Um livro tão encantador!
Há histórias simples que nos encantam. Simples, mas complexas nas suas causas, nos seus conteúdos e nas suas consequências. Afonso Cruz, com a maestria habitual, traz-nos um pintor. Sors, assim se chamava, foi acolhido em casa dos seus avós, na Figueira da Foz. Precisamente, debaixo do lava-loiças. Afonso Cruz traz-nos este O Pintor Debaixo do Lava-Loiças . Fugido, lá de longe, onde a guerra, a Segunda Guerra Mundial, se encarregava de matar os judeus, este acabou em Portugal. Acabou em casa de gente decente e generosa. De gente. Que lindas metáforas. Que belas reflexões. Que prosa tão poética! Não, não está lá o conflito militar, os combates, esse não é o foco. O centro da narrativa é a família de Jozef Sors. Uma família tão simples e tão complexa nas suas formas de ser. Do pai. Da mãe. E dele próprio. Do filho. E através dela mostra-nos a vida. Nua e crua. É um olhar íntimo, intimista, sobre a condição humana. Sobre a política. A democracia. A governação. E a tolerânc...