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Museu do Volfrâmio de Cerva: um belo espaço de memórias

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  Andava para ir a Cerva há quatro anos. Os motivos, para mim, eram óbvios. Visitar o Museu do Volfrâmio e sentir/imaginar o pulsar de mais um território onde a “febre do ouro negro” também foi vivida intensamente. Na base desta minha paixão volframífera está o interesse que tenho dedicado a esta temática desde que me envolvi na escrita do romance O Volframista . Distinguida em 2022 com o Prémio Literário Cónego Albano Martins de Sousa, esta narrativa exigiu uma vasta investigação bibliográfica e várias conversas com protagonistas. Já depois da publicação, decidi efetuar um elevado número de deslocações pelos territórios onde nos anos 40 do século XX foram explorados os filões de tungsténio ou volfrâmio. Depois de muitas outras, foi agora a vez de ir a Cerva, uma localidade do concelho de Ribeira de Pena, onde ingleses e alemães disputaram quilo a quilo a volframite que depois enviavam para as indústrias de armamento que abasteciam os respetivos exércitos. E o que é que enco...

Lições de ontem para o Portugal de hoje

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Transcrevo, de seguida, o texto que Paulo Catalino, Presidente da Câmara de Carregal do Sal, escreveu sobre o romance Um Republicano na Mira da PIDE , de Acácio Pinto, e que foi publicado no Diário de Viseu:  Acabei recentemente de ler Um Republicano na Mira da PIDE, de Acácio Pinto. Foi uma leitura feita com calma, mas que rapidamente se revelou muito mais do que um simples momento de leitura: transformou-se numa reflexão profunda sobre o passado e, inevitavelmente, sobre o presente. Há livros que contam a História. Outros obrigam-nos a confrontar a realidade em que vivemos. Um Republicano na Mira da PIDE consegue fazer ambas as coisas. A obra acompanha a vida de Júlio Calisto, um advogado respeitado, cuja competência, integridade e sentido de justiça lhe granjearam a admiração de pessoas de todas as sensibilidades. Enquanto o seu prestígio servia os interesses instalados, era reconhecido e valorizado. Tudo mudou quando assumiu publicamente as suas convicções republicanas e decidi...

Foi bom este regresso a Ferreira de Castro, com "A Tempestade"

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  Regressei a Ferreira de Castro, cinco décadas depois. Desta feita ao romance A Tempestade , publicado em 1940. E que bom foi este regresso! E que saudades eu tinha desse fabuloso escritor de Oliveira de Azeméis, que Óscar Lopes considerou o primeiro grande romancista português do século XX! Dele, na minha juventude, li tudo o que podia (que me emprestou o meu primo Gaspar) mas não esta narrativa bem marcada no tempo. Num tempo em que o homem e a mulher tinham papéis bem distintos. Ele de chefe de família e ela de dona de casa. De doméstica. Domesticada! Trata-se de um romance psicológico cuja trama se desenrola num ambiente urbano, em Lisboa, num único dia. Tudo o mais, do passado da personagem principal, nos chega através das suas memórias. Das memórias de Albano, um funcionário bancário, mediano, viúvo, ensimesmado e fortemente marcado pelas idiossincrasias socioculturais da época, que no-las vai revelando aos poucos. Este livro revela a outra dimensão de Ferreira ...

Em homenagem de Joaquim Sarmento

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Em homenagem ao meu amigo e camarada Joaquim Sarmento, de Lamego, que faleceu no dia 8 de Agosto, aos 74 anos, publico hoje este texto que escrevi para a apresentação do seu romance O CRIME DO CEREJEIRO. A apresentação foi efetuada no dia 16 de maio de 2008 no Auditório Municipal de Resende. Joaquim Sarmento foi advogado, autarca, deputado à AR e um escritor que transportava para as suas obras a sua vasta cultura e uma boa dose de ironia. Guardar-te-ei com enorme saudade! Abraço solidário à família! Eis o texto da apresentação do livro: Convidou-me o meu amigo Joaquim Sarmento para apresentar o seu último livro, um romance, O Crime de Cerejeiro . Aceitei. E porque aceitei aqui estou hoje. Mas aqui estou hoje com um temor. Temor, esse, que, confesso-vos, tem a ver com dois motivos. Primeiro: nunca antes me aventurei nestas lides e portanto estou aqui como aquele que tem fundados receios de falhar, de não corresponder, desde logo ao mérito da obra, ao mérito do autor e podendo, ass...

