A sua gramática era a da autenticidade
“Não tenho medo de morrer.” Foi uma das últimas frases que lhe ouvi, na derradeira conversa que tive com ela, há cerca de um mês. Depois disso, não voltámos a conversar. Tentei fazê-lo há duas semanas e recebi de volta a mensagem: “Posso ligar mais tarde?” Temi o pior. Não me enganei. Partiu aquela que me conquistou, desde a primeira hora, pela força das suas palavras. Pela intrepidez de um discurso sem peias. Mulher de causas. De tantas causas. De uma transparência narrativa que ainda hoje escuto. Ouço, por entre nuvens negras, a limpidez das suas frases. Desassombradas. Que nem sempre lhe granjeavam afetos. Pois claro! Neste mundo vestido de hipocrisia, que ela não trajava nem praticava. A sua gramática era a da autenticidade. Era genuína. Falo de Virgínia da Silva Veiga . Para mim, a Dr.ª Virgínia. Conheci-a a propósito do meu último romance. E foi amizade à primeira vista. Recíproca. Falámos tanto, a propósito dessa minha história. Que se cruzava com ela. Tan...