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O PIDE que passou o dia a transportar pessoas para o comício de Humberto Delgado

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   A campanha presidencial de 1958 foi dos momentos mais empolgantes que a oposição viveu durante o Estado Novo. A candidatura do general Humberto Delgado despertava um entusiasmo vibrante no povo — ainda mais evidente depois da desistência de Arlindo Vicente. Em cada aparição pública, como Delgado, que parecia ter magnetismo, atraía mais e mais gente, as hostes de Salazar começaram a ficar apreensivas. Havia que fazer alguma coisa para que a eleição do contra-almirante Américo Tomás, o candidato do regime, não corresse riscos. Mas vamos ao caso de que vos quero falar hoje, que teve a ver com o comício que Humberto Delgado levou a cabo no dia 24 de maio, em Aveiro, no Teatro Aveirense, iniciativa que mobilizou todos os opositores da região e que contou com a colaboração, a contragosto, de um informador da PIDE. “Alegre”, que se passava por oposicionista, mas que, de facto, não era mais do que um infiltrado no seio da oposição de Ílhavo, outro remédio não teve do que bebe...

Uma história com marca da PIDE, nos 70 anos da Conferência de Jaime Cortesão

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  (Crónica publicada no Diário de Aveiro de 16.05.2026) A PIDE vigiava tudo. Ou quase tudo. Porque, às vezes, também via mal. Em maio de 1956, um agente destacado para acompanhar uma iniciativa democrática em Aveiro produziu dois relatórios sobre o mesmo acontecimento. No primeiro, registou com segurança quem presidira ao jantar do evento. No segundo, teve de se desdizer. A história passou-se nas comemorações da Revolução Liberal de 16 de maio de 1828, que tiveram Jaime Cortesão como figura central, e que este mês recordamos, 70 anos depois. Vamos então à história. Jaime Cortesão encontrava-se exilado no Brasil e veio a Portugal a coberto de um passaporte diplomático emitido por aquele país. Aproveitando a sua presença, os democratas aveirenses, com Mário Sacramento à cabeça, convidaram o historiador de Ançã para ser a figura central dessas comemorações. Delineado o programa, Cortesão estaria em dois momentos: num jantar de confraternização democrática, a realizar no res...

Excerto do romance “Um Republicano na Mira da PIDE”

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  A propósito do III Congresso da Oposição Democrática que teve lugar no Cineteatro Avenida, em Aveiro, de 4 a 8 de abril de 1973, partilhamos hoje um excerto do romance Um Republicano na Mira da PIDE  (a publicar no verão deste ano) onde tal congresso é referido e onde a personagem principal, Júlio (inspirada em Júlio Calisto), se deslocou.  Eis o excerto: (…)  A sua [de Júlio] presença em Aveiro, no Cineteatro Avenida, aquando do III Congresso da Oposição Democrática, onde ele, embora adoentado, se deslocou nos dias 7 e 8 de abril, foi seguida pelos agentes da PIDE que se encontravam disseminados pela cidade em missão de vigilância dos oposicionistas presentes. — Então o que te traz por aqui, Eduarda? — perguntou o advogado à sua amiga, com ar abatido e cansado, após lhe abrir a porta e a mandar entrar. — Fui ali levar uns medicamentos e, de passagem, decidi ver se a Clotilde estava por casa — respondeu-lhe ela, mentindo quanto à causa, pois fora ali propo...

Aspetos do 5 de outubro em Ílhavo, no Estado Novo

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  Ílhavo sempre foi uma terra onde, durante o Estado Novo, os valores da liberdade e da democracia tiveram muitos apoiantes. Íntegros e inteiriços. Combatentes pela liberdade. Lutadores pela superior causa da dignidade das pessoas. Vem isto a propósito do dia de hoje, em que se assinala a implantação da República, que ocorreu em 1910. Durante os 48 anos do Estado Novo, os apoiantes de Salazar assinalavam este dia (eufemisticamente, diga-se), uma vez que tal data representava o dealbar do regime republicano e o mínimo era não o violentar. Já para os opositores, comemorar o 5 de outubro era em si mesmo um ideário de luta pelos valores que inspiraram os republicanos que tinham derrubado a monarquia: voto universal e livre, direitos sociais, alfabetização... E, portanto, com este enquadramento, através da PIDE, o regime vigiava, com particular acuidade, todos aqueles que eram tidos como sendo do reviralho (comunistas e ditos republicanos), ou seja, os opositores do regime. Assi...

Reunião com professores na Federação do PS de Aveiro

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A convite do Pedro Nuno Santos, deputado e presidente da federação de Aveiro do PS, desloquei-me no dia 30 de julho à sede da Federação, em Aveiro, para uma reunião com professores socialistas do distrito. Na mesa, comigo, o Manuel Alberto Pereira, do secretariado da federação que lançou o debate e o Pedro Nuno que o encerrou.  Pelo meio fiz uma intervenção com o balanço, negativo, de um ano de Nuno Crato à frente dos destinos do Ministério da Edudação a que se seguiu um excelente e participado debate. Estiveram no centro do debate as políticas e as opções de Crato para a educação: a reorganização da estrutura curricular, sem método; o aumento do número de alunos por turma; a "científica" minutização dos tempos letivos; a fórmula que dá mais créditos a quem menos precisa; os exames no 4º ano, inéditos na Europa; a "mercantilização" da avaliação de desempenho docente (100 Euros por avaliado) ou os novos "titulares"; a secundarização da educação físic...