Haruki Murakami, romancista japonês que anda há muitos anos nas bocas do mundo, quis partilhar com os seus leitores o seu processo criativo de escrita de romances, o que faz através do livro Romancista como Vocação . Numa linguagem envolvente e transparente, ele vai desfiando — com base na sua experiência concreta, na evolução que ele teve como escritor, desde os primeiros tempos até se tornar romancista em exclusividade — e dissecando sobre os vários aspetos correlacionados com o seu processo de escrita romanesca. E não se pense que este livro é como que um manual que, depois de lido, nos transforma em romancistas. Não, porque, refere ele, só há uma maneira de sabermos se dispomos dessas qualidades: “atirarmo-nos à água e ver se flutuamos ou se nos afundamos”. Acrescentando: “só aqueles que, contra ventos e marés, querem escrever, que não conseguem ficar sem o fazer, produzem romances”. Aborda também a questão dos prémios literários. Da forma como muitos escritore...
Esta breve crónica vem a propósito de uma pesquisa que estou a desenvolver e que levará à escrita e publicação, durante este ano, de um romance histórico biográfico a editar por Letras e Conteúdos . A inspiração da narrativa centra-se numa personalidade que não sendo natural Ílhavo lá passou a maior parte da sua vida. E foi nessa investigação que me confrontei com o facto de, nos anos 20, mais concretamente, em 1926, existirem no concelho três jornais com edição regular, o que reputo de muito relevante e diz bem do dinamismo social, cultural e político de Ílhavo, nessa época em que se passam algumas das cenas de tal narrativa. Falamos, pois, de O Ilhavense , dirigido por José Pereira Teles, Beira-Mar , com dois diretores, Cesário da Cruz e Guilhermino Ramalheira, e O Nauta , cujo diretor era Procópio D’Oliveira. Cada um deles, não o escondia, bastará ler as respetivas edições, tinha as suas idiossincrasias e os seus alinhamentos políticos a nível local e nacio...