O cuspo do cuco ou das bruxas
Todos os anos na primavera, era eu miúdo, com a chegada do cuco a Portugal era ver as ervas mais tenras com uma baba branca no seu caule. À natural curiosidade infantil, logo uns respondiam, — Não lhe mexas que é cuspo do cuco. Não o ouviste já cantar? E de outros vinha uma outra versão, — A minha avó diz que é cuspo das bruxas e se lhe mexermos ficamos enfeitiçados. A verdade é que não lhe tocávamos diretamente com a mão, quando muito com uma vara que encontrássemos por perto. Ou então, os mais corajosos davam-lhe um pontapé. Sem a IA (inteligência artificial) na ponta dos dedos para nos esclarecer no momento, acreditávamos naquela história (e noutras) que nos eram contadas ao ritmo das estações do ano que, ao tempo, também eram muito mais bem definidas do que são hoje. Era a sabedoria popular a transmitir-se de geração em geração. Hoje, que me deparei com esse “cuspo”, perguntei à IA de que se tratava afinal aquela baba ou espuma branca que envolvia o caule de uma s...