Mensagens

DESTAQUES

O concelho da Figueira da Foz no romance "O Emigrante"

Imagem
  A geografia e o tempo andam, sempre, de mãos dadas nos romances. Vejamos então como no romance O Emigrante tal sucede no que diz respeito ao concelho da Figueira da Foz. Desde logo, no primeiro capítulo, numa cena que se passa a bordo do comboio Sud-Express,  em final de agosto de 1967, dois emigrantes, de regresso a França, efetuam a viagem lado a lado, sentados no corredor de uma das carruagens completamente lotada. Durante a travessia da Meseta Castelhana, de noite, quando a fome começou a apertar, por entre a partilha de merendas que ambos levavam, as respetivas terras de origem vieram à baila. Um era da região de Viseu (Renato) e o outro era de Bunhos, concelho da Figueira da Foz (Augusto). — Mas não fica mesmo ao lado da Figueira? — Ficar fica, mas nós não gostamos da malta da Figueira! Têm a mania de que são mais importantes do que nós, só porque são da cidade! — vincou Augusto. — Conheces Bunhos, já lá estiveste? — Eu fiz a tropa na Figueira da Foz, no q...

Aquilino Ribeiro estará presente no romance "Um Republicano na Mira da PIDE"

Imagem
Memorial a Aquilino Ribeiro, na Igreja Matriz de Alhais - Vila Nova de Paiva Neste dia em que se cumprem 63 anos sobre a morte de Aquilino Ribeiro (27.05.1963) deixo-vos, em pré-publicação, um excerto, entre muitos outros, do romance UM REPUBLICANO NA MIRA DA PIDE, em que o escritor das Terras do Demo é referenciado. Este romance, a minha próxima narrativa de ficção, a lançar no início de julho, foi inspirado na vida do advogado Júlio Calisto (n. 1897 em Sátão f. em 1973 em Ílhavo). Eis o excerto que tem a ver com a audição das rádios da "cortina da ferro", como a PIDE lhes chamava: (...) Porém, continuou a não descurar, à noite, a audição das emissões das rádios da “cortina de ferro”, como lhe chamava a polícia. Em sua casa, sozinho ou na companhia dos amigos Eduarda e Tavares e, muitas vezes, na presença dos compadres Manuel das Neves e Joaquim, o seu recetor captava as ondas hertzianas que chegavam da Checoslováquia e da Roménia. Passou mesmo a corresponder-se com aquelas...

O PIDE que passou o dia a transportar pessoas para o comício de Humberto Delgado

Imagem
   A campanha presidencial de 1958 foi dos momentos mais empolgantes que a oposição viveu durante o Estado Novo. A candidatura do general Humberto Delgado despertava um entusiasmo vibrante no povo — ainda mais evidente depois da desistência de Arlindo Vicente. Em cada aparição pública, como Delgado, que parecia ter magnetismo, atraía mais e mais gente, as hostes de Salazar começaram a ficar apreensivas. Havia que fazer alguma coisa para que a eleição do contra-almirante Américo Tomás, o candidato do regime, não corresse riscos. Mas vamos ao caso de que vos quero falar hoje, que teve a ver com o comício que Humberto Delgado levou a cabo no dia 24 de maio, em Aveiro, no Teatro Aveirense, iniciativa que mobilizou todos os opositores da região e que contou com a colaboração, a contragosto, de um informador da PIDE. “Alegre”, que se passava por oposicionista, mas que, de facto, não era mais do que um infiltrado no seio da oposição de Ílhavo, outro remédio não teve do que bebe...

