A prática de parapente na Serra da Boa Viagem, na freguesia de Quiaios, é usual há muitos anos. Com descolagem, lá do alto, a cerca de 100 metros de altitude, os amantes da especialidade, com ventos de feição, podem usufruir de magníficas vistas sobre a Murtinheira, a Praia de Quiaios, a estrada do Enforca Cães, o Farol e todo o maciço rochoso do Cabo Mondego. Vistas de fazer perder a respiração!
Mas, afinal, o que é que a prática desta atividade de lazer
e de relaxamento do stress deste quotidiano duro tem a ver com o romance O Emigrante?
A resposta é simples. Não tem a ver tudo, mas tem a ver
muito com este romance de Acácio Pinto, que saiu no final de 2025 e que vai na 2.ª edição.
E porquê?
Porque a cena final da narrativa, que se passa em final de agosto de
2017, aconteceu exatamente no BART, o bar mais icónico da praia, em que uma das
personagens da narrativa surgiu, inesperadamente, vinda dos céus e aterrando,
ali ao lado, no extenso areal da praia.
E que mais?
Obviamente que o resto pode ser descoberto lendo este
romance que se foca na emigração a salto para França nos anos 60 e que une ou
desune destinos que se cruzaram muitos anos antes entre um emigrante da região
de Viseu e um da Figueira da Foz.
O Emigrante é um romance que nos confronta com os problemas da atualidade, ao trazer ao enredo os bidonvilles e as dificuldade que tiveram os emigrantes portugueses.
EXCERTO DO LIVRO (pp. 209 e 210):
(...) Enquanto esperava, Rita aproveitava os raios de Sol daquele
final do mês de agosto de 2017 para contemplar as voltas que um piloto de
parapente dava por cima da povoação, parecendo-lhe que se detinha especialmente
na encosta, sobre a sua casa, depois de ter descolado do marco geodésico, do
alto da Serra da Boa Viagem. Por entre dois goles de cerveja, ela comparava os
desenhos do voo suave daquele parapente com os das aves de rapina que costuma
ver planar, do terraço da sua casa, até descerem em voo picado sobre as presas.
— Uma sopa de tomate, uma tosta mista e uma imperial – pediu, quando o empregado se lhe dirigiu. Naquele dia levantara-se tarde, depois de uma noite passada a contemplar as estrelas até às três da manhã e, por isso, já era quase meio-dia quando tomou o pequeno-almoço. Desde que marcara aquele encontro tinha ficado com alguma insónia. (...)
Créditos da Foto: jomirife.blogspot.com