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Narsélio de Gouveia e Sousa, um construtor de consensos

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Por ocasião da morte de Narsélio de Gouveia e Sousa (N. 15.09.1947 | F. 01.08.2026) impõe-se deixar-vos breves palavras sobre aquele que foi o presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Sátão após a Revolução de Abril de 1974. E deixo-as com enorme tristeza, porquanto ainda esperava ouvir da sua boca, no café Cantinho da Amizade, em Sátão, outras histórias dentre tantas que me contou aquando da recolha de elementos que efetuei para a escrita do livro Sátão: 50 Anos de Liberdade . Claro está que alguns conteúdos dessas conversas ficaram e ficarão selados, pela sensibilidade que os envolve, assim me comprometi com ele. Vamos então aos factos. Após meio ano de manifestações e de negociações que redundaram num processo conturbado e nada linear, eis que Narsélio de Gouveia e Sousa se vê empossado, no dia 5 de dezembro de 1974, pelo governador civil de Viseu, Manuel Almeida, como presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Sátão. Ele e os seus pares: ...

Todos os homens são mentirosos: quem sabe se isto não é verdade?

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  Foi o primeiro livro de Alberto Manguel que li: Todos os homens são mentirosos e, na dedicatória que me endereçou, o autor diz: “Acácio, quem sabe se isto não é verdade?” Pois bem, trata-se da ficção no seu melhor! Manguel, a pretexto da vida de Alejandro Bevilacqua, conduz-nos por caminhos que se vão emaranhando numa teia em que, de facto, o leitor, que se prende rapidamente nesta urdidura, não sabe onde começa e acaba o que quer que seja, nem, muito menos, qual a coda que a obra vai ter. Quem escreveu a obra Elogio da Mentira ? Foi o Bevilacqua, ou este é afinal uma fraude? Que até morreu no dia do lançamento do livro.  E Manguel é só o autor ou também é protagonista neste livro? E o jornalista, Terradillos, que procura conhecer toda a verdade sobre a vida e a morte do misterioso Bevilacqua consegue tal desiderato? Ficará a saber se o autor fantasma ( ou não) morreu por acidente? Se se suicidou? Ou foi assassinado? Ai o raio da ficção! Sempre ela a deixar-nos ali ...

O povo de Ílhavo rendeu-se ao filme Playback!

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  Se dúvidas houvesse de que Carlos Paião, uma lenda da música ligeira portuguesa, pertencia ao coração do povo de ílhavo (sim, do povo!), bastava ter assistido à genuína e longa ovação que, no final da antestreia do filme Playback , as 500 pessoas que enchiam o auditório da casa da Cultura de Ílhavo, lhe proporcionaram! Arrepiante! Para todos! Para mim, sobremaneira, que sendo natural de longe, ali estava no meio daquela gente com cheiro a maresia e me senti mais um entre eles. A aclamação, naquele contexto, dir-se-ia que foi para o Rafael Ferreira (o ator que o interpretou, tão bem!) e para toda a equipa, porém, verdadeiramente, a explosão foi para o Carlos. O Paião. O médico que quis ser cantor. Letrista e compositor. O artista das palavras e das melodias. O construtor da Cinderela . Bem me lembro desse fatídico dia em que uma curva na estrada lhe ceifou a estrada da vida. E a mim, a nós, aos da minha geração, que o adorávamos, ficámos pela agreste amargura de, nessa noite...

António Costa e Silva: uma conversa que foi um hino à vida!