Biblioteca da Figueira da Foz: João de Melo foi o convidado das 5.as de Leitura

Imagem
  Gosto particularmente das 5. as de leitura que têm lugar na Biblioteca Municipal da Figueira da Foz, onde a um ritmo mensal, se conversa com um escritor. Desta feita (21 de maio), o convidado foi João de Melo, que já leva 50 anos de carreira literária, e a Teresa Carvalho foi a moderadora. Sim, tudo aconteceu a um ritmo muito elevado, em que o autor se centrou, sobretudo, nas memórias da sua vida e, quiçá, nos inúmeros ‘fantasmas’ de um tempo longínquo (quem os não teve/tem?), que, ainda hoje, o assolarão. É verdade que João de Melo nos pareceu em busca da felicidade, pelo menos em termos discursivos. De fechar portas. Mas as marcas da família, sobretudo do pai, da ilha de São Miguel, do seminário, da guerra, e sei lá eu que mais, ainda se sentiram. Ainda foram muito sonantes. Lastro, mesmo. É verdade que as conversas fluem, porventura, é assim, deverá ser assim, e nessa liberdade de fluência, a conversa esteve muito centrada na vida, na sua vida. Na subida a pulso. No tr...

Uma história com marca da PIDE, nos 70 anos da Conferência de Jaime Cortesão

Imagem
  (Crónica publicada no Diário de Aveiro de 16.05.2026) A PIDE vigiava tudo. Ou quase tudo. Porque, às vezes, também via mal. Em maio de 1956, um agente destacado para acompanhar uma iniciativa democrática em Aveiro produziu dois relatórios sobre o mesmo acontecimento. No primeiro, registou com segurança quem presidira ao jantar do evento. No segundo, teve de se desdizer. A história passou-se nas comemorações da Revolução Liberal de 16 de maio de 1828, que tiveram Jaime Cortesão como figura central, e que este mês recordamos, 70 anos depois. Vamos então à história. Jaime Cortesão encontrava-se exilado no Brasil e veio a Portugal a coberto de um passaporte diplomático emitido por aquele país. Aproveitando a sua presença, os democratas aveirenses, com Mário Sacramento à cabeça, convidaram o historiador de Ançã para ser a figura central dessas comemorações. Delineado o programa, Cortesão estaria em dois momentos: num jantar de confraternização democrática, a realizar no res...

A propósito de papagaios: Mãe, esta praia é muito bonita!

Imagem
A minha caminhada matinal pelos passadiços da Praia de Quiaios teve hoje um aliciante especial. O céu estava pejado de papagaios — de todas as cores e feitios — que o vento norte enfunava e fazia esvoaçar sobre o areal, num colorido que concentrava o olhar de todos quantos ali se deslocaram logo pela manhã. — Mãe, esta praia é muito bonita — dizia uma criança, dos seus 8 anos, à sua progenitora quando eu passava. — Tem passadiços fixes e um areal grande. Não ouvi mais nada. Ia com passo apressado. Todavia, o que escutei, bastou-me. Se dúvidas houvesse, a iniciativa da Junta de Freguesia de Quiaios (que vai na 5.ª edição), de trazer anualmente os papagaios à praia, tinha ali a justificação plena. O festival tem sido e é um excelente veículo de promoção. É que as crianças não mentem, e aquelas pequenas frases que ela trocou com a mãe permitem, sem ser abusivo, concluir que as pessoas que aqui vierem nestes dois dias de festival dos papagaios (16 e 17 de maio) daqui irão com a re...

Memórias: Debate sobre juventude promovido pela JS Sátão

Imagem
Faz hoje, dia 10 de maio, 39 anos, a Juventude Socialista de Sátão promoveu na sua sede (sede do PS) um encontro em que se debateram os problemas da juventude em Portugal. Recordo-me bem desta iniciativa. Éramos poucos, mas tiínhamos uma entrega mais genuína às causas partidárias e estávamos sempre disponíveis para promover iniciativas e para travar todos os combates eleitorais e não só os autárquicos. Eram outros tempos, bem sei, mas havia dentro do grupo valores bem solidários. Havia espírito de grupo. Quiçá, terá sido essa determinação e essa resiliência que criou o substrato daquilo que o PS foi nas décadas seguintes, em que contou e conta com a adesão de tantos satenses.  Num território claramente conservador, no final dos anos 80, dominado pelo CDS nas eleições autárquicas e pelo PSD nas legislativas, os socialistas tinham de ir à luta e tudo fazer para se afirmarem como um projeto credível no concelho. Refira-se que não tinham qualquer vereador na câmara e eram só dois os el...