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António Costa e Silva: uma conversa que foi um hino à vida!

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  Afinal, ainda é possível conversar poeticamente sobre os temas de prosa dura que assolam o mundo: alterações climática, geopolítica, recursos naturais, economia, população, líderes mundiais, oceanos. Basta que a moderadora da conversa seja Teresa Carvalho e o convidado António Costa e Silva, a primeira proficiente e, o segundo, um comunicador brilhante. Falo de quê? Sim, é das 5.as de leitura que acontecem, regularmente, na Biblioteca Municipal da Figueira da Foz. Claro está que os temas abordados não se resumiram aos susoditos. Também se falou de livros e de literatura (o lastro do evento), de Angola, da prisão de São Paulo, de tortura, de dignidade e dos limites da vida. Foi uma sessão de encantamento, encantatória, aquela a que assistimos. Quais hipnotizadores a dizerem as palavras certeiras, uma a uma, para que a plateia se rendesse àquele concerto, ambos foram sublimes, parecendo inspirados ou comandados por uma batuta que parecia vir de um maestro invisível, alt...

Letras e Conteúdos: 2.000.000 de visualizações

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  Não sei se é muito se é pouco, mas que é um número redondo lá isso é e quero partilhá-lo. Este blogue, Letras em Conteúdos (letraseconteudos.blogspot.com), acabou de atingir hoje, dia 16 de julho de 2026, mais de 2.000.000 de visualizações. A métrica utilizada é a do próprio Blogger (blogger.com). Desde janeiro de 2010, data em que abri a porta, aqui publiquei, até agora, 3121 textos de natureza diversa. Se no início, as publicações eram essencialmente de natureza político-partidária, derivadas da circunstância de, há época e até outubro de 2015, exercer as funções de deputado à AR eleito pelo círculo eleitoral de Viseu, depois disso, estando a política sempre presente, as crónicas e os textos assumiram uma natureza mais diversificada: viagens, roteiros, música, cinema, notícias, histórias, contos e recensões de livros. Já nestes últimos três anos, a literatura e os livros que tenho vindo a editar são o foco principal. De referir que alguns dos textos que aqui se encontram ...

Planeta de Plástico: uma aula de ecologia

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O Carlos Cruchinho, ou não fosse ele professor, oferece-nos com este seu último livro, Planeta de Plástico , uma bela aula sobre ecologia. Coloca, mesmo, o dedo na ferida, através de um diálogo numa aula de HGP centrada nos continentes, sobre os plásticos que inundam os oceanos (e a terra) e as inúmeras questões ambientais que nos afetam. Que excelente ideia para uma abordagem holística em torno das problemáticas atuais da sustentabilidade, da economia circular e do bom uso dos recursos. Que bela ideia para uma atuação local, junto dos nossos alunos (e da sociedade), a partir de um pensamento global. Que habitamos um planeta saturado, sobre explorado, em que os recursos não se regeneram ao ritmo do seu consumo, todos sabemos; porém, parece que todos estamos à espera que milagrosamente a situação se resolva. Não resolverá! É por isso que espero que o Abel (vestido de Cruchinho) apresente as práticas da avó Maria Vitória ao maior número de alunos possível. Ah, as ilustrações,...

O Enforcado de cabeça para baixo | Contos de Diogo Ferreira

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  Quando vi uma publicação alusiva ao livro de contos “O enforcado de cabeça para baixo – e outros contos moribundos” algo houve que me atraiu. Não nego que foi o título e o tema da morte em geral. Não conhecia o autor, Diogo Marnoto Ferreira, e a capa não me despertou à primeira. Só depois de a olhar no livro. Avisado de que a edição tinha sido de 100 exemplares, logo enviei mensagem ao autor. Queria um. Consegui-o. Vamos então aos factos. Esta temática, a da morte, nos contos, na literatura, fascina-me desde que há uns anos li o Edgar Alan Poe. O mestre desta arte. Do horror gótico, da loucura e do macabro. Da morte, afinal. O mesmo não digo do cinema, nesta vertente. Ou seja lido bem e até gosto da palavra, nesta temática, mas já não aprecio a imagem. Essa aprecio-a noutras tramas romanescas. E eis-me aqui e agora, depois de ler as 100 páginas desta edição de autor, para vos dizer que gostei desta aventura do Diogo. Será um livro fora da caixa? Um estilo underground ? Um...

