Ali, a dois passos do areal, na Praia de Quiaios , há um restaurante que é um verdadeiro oásis para o palato. Que é uma viagem pelo interior de sabores mágicos. MAR de seu nome — qual outro poderia ser? — este palco, que nos enfeitiça com pábulos encantados, não nos deixa margem para que o não voltemos a pisar. E se se costuma dizer que o diabo está nos detalhes, neste (aquém) MAR o diabo está em todo o lado, desde o prelúdio até ao epílogo. Ora saboreiem — desculpem, imaginem, porque ainda não foram inventadas as palavras que consigam significar tais paladares. Será que conseguem traduzir a densidade de sabores que o queijo camembert com cebola caramelizada e amêndoa fatiada, de entrada, nos proporciona? Eu não consigo! Delicioso, porém! E como se escreve o travo das zamburinhas no forno, com sabor a mar e com uma gota de limão a gosto? Não sei! Só sei que o céu-da-boca foi ao céu! E lulas grelhadas com puré de feijão branco e maçã palitada? De três assobios! É...
Haruki Murakami, romancista japonês que anda há muitos anos nas bocas do mundo, quis partilhar com os seus leitores o seu processo criativo de escrita de romances, o que faz através do livro Romancista como Vocação . Numa linguagem envolvente e transparente, ele vai desfiando — com base na sua experiência concreta, na evolução que ele teve como escritor, desde os primeiros tempos até se tornar romancista em exclusividade — e dissecando sobre os vários aspetos correlacionados com o seu processo de escrita romanesca. E não se pense que este livro é como que um manual que, depois de lido, nos transforma em romancistas. Não, porque, refere ele, só há uma maneira de sabermos se dispomos dessas qualidades: “atirarmo-nos à água e ver se flutuamos ou se nos afundamos”. Acrescentando: “só aqueles que, contra ventos e marés, querem escrever, que não conseguem ficar sem o fazer, produzem romances”. Aborda também a questão dos prémios literários. Da forma como muitos escritore...