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  Afinal, ainda é possível conversar poeticamente sobre os temas de prosa dura que assolam o mundo: alterações climática, geopolítica, recursos naturais, economia, população, líderes mundiais, oceanos. Basta que a moderadora da conversa seja Teresa Carvalho e o convidado António Costa e Silva, a primeira proficiente e, o segundo, um comunicador brilhante. Falo de quê? Sim, é das 5.as de leitura que acontecem, regularmente, na Biblioteca Municipal da Figueira da Foz. Claro está que os temas abordados não se resumiram aos susoditos. Também se falou de livros e de literatura (o lastro do evento), de Angola, da prisão de São Paulo, de tortura, de dignidade e dos limites da vida. Foi uma sessão de encantamento, encantatória, aquela a que assistimos. Quais hipnotizadores a dizerem as palavras certeiras, uma a uma, para que a plateia se rendesse àquele concerto, ambos foram sublimes, parecendo inspirados ou comandados por uma batuta que parecia vir de um maestro invisível, alt...

Letras e Conteúdos: 2.000.000 de visualizações

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  Não sei se é muito se é pouco, mas que é um número redondo lá isso é e quero partilhá-lo. Este blogue, Letras em Conteúdos (letraseconteudos.blogspot.com), acabou de atingir hoje, dia 16 de julho de 2026, mais de 2.000.000 de visualizações. A métrica utilizada é a do próprio Blogger (blogger.com). Desde janeiro de 2010, data em que abri a porta, aqui publiquei, até agora, 3121 textos de natureza diversa. Se no início, as publicações eram essencialmente de natureza político-partidária, derivadas da circunstância de, há época e até outubro de 2015, exercer as funções de deputado à AR eleito pelo círculo eleitoral de Viseu, depois disso, estando a política sempre presente, as crónicas e os textos assumiram uma natureza mais diversificada: viagens, roteiros, música, cinema, notícias, histórias, contos e recensões de livros. Já nestes últimos três anos, a literatura e os livros que tenho vindo a editar são o foco principal. De referir que alguns dos textos que aqui se encontram ...

Planeta de Plástico: uma aula de ecologia

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O Carlos Cruchinho, ou não fosse ele professor, oferece-nos com este seu último livro, Planeta de Plástico , uma bela aula sobre ecologia. Coloca, mesmo, o dedo na ferida, através de um diálogo numa aula de HGP centrada nos continentes, sobre os plásticos que inundam os oceanos (e a terra) e as inúmeras questões ambientais que nos afetam. Que excelente ideia para uma abordagem holística em torno das problemáticas atuais da sustentabilidade, da economia circular e do bom uso dos recursos. Que bela ideia para uma atuação local, junto dos nossos alunos (e da sociedade), a partir de um pensamento global. Que habitamos um planeta saturado, sobre explorado, em que os recursos não se regeneram ao ritmo do seu consumo, todos sabemos; porém, parece que todos estamos à espera que milagrosamente a situação se resolva. Não resolverá! É por isso que espero que o Abel (vestido de Cruchinho) apresente as práticas da avó Maria Vitória ao maior número de alunos possível. Ah, as ilustrações,...

O Enforcado de cabeça para baixo | Contos de Diogo Ferreira

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  Quando vi uma publicação alusiva ao livro de contos “O enforcado de cabeça para baixo – e outros contos moribundos” algo houve que me atraiu. Não nego que foi o título e o tema da morte em geral. Não conhecia o autor, Diogo Marnoto Ferreira, e a capa não me despertou à primeira. Só depois de a olhar no livro. Avisado de que a edição tinha sido de 100 exemplares, logo enviei mensagem ao autor. Queria um. Consegui-o. Vamos então aos factos. Esta temática, a da morte, nos contos, na literatura, fascina-me desde que há uns anos li o Edgar Alan Poe. O mestre desta arte. Do horror gótico, da loucura e do macabro. Da morte, afinal. O mesmo não digo do cinema, nesta vertente. Ou seja lido bem e até gosto da palavra, nesta temática, mas já não aprecio a imagem. Essa aprecio-a noutras tramas romanescas. E eis-me aqui e agora, depois de ler as 100 páginas desta edição de autor, para vos dizer que gostei desta aventura do Diogo. Será um livro fora da caixa? Um estilo underground ? Um...