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Somos o esquecimento que seremos: uma obra-prima de Faciolince

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  Que livro! Somos o esquecimento que seremos do Héctor Abad Faciolince. Direi mesmo que é muito mais do que um livro, é uma obra-prima da arte de nos emocionar pela escrita! É uma narrativa impregnante. Que se nos cola ao pensamento. Impressiva! É literatura da boa. Não o li de rajada! Meteram-se alguns afazeres pelo meio! Porém, quando cheguei, mais ou menos, a meio, não mais parei. Li-o num ápice. Toldou-me, até! Estão lá três décadas da história de Medellín. Da Colômbia, afinal! A de 60, a de 70 e a de 80. De um país em convulsões políticas permanentes. Em guerrilha. Em que a frase de José Millán-Astray, “viva a morte, abaixo a inteligência”, ditou as regras sob o comando de milícias paramilitares ante o silêncio (instigador) e a passividade dos governantes. Mas o livro é sobre a história da Colômbia? Ela está lá, mas não é propriamente. O autor narra-nos (biografa-nos), com uma linguagem deliciosa, na primeira pessoa, uma história, a da sua família. Do seu pai. Um...

Até sempre, camarada e amigo Flórido

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Não, não o conheci quando desempenhou funções de deputado constituinte. Quando ele integrou aquelas listas primeiras da democracia. Donde haveriam de sair os eleitos com a missão de dotar Portugal com uma Constituição. A Constituição da República Portuguesa. Que ainda hoje nos rege. As eleições tiveram lugar no dia 25 de abril de 1975.  Era eu um jovem de 15 anos. Estávamos num país recentemente resgatado de uma ditadura. Profunda. De uma noite de quase meio século. De censura. Polícia política. Mordaça. De um Portugal Amordaçado , como lhe chamou o Mário, no título de um livro. O Soares, pois claro! Ele já por cá andava. Por Viseu. Na luta. Nas lutas pelas causas que nortearam tantos democratas. As barricadas eram muitas. Mas ele no Partido Socialista desde o primeiro minuto. Lado a lado com outros. Com o João Lima. Com o Álvaro Monteiro. Com o Armando Lopes. Com o Almeida Henriques. Para me ficar só pelos mais emblemáticos socialistas dessa época. De 1975.  Falo do F...

Também em Ílhavo, obviamente, houve fraude eleitoral nas presidenciais de 1958

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  Assinalam-se hoje, dia 8 de junho, 68 anos sobre as eleições presidenciais de 1958, que opuseram o general Humberto Delgado ao contra-almirante Américo Tomás. Foram tempos de esperança, em que a oposição, unindo-se em torno do general, obteve apoios dos mais diversos quadrantes sociais e políticos. As iniciativas de campanha em todo o país, a começar pelo Porto, no dia 14 de maio, e por Lisboa, no dia 18 de maio, Viseu, Aveiro e tantas outras, estavam condenadas ao sucesso. Eram, sempre, milhares e milhares de pessoas que acorriam aos comícios e às manifestações para aclamar o candidato que, sem medo, dissera “obviamente demito-o”, dirigindo-se a Salazar. Perante estas circunstâncias, as campainhas de São Bento soaram e havia que tomar medidas. A vitória do contra-almirante não poderia correr riscos. Instruiu-se a censura para impedir publicações nos jornais sobre os comícios de Humberto Delgado, ordenou-se à PIDE para prender, a eito, os oposicionistas e impediu-se a devid...

Figueira da Foz: Carla Pais e Maria do Rosário Pedreira na Biblioteca Municipal

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  Que bela sessão, 5.as de leitura, na Biblioteca Municipal da Figueira da Foz, no dia 3 de junho! Com a Carla Pais à sua esquerda e a Maria do Rosário Pedreira à sua direita, a Teresa Carvalho soube, com a sua singular maestria nestas lides, distribuir de modo exemplar o jogo pelas convidadas, até mesmo quando as deixou, às duas, em interação direta! A primeira, a vencedora do Prémio Leya 2025, com o livro A Sombra das Árvores no Inverno , falou-nos da emoção com que recebeu a notícia (dada por Manuel Alegre!) de um dos mais importantes prémios contemporâneos da literatura portuguesa. A sua voz, ainda um pouco suspensa e emotiva, que a Teresa Carvalho deixou fluir, trouxe-nos as alterações das suas rotinas (e das do seu gato!), face ao ribombar do telefone, daquele dia em diante, e às solicitações editoriais que exigiam a sua presença. As suas palavras não esconderam a aprendizagem que teve de desenvolver (sob a batuta do Paulo!) para lidar com a notoriedade e com a comunica...

