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DESTAQUES

Jornais de Ílhavo de há 100 anos: O Ilhavense, Beira-Mar e O Nauta

  Esta breve crónica vem a propósito de uma pesquisa que estou a desenvolver e que levará à escrita e publicação, durante este ano, de um romance histórico biográfico a editar por Letras e Conteúdos . A inspiração da narrativa centra-se numa personalidade que não sendo natural passou a maior parte da sua vida em Ílhavo . E foi nessa investigação que nos confrontámo com o facto de, nos anos 20, mais concretamente, em 1926, existirem no concelho três jornais com edição regular, o que reputamos muito relevante e diz bem do dinamismo social, cultural e político de Ílhavo, nessa época, em que se passam algumas das cenas em fase fase final de redação.  Falamos, pois, de O Ilhavense , dirigido por José Pereira Teles, Beira-Mar , com dois diretores, Cesário da Cruz e Guilhermino Ramalheira, e O Nauta , cujo diretor era Procópio D’Oliveira. Cada um deles, não o escondia, bastará ler as respetivas edições, tinha as suas idiossincrasias e os seus alinhamentos políticos a nível local e ...
Mensagens recentes

O GRITO: Uma minissério da RTP com o foco na escola portuguesa

Em oito episódios de 45 minutos, está lá tudo. Tudo o que tem a ver com educação em Portugal. O modelo de gestão. O papel da escola na sociedade. A carreira e a autoridade dos professores. A burocracia. A avaliação docente e a avaliação dos alunos. Os rankings das escolas. As greves. O bullying . A violência. Os consumos de estupefacientes. O stress. O mau comportamento na sala de aula. O uso de telemóvel. O que temos nesta série  – disponível na RTP Play –  é uma incursão ao seio de uma escola (afinal de todas as escolas) e ao seio de uma família (de muitas famílias). E o enredo, sóbrio, mas assertivo, deixa-nos permanentemente em questionamento. Arrasta-nos para dentro dos problemas, numa espiral de suspense, ao ponto de querermos saber mais. Saber dos desenlaces. Mas não se pense que há uma cedência ao drama puro e duro. Não, o argumento não vai além da realidade. Da vida. Tal qual nós a sabemos e a sentimos. Tal qual ela é. Enfim, poderemos dizer que esta minissérie f...

O que é que o parapente em Quiaios tem a ver com o romance O Emigrante?

A prática de parapente na Serra da Boa Viagem, na freguesia de Quiaios , é usual há muitos anos. Com descolagem, lá do alto, a cerca de 100 metros de altitude, os amantes da especialidade, com ventos de feição, podem usufruir de magníficas vistas sobre a Murtinheira, a Praia de Quiaios, a estrada do Enforca Cães, o Farol e todo o maciço rochoso do Cabo Mondego. Vistas de fazer perder a respiração! Mas, afinal, o que é que a prática desta atividade de lazer e de relaxamento do stress deste quotidiano duro tem a ver com o romance O Emigrante ? A resposta é simples. Não tem a ver tudo, mas tem a ver muito com este romance de Acácio Pinto, que saiu no final de 2025 e que vai na 2.ª edição. E porquê? Porque a cena final da narrativa, que se passa em final de agosto de 2017, aconteceu exatamente no BART , o bar mais icónico da praia, em que uma das personagens da narrativa surgiu, inesperadamente, vinda dos céus e aterrando, ali ao lado, no extenso areal da praia. E que mais? Obv...

JUSTA: Um filme que é uma ode ao amor

  Justa de Teresa Villaverde O negro dos incêndios está por todo o lado. Até nos corações! Das personagens. E no viver de uma aldeia que não encontra a esperança. De uma vida que tarda em renascer. Foi muita perda! De entes queridos! De familiares! E de bens, em que os imateriais mais pesarão: como o de um viver em comunidade. Em família. Que não mais regressará. Naqueles moldes. É indizível. O peso da culpa. Carregada. Colada ao corpo. Qual ferro em brasa. Uma culpa atirada em palavras de raiva. Ou só de revolta? Contra tudo e contra todos. E onde está o amor? Nos gestos. Nas gramáticas de palavras por dizer. Nos silêncios de tantas curvas da estrada. Com corpos. Gritos. Nas cicatrizes de pessoas em luta por uma aurora de felicidade. Efémera? Ou eterna? Nem que seja de uma ida ao cemitério ou de um salto para o centro daquele fogo. De mulheres e homens inteiros. Que ali estão! Para ajudar. O outro. Sendo eles próprios o seu semelhante. Pois todos se reveem no mesmo espe...

