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O Enforcado de cabeça para baixo | Contos de Diogo Ferreira

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  Quando vi uma publicação alusiva ao livro de contos “O enforcado de cabeça para baixo – e outros contos moribundos” algo houve que me atraiu. Não nego que foi o título e o tema da morte em geral. Não conhecia o autor, Diogo Marnoto Ferreira, e a capa não me despertou à primeira. Só depois de a olhar no livro. Avisado de que a edição tinha sido de 100 exemplares, logo enviei mensagem ao autor. Queria um. Consegui-o. Vamos então aos factos. Esta temática, a da morte, nos contos, na literatura, fascina-me desde que há uns anos li o Edgar Alan Poe. O mestre desta arte. Do horror gótico, da loucura e do macabro. Da morte, afinal. O mesmo não digo do cinema, nesta vertente. Ou seja lido bem e até gosto da palavra, nesta temática, mas já não aprecio a imagem. Essa aprecio-a noutras tramas romanescas. E eis-me aqui e agora, depois de ler as 100 páginas desta edição de autor, para vos dizer que gostei desta aventura do Diogo. Será um livro fora da caixa? Um estilo underground ? Um...

O PIDE que recebeu como leitura de férias o romance “Quando os Lobos Uivam”

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  Crónica publicada no Diário de Aveiro de 29 de junho de 2026. O romance Quando os Lobos Uivam , de Aquilino Ribeiro, que tinha por pano de fundo a brutalidade do Estado Novo contra as populações rurais, chegou aos escaparates em 1958. Porém, não demorou muito até que os censores tratassem de o condenar ao fogo do inferno. O ‘crítico literário’ de serviço para essa empreitada escreveu em fevereiro de 1959 que “ o autor intitula este livro de romance, mas com mais propriedade deveria chamar-lhe de romance panfletário, porque todo ele foi arquitetado para fazer um odioso ataque à atual situação política ”. E acrescenta ainda o relator sobre a obra: “ Escrito numa prosa viril, classifica o governo de piratas e descreve várias Autoridades, Funcionários, Polícia, Guarda Republicana e Tribunais em termos indignos e insultuosos ”. Ora, face a esta inequívoca litania (de que aqui só deixei dois excertos) os exemplares ainda por vender foram apreendidos e Aquilino Ribeiro foi alvo d...

"Outra vez Amália" encantou Quiaios

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  “Outra vez Amália” subiu ao palco do GIRQ, em Quiaios, na noite de 26 de junho. E que magnífico musical! Afinal, não são só os grupos profissionais que nos surpreendem! E, assim sendo, a surpresa é ainda maior quando a qualidade da produção emociona uma plateia completamente cheia e rendida ao espetáculo. Perdoar-me-ão se destacar a voz, forte e bem timbrada, e os trejeitos da atriz (Susana Gabriela Patrão) que desempenhou o papel de Amália. Encantou com o enorme naipe de fados de Amália Rodrigues que ela cantou, desde os seus tempos iniciais de carreira até aos anos 90. Foi uma bela incursão pela vida artística da maior fadista portuguesa do século XX . As interações em palco com Marceneiro, Hermínia Silva, Maria Teresa Noronha, Camões, Pessoa, David Mourão Ferreira, Variações, ou as mais ou menos explícitas ligações aos corredores do poder e a proscrição a que foi sujeita depois do 25 de abril, ou as encenações das marchas e das procissões, permitiram ao público presente,...

Livro de tributo a José Junqueiro, "Por um Portugal inteiro"

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  Deixo-vos de seguida a minha intervenção de apresentação do livro Por um Portugal inteiro - Tributo a José Junqueiro  um livro editado pela Associação Cívica e Cultural José Junqueiro. A apresentação do livro teve lugar no dia 27 de junho no auditório da Universidade Católica de Viseu, no âmbito de uma iniciativa de homenagem a José  Junqueiro, que nos deixou em julho de 2025. Há pessoas cuja partida não termina a sua presença entre nós. José Adelmo Gouveia Bordalo Junqueiro foi uma dessas pessoas. É uma dessas pessoas. Partiu de forma abrupta deixando em todos nós, que com ele privámos, um travo amargo e um sentimento difícil de aceitar: o de que ficaram conversas por acabar, memórias por arrumar, histórias por contar e caminhos que ainda gostaríamos de percorrer ao seu lado. E foi com a firmeza e a forte convicção de que a sua presença não terminou entre nós, contrariando, aliás, aquele célebre verso de Jorge Luís Borges (Somos o esquecimento que seremos), foi com...