O concelho da Figueira da Foz no romance "O Emigrante"

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  A geografia e o tempo andam, sempre, de mãos dadas nos romances. Vejamos então como no romance O Emigrante tal sucede no que diz respeito ao concelho da Figueira da Foz. Desde logo, no primeiro capítulo, numa cena que se passa a bordo do comboio Sud-Express,  em final de agosto de 1967, dois emigrantes, de regresso a França, efetuam a viagem lado a lado, sentados no corredor de uma das carruagens completamente lotada. Durante a travessia da Meseta Castelhana, de noite, quando a fome começou a apertar, por entre a partilha de merendas que ambos levavam, as respetivas terras de origem vieram à baila. Um era da região de Viseu (Renato) e o outro era de Bunhos, concelho da Figueira da Foz (Augusto). — Mas não fica [Bunhos] mesmo ao lado da Figueira? — Ficar fica, mas nós não gostamos da malta da Figueira! Têm a mania de que são mais importantes do que nós, só porque são da cidade! — vincou Augusto. — Conheces Bunhos, já lá estiveste? — Eu fiz a tropa na Figueira da ...

Aquilino Ribeiro estará presente no romance "Um Republicano na Mira da PIDE"

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Memorial a Aquilino Ribeiro, na Igreja Matriz de Alhais - Vila Nova de Paiva Neste dia em que se cumprem 63 anos sobre a morte de Aquilino Ribeiro (27.05.1963) deixo-vos, em pré-publicação, um excerto, entre muitos outros, do romance UM REPUBLICANO NA MIRA DA PIDE, em que o escritor das Terras do Demo é referenciado. Este romance, a minha próxima narrativa de ficção, a lançar no início de julho, foi inspirado na vida do advogado Júlio Calisto (n. 1897 em Sátão f. em 1973 em Ílhavo). Eis o excerto que tem a ver com a audição das rádios da "cortina da ferro", como a PIDE lhes chamava: (...) Porém, continuou a não descurar, à noite, a audição das emissões das rádios da “cortina de ferro”, como lhe chamava a polícia. Em sua casa, sozinho ou na companhia dos amigos Eduarda e Tavares e, muitas vezes, na presença dos compadres Manuel das Neves e Joaquim, o seu recetor captava as ondas hertzianas que chegavam da Checoslováquia e da Roménia. Passou mesmo a corresponder-se com aquelas...

O PIDE que passou o dia a transportar pessoas para o comício de Humberto Delgado

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   A campanha presidencial de 1958 foi dos momentos mais empolgantes que a oposição viveu durante o Estado Novo. A candidatura do general Humberto Delgado despertava um entusiasmo vibrante no povo — ainda mais evidente depois da desistência de Arlindo Vicente. Em cada aparição pública, como Delgado, que parecia ter magnetismo, atraía mais e mais gente, as hostes de Salazar começaram a ficar apreensivas. Havia que fazer alguma coisa para que a eleição do contra-almirante Américo Tomás, o candidato do regime, não corresse riscos. Mas vamos ao caso de que vos quero falar hoje, que teve a ver com o comício que Humberto Delgado levou a cabo no dia 24 de maio, em Aveiro, no Teatro Aveirense, iniciativa que mobilizou todos os opositores da região e que contou com a colaboração, a contragosto, de um informador da PIDE. “Alegre”, que se passava por oposicionista, mas que, de facto, não era mais do que um infiltrado no seio da oposição de Ílhavo, outro remédio não teve do que bebe...