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"Outra vez Amália" encantou Quiaios

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  “Outra vez Amália” subiu ao palco do GIRQ, em Quiaios, na noite de 26 de junho. E que magnífico musical! Afinal, não são só os grupos profissionais que nos surpreendem! E, assim sendo, a surpresa é ainda maior, quando a qualidade da produção emociona uma plateia completamente cheia e rendida ao espetáculo. Perdoar-me-ão se destacar a voz, forte e bem timbrada, e os trejeitos da atriz (Susana Gabriela Patrão) que desempenhou o papel de Amália. Encantou com o enorme naipe de fados de Amália Rodrigues que cantou, desde os seus tempos iniciais de carreira até aos anos 90. Foi uma bela incursão pela vida artística da maior fadista portuguesa do século XX . As interações em palco com Marceneiro, Hermínia Silva, Maria Teresa Noronha, Camões, Pessoa, David Mourão Ferreira, Variações, ou as mais ou menos explícitas ligações aos corredores do poder e a proscrição a que foi sujeita depois do 25 de abril, ou as encenações das marchas e das procissões, permitiram ao público presente, se...

Livro de tributo a José Junqueiro, "Por um Portugal inteiro"

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  Deixo-vos de seguida a minha intervenção de apresentação do livro Por um Portugal inteiro - Tributo a José Junqueiro  um livro editado pela Associação Cívica e Cultural José Junqueiro. A apresentação do livro teve lugar no dia 27 de junho no auditório da Universidade Católica de Viseu, no âmbito de uma iniciativa de homenagem a José  Junqueiro, que nos deixou em julho de 2025. Há pessoas cuja partida não termina a sua presença entre nós. José Adelmo Gouveia Bordalo Junqueiro foi uma dessas pessoas. É uma dessas pessoas. Partiu de forma abrupta deixando em todos nós, que com ele privámos, um travo amargo e um sentimento difícil de aceitar: o de que ficaram conversas por acabar, memórias por arrumar, histórias por contar e caminhos que ainda gostaríamos de percorrer ao seu lado. E foi com a firmeza e a forte convicção de que a sua presença não terminou entre nós, contrariando, aliás, aquele célebre verso de Jorge Luís Borges (Somos o esquecimento que seremos), foi com...

A Fábrica da Vista Alegre é um dos lugares centrais do novo romance de Acácio Pinto

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  Como não podia deixar de ser, a Fábrica da Vista Alegre tem uma grande centralidade no romance histórico-biográfico UM REPUBLICANO NA MIRA DA PIDE , ou não fosse o combate ao Estado Novo o pano de fundo de, praticamente, toda a narrativa da obra. Entre outras coisas, tal centralidade advém do facto de a oposição querer recrutar apoiantes entre os operários da fábrica. Por todas as vias os principais opositores do regime tentavam trazer para as suas hostes aqueles que diariamente ali laboravam, incentivando-os a exigirem melhores condições salariais e de trabalho e participarem nos seus comícios. À frente da oposição no concelho de Ílhavo, nesse tempo, estavam, entre outros, Júlio Calisto, Eduarda Senos, José Gouveia e Joaquim Batista (Escalda). Estes oposicionistas tudo faziam para fazer chegar aos trabalhadores da fábrica os panfletos da oposição e até os jornais contra o regime, nomeadamente, o Avante . A principal porta de entrada para os operários eram, sobretudo, os es...

As peripécias de um PIDE no comício de Ílhavo de apoio a Humberto Delgado

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Cineteatro Atlântico (Foto: Ílhavo Antigo) Nos arquivos da PIDE, sob a epígrafe de Júlio Calisto*, encontrámos diversos pormenores relativos à campanha presidencial de 1958, que opôs o contra-almirante Américo Tomás ao general Humberto Delgado. Quiçá, este foi o tempo mais intenso que a oposição viveu durante os 48 anos de ditadura. O regime, face à onda de apoio popular que granjeava Humberto Delgado, viu-se obrigado a tomar medidas de emergência (censura, prisões e fraudes) para que o seu candidato, Américo Tomás, saísse vitorioso das eleições que estavam marcadas para o dia 8 de junho. Mas vamos, concretamente, a algumas peripécias que se passaram em Ílhavo. Sob a liderança de Júlio Calisto, o advogado que integrava a comissão distrital e nacional de apoio ao general, os oposicionistas locais avançaram para a organização de uma sessão de propaganda no Atlântico cineteatro no dia 3 de junho, à noite. Com o auditório completamente cheio, com uma adesão nunca vista nas inicia...