Ílhavo | Da origem do nome da avenida Mário Sacramento

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  A avenida Mário Sacramento , em Ílhavo, é um dos seus arruamentos mais importantes, logo depois dos estruturantes eixos norte-sul (EN 109) e este-oeste (avenida 25 de Abril) que se cruzam na rotunda do centro da cidade. Tendo nos seus extremos o jardim Henriqueta Maia, a nascente, e a bifurcação que dá para a rua da Malhada, a poente, a decisão de atribuir a este arruamento o nome do médico, resistente antifascista, escritor e ensaísta de Ílhavo, remonta aos primeiros tempos da Revolução dos Cravos. Vamos por partes, mas cingindo-nos apenas às atas da câmara. Na reunião de 17 de maio de 1974 o executivo municipal, que ainda se mantinha em funções, apesar da revolução (Luís Bettencourt Viana, presidente; Humberto Rocha, vice-presidente; Manuel Ferreira da Silva, José Cândido Ferreira Jorge, Mário de Jesus Campolargo e Luís Pedro Conceição, vereadores), apreciou uma carta de Senos da Fonseca , em que era solicitada a mudança de nome de algumas ruas da vila. E quais eram as ...

Narsélio de Gouveia e Sousa, um construtor de consensos

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Por ocasião da morte de Narsélio de Gouveia e Sousa (N. 15.09.1947 | F. 01.08.2026) impõe-se deixar-vos breves palavras sobre aquele que foi o presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Sátão após a Revolução de Abril de 1974. E deixo-as com enorme tristeza, porquanto ainda esperava ouvir da sua boca, no café Cantinho da Amizade, em Sátão, outras histórias dentre tantas que me contou aquando da recolha de elementos que efetuei para a escrita do livro Sátão: 50 Anos de Liberdade . Claro está que alguns conteúdos dessas conversas ficaram e ficarão selados, pela sensibilidade que os envolve, assim me comprometi com ele. Vamos então aos factos. Após meio ano de manifestações e de negociações que redundaram num processo conturbado e nada linear, eis que Narsélio de Gouveia e Sousa se vê empossado, no dia 5 de dezembro de 1974, pelo governador civil de Viseu, Manuel Almeida, como presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Sátão. Ele e os seus pares: ...

Todos os homens são mentirosos: quem sabe se isto não é verdade?

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  Foi o primeiro livro de Alberto Manguel que li: Todos os homens são mentirosos e, na dedicatória que me endereçou, o autor diz: “Acácio, quem sabe se isto não é verdade?” Pois bem, trata-se da ficção no seu melhor! Manguel, a pretexto da vida de Alejandro Bevilacqua, conduz-nos por caminhos que se vão emaranhando numa teia em que, de facto, o leitor, que se prende rapidamente nesta urdidura, não sabe onde começa e acaba o que quer que seja, nem, muito menos, qual a coda que a obra vai ter. Quem escreveu a obra Elogio da Mentira ? Foi o Bevilacqua, ou este é afinal uma fraude? Que até morreu no dia do lançamento do livro.  E Manguel é só o autor ou também é protagonista neste livro? E o jornalista, Terradillos, que procura conhecer toda a verdade sobre a vida e a morte do misterioso Bevilacqua consegue tal desiderato? Ficará a saber se o autor fantasma ( ou não) morreu por acidente? Se se suicidou? Ou foi assassinado? Ai o raio da ficção! Sempre ela a deixar-nos ali ...