Marginal: mais do que um livro de poemas, é uma filosofia de vida
Foi uma agradável surpresa conhecer Vieira da Silva também na sua vertente de poeta através do seu livro de poemas Marginal . Conheci-o, em primeira instância, há uns meses, durante as pesquisas que andava a fazer sobre o protagonista que inspira o meu próximo romance, Júlio Correia da Rocha Calisto, que foi advogado e residiu em Ílhavo. E foi nesse contexto de buscas e mais buscas em jornais que dei de caras, na edição do Diário de Lisboa de 17 de agosto de 1969, com o título “Jovem de Ílhavo foi o Vencedor do I Festival de Música Popular Portuguesa”. Fui ler e o jovem de Ílhavo era Vieira da Silva. Esgaravatei mais um pouco e percebi que ele foi um dos grandes cantores e compositores de música de intervenção, ainda como estudante de Medicina, tendo, inclusivamente, o seu primeiro disco, de muitos, sido apreendido pela PIDE em novembro desse mesmo ano. Depois deu-se o caso de eu publicar um artigo em que referia vários opositores de Ílhavo ao Estado Novo, um dos quais Joã...