Duas notas pitorescas sobre o romance Quando os Lobos Uivam

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  Foi recentemente lançada, em Barrelas , mais uma reedição do romance Quando os Lobos Uivam , de Aquilino Ribeiro, obra que contou com o apoio da respetiva autarquia. É por isso que quero, desde já, saudar o Município de Vila Nova de Paiva, na pessoa do seu presidente, Paulo Marques, ou não fosse esta uma obra, um legado de Aquilino ao povo das Terras do Demo. Às gentes serranas, de rija têmpera, às mulheres e aos homens inteiros e inteiriços. Que não se vergaram. Que não se vergam. Que lutaram e lutam contra poderes instalados. É neste contexto que não resisto em falar-vos de dois episódios com ligações a este romance. O primeiro remonta aos tempos de estertor da ditadura. Do Estado Novo. Li o livro Quando os Lobos Uivam na minha aldeia. Na Rãs, concelho de Sátão. Estava eu prestes a fazer 15 anos. Li-o por empréstimo do meu primo Gaspar. Um oposicionista dos quatro costados que me entregou o livro embrulhado em folhas de jornal. E foi por isso, por esse e outros emprést...

Somos o esquecimento que seremos: uma obra-prima de Faciolince

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  Que livro! Somos o esquecimento que seremos do Héctor Abad Faciolince. Direi mesmo que é muito mais do que um livro, é uma obra-prima da arte de nos emocionar pela escrita! É uma narrativa impregnante. Que se nos cola ao pensamento. Impressiva! É literatura da boa. Não o li de rajada! Meteram-se alguns afazeres pelo meio! Porém, quando cheguei, mais ou menos, a meio, não mais parei. Li-o num ápice. Toldou-me, até! Estão lá três décadas da história de Medellín. Da Colômbia, afinal! A de 60, a de 70 e a de 80. De um país em convulsões políticas permanentes. Em guerrilha. Em que a frase de José Millán-Astray, “viva a morte, abaixo a inteligência”, ditou as regras sob o comando de milícias paramilitares ante o silêncio (instigador) e a passividade dos governantes. Mas o livro é sobre a história da Colômbia? Ela está lá, mas não é propriamente. O autor narra-nos (biografa-nos), com uma linguagem deliciosa, na primeira pessoa, uma história, a da sua família. Do seu pai. Um...

Até sempre, camarada e amigo Flórido

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Não, não o conheci quando desempenhou funções de deputado constituinte. Quando ele integrou aquelas listas primeiras da democracia. Donde haveriam de sair os eleitos com a missão de dotar Portugal com uma Constituição. A Constituição da República Portuguesa. Que ainda hoje nos rege. As eleições tiveram lugar no dia 25 de abril de 1975.  Era eu um jovem de 15 anos. Estávamos num país recentemente resgatado de uma ditadura. Profunda. De uma noite de quase meio século. De censura. Polícia política. Mordaça. De um Portugal Amordaçado , como lhe chamou o Mário, no título de um livro. O Soares, pois claro! Ele já por cá andava. Por Viseu. Na luta. Nas lutas pelas causas que nortearam tantos democratas. As barricadas eram muitas. Mas ele no Partido Socialista desde o primeiro minuto. Lado a lado com outros. Com o João Lima. Com o Álvaro Monteiro. Com o Armando Lopes. Com o Almeida Henriques. Para me ficar só pelos mais emblemáticos socialistas dessa época. De 1975.  Falo do F...