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A propósito de papagaios: Mãe, esta praia é muito bonita!

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A minha caminhada matinal pelos passadiços da Praia de Quiaios teve hoje um aliciante especial. O céu estava pejado de papagaios — de todas as cores e feitios — que o vento norte enfunava e fazia esvoaçar sobre o areal, num colorido que concentrava o olhar de todos quantos ali se deslocaram logo pela manhã. — Mãe, esta praia é muito bonita — dizia uma criança, dos seus 8 anos, à sua progenitora quando eu passava. — Tem passadiços fixes e um areal grande. Não ouvi mais nada. Ia com passo apressado. Todavia, o que escutei, bastou-me. Se dúvidas houvesse, a iniciativa da Junta de Freguesia de Quiaios (que vai na 5.ª edição), de trazer anualmente os papagaios à praia, tinha ali a justificação plena. O festival tem sido e é um excelente veículo de promoção. É que as crianças não mentem, e aquelas pequenas frases que ela trocou com a mãe permitem, sem ser abusivo, concluir que as pessoas que aqui vierem nestes dois dias de festival dos papagaios (16 e 17 de maio) daqui irão com a ret...

Memórias: Debate sobre juventude promovido pela JS Sátão

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Faz hoje, dia 10 de maio, 39 anos, a Juventude Socialista de Sátão promoveu na sua sede (sede do PS) um encontro em que se debateram os problemas da juventude em Portugal. Recordo-me bem desta iniciativa. Éramos poucos, mas tiínhamos uma entrega mais genuína às causas partidárias e estávamos sempre disponíveis para promover iniciativas e para travar todos os combates eleitorais e não só os autárquicos. Eram outros tempos, bem sei, mas havia dentro do grupo valores bem solidários. Havia espírito de grupo. Quiçá, terá sido essa determinação e essa resiliência que criou o substrato daquilo que o PS foi nas décadas seguintes, em que contou e conta com a adesão de tantos satenses.  Num território claramente conservador, no final dos anos 80, dominado pelo CDS nas eleições autárquicas e pelo PSD nas legislativas, os socialistas tinham de ir à luta e tudo fazer para se afirmarem como um projeto credível no concelho. Refira-se que não tinham qualquer vereador na câmara e eram só dois os el...

Polémica em Ílhavo, em 1931, visando Júlio Calisto

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    Em primeiro lugar importa dizer quem foi JúlioCalisto (1897-1973). Foi advogado, com escritório em Ílhavo, tendo desempenhado, há 100 anos — de julho a outubro de 1926 — as funções de Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Ílhavo. Vamos então à polémica que o visou em 1931. Corria o mês de abril quando Júlio Correia da Rocha Calisto foi alvo de um ataque violentíssimo no jornal O Ilhavense , de que era diretor José Pereira Teles. Um ataque à sua honra e à sua honorabilidade. Atente-se desde logo no título do artigo que não era assinado: “Um Burlão”! E depois no conteúdo: “um bacharel em leis” que vive de “expedientes e de patifarias”. E acrescentava ainda que o visado falsificava os valores de letras que as pessoas lhe entregavam para cobrança, aumentando-os, para se pagar indevidamente. Foi exatamente assim que o articulista escreveu na edição de 12 de abril de 1931 de O Ilhavense . Face ao que precede, estarão já a pensar: o caso acabou...

Em memória de Senos da Fonseca

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Falei com ele uma única vez. Foi no dia 27 de junho de 2025, na sua casa da Costa Nova. — Fui eu que fiz o projeto. É um navio com a quilha virada para o céu — logo me disse quando eu admirava a arquitetura daquela magnífica vivenda, virada para a ria. — Mas entre. Entrei e o melhor estava para vir. A decoração interior. Os elementos náuticos. As cores. As madeiras. As janelas. — Sente-se — sugeriu. — Conversamos melhor sentados. Sentei-me e senti-me mar adentro. Ondulação forte. Sem medo. Ao lado do comandante, sereno e conhecedor de todos os segredos do mar alto. Falo-vos de um ilhavense. De um homem nado no final dos anos 30. De um genuíno conversador. Falámos de livros. De política. Do Estado Novo. E da oposição que a sua mãe, Eduarda, sempre fez ao regime. A sua mãe e tantos outros. Nomeadamente o advogado Júlio Calisto, a razão para a nossa conversa. — Conheci-o bem. Sabe que fui várias vezes com a minha mãe, ainda miúdo, às reuniões da oposição que se faziam em casa ...