Entrevista de Acácio Pinto a propósito do romance O Emigrante

  O texto e entrevista que se seguem foram produzidos por Ígor Lopes, da agência Incomparáveis, após me ter solicitado uma entrevista. Grato pela oportunidade. Acácio Pinto Plataformas onde saiu a entrevista: INCOMPARÁVEIS LUSO JORNAL BOM DIA e-GLOBAL JORNAL COMUNIDADES LUSÓFONAS AS NOTÍCIAS UK O livro “O Emigrante”, de Acácio Pinto, coloca no centro do debate literário a emigração portuguesa para França nas décadas de 1960 e 1970. A obra parte de um encontro entre duas personagens no Sud Express para retratar trajetórias marcadas pela separação familiar, pela deslocação forçada e pelos silêncios que atravessam gerações. O romance constrói-se a partir de memórias individuais e coletivas, abordando a identidade, a herança emocional e as escolhas feitas longe de Portugal, num contexto em que milhares de portugueses partiram em busca de melhores condições de vida. A apresentação da obra realizou-se na Biblioteca Municipal D. Miguel da Silva, em Viseu, no final de 2025, e contou com ...

O Leitor de Dicionários: um romance que dá gosto ler de um fôlego!

Gratos a Virgínia da Silva Veiga pela recensão que publicou na sua página Facebook sobre o romance O Leitor de Dicionários e que de seguida reproduzimos. EU, LEITORA, ME CONFESSO - A vida - vou já contar - tem surpresas muito interessantes. Uma delas foi Acácio Pinto. Ele próprio. O autor do “O Leitor de Dicionários”, o romance de que já lhes falo de seguida. Licenciado em Geografia e em Direito, o autor tem um largo percurso de vida política que faria prever tudo menos imaginar um tal dom de escrita. Quis o destino que nunca nos conhecêssemos até ao dia em que lhe chegou notícia de eu poder ter dados sobre a personagem do seu próximo romance. Pinto entrou em contacto comigo e acabou a enviar-me o “O Leitor de Dicionários”, um romance muitíssimo bem escrito, com uma cadência das que dá gosto ler de um fôlego, uma escrita por onde a enorme pesquisa histórica se atravessa sem perturbar a leitura, sem tirar aquele gosto de absorver as sensações das palavras sem sair do ambiente, que...

Partiu o Salomão: um homem que escrevia com uma fina ironia!

Partiu um amigo, mais um! Desta feita foi o Salomão Cruz, de Penalva do Castelo. Conheci-o nos anos 80, quando eu tinha o jornal Gazeta de Sátão, jornal com o qual ele colaborou durante vários anos, quando ele trabalhava nas Finanças de Sátão Bem me lembro da sua escrita de fina ironia. Por vezes mordaz e acutilante. Com o mundo que o rodeava. Com a política e com os políticos. Recordo-me bem de alguns dos seus textos. Que publicávamos na última página. Eram crónicas de se lhe tirar o chapéu. Da sua pena saíam críticas em todos os sentidos. Certeiras. Um excerto de uma das suas crónicas, que publicava sob o título O Boato, de janeiro de 1988: “…Os cargos de chefia (alta chefia, entenda-se) que são ocupados por pessoas que não comem como nós, nem bebem, têm que ser, na ótica governamental, substancialmente compensados com aumentos entre os 40 e os 60%. Nós bebemos bagaço, eles bebem whisky, nós bebemos tinto, eles bebem champanhe, nós comemos feijões, eles comem caviar, nós co...