O PIDE que recebeu como leitura de férias o romance “Quando os Lobos Uivam”

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  Crónica publicada no Diário de Aveiro de 29 de junho de 2026. O romance Quando os Lobos Uivam , de Aquilino Ribeiro, que tinha por pano de fundo a brutalidade do Estado Novo contra as populações rurais, chegou aos escaparates em 1958. Porém, não demorou muito até que os censores tratassem de o condenar ao fogo do inferno. O ‘crítico literário’ de serviço para essa empreitada escreveu em fevereiro de 1959 que “ o autor intitula este livro de romance, mas com mais propriedade deveria chamar-lhe de romance panfletário, porque todo ele foi arquitetado para fazer um odioso ataque à atual situação política ”. E acrescenta ainda o relator sobre a obra: “ Escrito numa prosa viril, classifica o governo de piratas e descreve várias Autoridades, Funcionários, Polícia, Guarda Republicana e Tribunais em termos indignos e insultuosos ”. Ora, face a esta inequívoca litania (de que aqui só deixei dois excertos) os exemplares ainda por vender foram apreendidos e Aquilino Ribeiro foi alvo d...

"Outra vez Amália" encantou Quiaios

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  “Outra vez Amália” subiu ao palco do GIRQ, em Quiaios, na noite de 26 de junho. E que magnífico musical! Afinal, não são só os grupos profissionais que nos surpreendem! E, assim sendo, a surpresa é ainda maior quando a qualidade da produção emociona uma plateia completamente cheia e rendida ao espetáculo. Perdoar-me-ão se destacar a voz, forte e bem timbrada, e os trejeitos da atriz (Susana Gabriela Patrão) que desempenhou o papel de Amália. Encantou com o enorme naipe de fados de Amália Rodrigues que ela cantou, desde os seus tempos iniciais de carreira até aos anos 90. Foi uma bela incursão pela vida artística da maior fadista portuguesa do século XX . As interações em palco com Marceneiro, Hermínia Silva, Maria Teresa Noronha, Camões, Pessoa, David Mourão Ferreira, Variações, ou as mais ou menos explícitas ligações aos corredores do poder e a proscrição a que foi sujeita depois do 25 de abril, ou as encenações das marchas e das procissões, permitiram ao público presente,...

Livro de tributo a José Junqueiro, "Por um Portugal inteiro"

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  Deixo-vos de seguida a minha intervenção de apresentação do livro Por um Portugal inteiro - Tributo a José Junqueiro  um livro editado pela Associação Cívica e Cultural José Junqueiro. A apresentação do livro teve lugar no dia 27 de junho no auditório da Universidade Católica de Viseu, no âmbito de uma iniciativa de homenagem a José  Junqueiro, que nos deixou em julho de 2025. Há pessoas cuja partida não termina a sua presença entre nós. José Adelmo Gouveia Bordalo Junqueiro foi uma dessas pessoas. É uma dessas pessoas. Partiu de forma abrupta deixando em todos nós, que com ele privámos, um travo amargo e um sentimento difícil de aceitar: o de que ficaram conversas por acabar, memórias por arrumar, histórias por contar e caminhos que ainda gostaríamos de percorrer ao seu lado. E foi com a firmeza e a forte convicção de que a sua presença não terminou entre nós, contrariando, aliás, aquele célebre verso de Jorge Luís Borges (Somos o esquecimento que seremos), foi com...