A Fábrica da Vista Alegre é um dos lugares centrais do novo romance de Acácio Pinto

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  Como não podia deixar de ser, a Fábrica da Vista Alegre, uma instituição bicentenária de Ílhavo, tem uma grande centralidade no romance histórico-biográfico UM REPUBLICANO NA MIRA DA PIDE .  Entre outras coisas, tal centralidade advém do facto de a oposição querer sensibilizar os trabalhadores para os seus direitos. Por todas as vias os principais opositores do regime tentavam trazer para as suas hostes aqueles que diariamente ali laboravam, incentivando-os a exigirem melhores condições salariais e de trabalho e participarem nos seus comícios. À frente da oposição no concelho de Ílhavo, nesse tempo, estavam, entre outros, Júlio Calisto, Mário Sacramento, Eduarda Senos, José Gouveia e Joaquim Batista (Escalda). Estes oposicionistas tudo faziam para fazer chegar aos trabalhadores da fábrica os panfletos da oposição e até os jornais contra o regime, nomeadamente, o Avante . A principal porta de entrada para os operários eram, sobretudo, os escriturários, mas também os des...

UM REPUBLICANO NA MIRA DA PIDE

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  DETALHES DO LIVRO Título: UM REPUBLICANO NA MIRA DA PIDE Autor: Acácio Pinto Preço: 20 € Compre aqui: letraseconteudos@gmail.com ISBN: 978-989-35609-5-2 Edição: Letras e Conteúdos | Sátão Data de lançamento: 1.ª edição – junho 2026 Idioma: Português Dimensões: 152 x 235 x 21 mm Encadernação: Capa mole Páginas: 290 Classificação: Livros em Português > Literatutra > Romance SINOPSE Nascido sob o peso de ser filho ilegítimo, Júlio cresce com uma ferida que nunca chega a sarar. O estudo e a advocacia levam-no de Sátão a Ílhavo, mas não apagam o estigma que o acompanhou desde o nascimento. Entre cafés, tribunais, jornais, reuniões clandestinas, campanhas eleitorais, prisões e vigilância cerrada da PIDE, Júlio faz da sua vida uma forma de resistência a Salazar e ao Estado Novo. À sua volta cruzam-se amizade, lealdade, traição, medo e coragem, num país onde a liberdade foi adiada durante décadas. Um Republicano na Mira da PIDE é o retrato de um homem — e, através dele, de tantos o...

As peripécias de um PIDE no comício de Ílhavo de apoio a Humberto Delgado

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Cineteatro Atlântico (Foto: Ílhavo Antigo) Nos arquivos da PIDE, sob a epígrafe de Júlio Calisto*, encontrámos diversos pormenores relativos à campanha presidencial de 1958, que opôs o contra-almirante Américo Tomás ao general Humberto Delgado. Quiçá, este foi o tempo mais intenso que a oposição viveu durante os 48 anos de ditadura. O regime, face à onda de apoio popular que granjeava Humberto Delgado, viu-se obrigado a tomar medidas de emergência (censura, prisões e fraudes) para que o seu candidato, Américo Tomás, saísse vitorioso das eleições que estavam marcadas para o dia 8 de junho. Mas vamos, concretamente, a algumas peripécias que se passaram em Ílhavo. Sob a liderança de Júlio Calisto, o advogado que integrava a comissão distrital e nacional de apoio ao general, os oposicionistas locais avançaram para a organização de uma sessão de propaganda no Atlântico cineteatro no dia 3 de junho, à noite. Com o auditório completamente cheio, com uma adesão nunca vista nas inicia...