Alberto Manguel: uma vida à volta dos livros

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  Alberto  Manguel  - nasceu em Buenos Aires em 1948. O argentino Alberto Manguel, ou melhor, o cidadão do mundo Alberto Manguel esteve na Biblioteca Municipal da Figueira da Foz, nas 5.as de Leitura , no dia 30 de abril. E para quem, como eu, lá foi para ouvir o escritor, rapidamente percebeu que Nuno Camarneiro, o moderador, começava a levar a conversa noutro rumo. Demos connosco, para início, em Israel, onde Manguel viveu a sua infância, pois o seu pai era ali o embaixador da Argentina. Depois saltámos para o seu país, para Buenos Aires, na adolescência e juventude, e de seguida para outros, muitos outros locais, pois tantos foram os poisos desta figura incontornável daquele país sul-americano. E estou com isto a dizer que este fluir, esta interação, ficou aquém do esperado? Claro que não. Foi um trajeto diferente, mas igualmente recheado de conteúdos do escritor, do tradutor, do ensaista, afinal, do homem de cultura e de um bom contador de histórias. Foi excelen...

Viseu | Exposição "Impressões de Viagem", de Carlos Almeida

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Ao visitar a exposição do artista Carlos Almeida, “Impressões de Viagem”, que está patente ao público na sede da Junta da Freguesia de Viseu, no Solar dos Peixotos, fiz de imediato uma correlação com uma outra, esta do Vasco Ribeiro, que esteve patente no Museu Almeida Moreira em julho de 2019. E porquê? Porque os elementos expositivos são os mesmos? Porque a expressão artística tem configurações semelhantes? Não, nada disso. Porque ambas nos traziam, nos trazem, olhares que as pessoas captam nas suas viagens de turismo ou de trabalho e que decidem partilhar com os seus concidadãos. Com a comunidade. Connosco. E se a de Vasco Ribeiro nos trouxe “Viseu pelas bocas do Mundo”, ou seja, olhares antigos de cidadãos estrangeiros sobre a nossa cidade de Viseu (cultura, gastronomia, arquitetura, património) em forma de texto, esta, a de Carlos Almeida, traz-nos, quiçá, mais. Traz-nos o olhar, em forma de desenho, das peregrinações de um artista. Traz-nos retratos revelados pela ponta d...

Ílhavo | Conferência de Mário Sacramento sobre Fernando Namora foi há 59 anos

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  Faz hoje 59 anos,, Mário Sacramento efetuou no Illiabum Clube de Ílhavo uma conferência subordinada ao título “Fernando Namora, a Obra e o Homem” que, nesse mesmo ano, haveria de vir a ser publicada em livro, com o mesmo título. A conferência, que teve lugar no dia 28 de abril de 1967, apesar do seu cariz literário, acabou por ter uma vigilância apertada por parte da PIDE que, inclusivamente,  produziu um relatório detalhado sobre tudo o que se lá se passou. Em primeiro lugar disse que “quem teve de fazer a apresentação [do conferencista] foi o engenheiro João Senos da Fonseca, filho da Dr.ª Eduarda Senos”, uma vez que, segundo o informador “não conseguiram arranjar apresentador, porque todos a quem se dirigiram recusaram a incumbência”. Igualmente é referido que “embora não se tratasse de assunto político, num ou noutro passo, o conferencista deu as suas piadas ao atual regime”. Depois o vigilante da PIDE que se identificava como “Alegre” (nome de código), dizendo que...