freguesia de Paião, no concelho da Figueira da Foz, o Mosteiro de Santa Maria de Seiça, reclassificado como Monumento Nacional em 2023, cuja origem remonta ao século XII, ao tempo de D. Afonso Henriques, está pronto para viver uma nova vida, depois de uma aposta autárquica, do Município da Figueira da Foz, na sua recuperação e cuja inauguração teve lugar no dia 24 de janeiro de 2024. Após décadas e décadas de abandono, a decisão municipal de o adquirir e de o recuperar exemplarmente merece não só o nosso aplauso como, igualmente, deverá merecer um olhar atento de todos os agentes políticos territoriais, pela importância que estes investimentos no património material e, concomitantemente, no imaterial que, no caso, também não vai deixar de ser efetuado. Não é pelo turismo de massas, mas é pelas mais-valias económicas e paisagísticas e, já agora, habituemo-nos também a olhar para estas obras como âncoras que estimulam a nossa autoestima coletiva....

O que é que o parapente em Quiaios tem a ver com o romance O Emigrante?

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A prática de parapente na Serra da Boa Viagem, na freguesia de Quiaios , é usual há muitos anos. Com descolagem, lá do alto, a cerca de 100 metros de altitude, os amantes da especialidade, com ventos de feição, podem usufruir de magníficas vistas sobre a Murtinheira, a Praia de Quiaios, a estrada do Enforca Cães, o Farol e todo o maciço rochoso do Cabo Mondego. Vistas de fazer perder a respiração! Mas, afinal, o que é que a prática desta atividade de lazer e de relaxamento do stress deste quotidiano duro tem a ver com o romance O Emigrante ? A resposta é simples. Não tem a ver tudo, mas tem a ver muito com este romance de Acácio Pinto, que saiu no final de 2025 e que vai na 2.ª edição. E porquê? Porque a cena final da narrativa, que se passa em final de agosto de 2017, aconteceu exatamente no BART , o bar mais icónico da praia, em que uma das personagens da narrativa surgiu, inesperadamente, vinda dos céus e aterrando, ali ao lado, no extenso areal da praia. E que mais? Obv...

António Costa e Silva: uma conversa que foi um hino à vida!

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  Afinal, ainda é possível conversar poeticamente sobre os temas de prosa dura que assolam o mundo: alterações climática, geopolítica, recursos naturais, economia, população, líderes mundiais, oceanos. Basta que a moderadora da conversa seja Teresa Carvalho e o convidado António Costa e Silva, a primeira proficiente e, o segundo, um comunicador brilhante. Falo de quê? Sim, é das 5.as de leitura que acontecem, regularmente, na Biblioteca Municipal da Figueira da Foz. Claro está que os temas abordados não se resumiram aos susoditos. Também se falou de livros e de literatura (o lastro do evento), de Angola, da prisão de São Paulo, de tortura, de dignidade e dos limites da vida. Foi uma sessão de encantamento, encantatória, aquela a que assistimos. Quais hipnotizadores a dizerem as palavras certeiras, uma a uma, para que a plateia se rendesse àquele concerto, ambos foram sublimes, parecendo inspirados ou comandados por uma batuta que parecia vir de um maestro invisível, alt...

Texto de Carlos Paixão no lançamento de O Emigrante em Sátão

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  Agradecemos penhorademente ao professor e escritor Carlos Paixão a sua disponibilidade para apresentar O Emigrante no dia 9 de novembro na Biblioteca Municipal de Sátão . Eis o texto que partilhou com os presentes: Começo, naturalmente, por agradecer a distinção que me foi conferida pelo autor, para fazer neste agradável espaço da Biblioteca Municipal de Sátão, mais agradável ainda para quem gosta de ler e escrever, a primeira apresentação pública de O Emigrante. Depois de, por duas vezes, na qualidade de membro do júri do Prémio Literário Cónego Albano Martins de Sousa, ter tido o privilégio de ler e fazer a apreciação das suas duas obras premiadas pela Câmara Municipal de Sátão, O Volframista e o Leitor de Dicionários, fui, agora, confrontado com este enorme desafio de vos dar a conhecer esta obra acabada de publicar. Começo, naturalmente, por dar os parabéns ao autor, por continuar, e vou-me repetir, pois é merecedor que eu me repita, por continuar a abrir mais um baú de me...