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Ílhavo | Conferência de Mário Sacramento sobre Fernando Namora foi há 59 anos

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  Faz hoje 59 anos,, Mário Sacramento efetuou no Illiabum Clube de Ílhavo uma conferência subordinada ao título “Fernando Namora, a Obra e o Homem” que, nesse mesmo ano, haveria de vir a ser publicada em livro, com o mesmo título. A conferência, que teve lugar no dia 28 de abril de 1967, apesar do seu cariz literário, acabou por ter uma vigilância apertada por parte da PIDE que, inclusivamente,  produziu um relatório detalhado sobre tudo o que se lá se passou. Em primeiro lugar disse que “quem teve de fazer a apresentação [do conferencista] foi o engenheiro João Senos da Fonseca, filho da Dr.ª Eduarda Senos”, uma vez que, segundo o informador “não conseguiram arranjar apresentador, porque todos a quem se dirigiram recusaram a incumbência”. Igualmente é referido que “embora não se tratasse de assunto político, num ou noutro passo, o conferencista deu as suas piadas ao atual regime”. Depois o vigilante da PIDE que se identificava como “Alegre” (nome de código), dizendo que...

Marginal: mais do que um livro de poemas, é uma filosofia de vida

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  Foi uma agradável surpresa conhecer Vieira da Silva também na sua vertente de poeta através do seu livro de poemas Marginal . Conheci-o, em primeira instância, há uns meses, durante as pesquisas que andava a fazer sobre o protagonista que inspira o meu próximo romance, Júlio Correia da Rocha Calisto, que foi advogado e residiu em Ílhavo. E foi nesse contexto de buscas e mais buscas em jornais que dei de caras, na edição do Diário de Lisboa de 17 de agosto de 1969, com o título “Jovem de Ílhavo foi o Vencedor do I Festival de Música Popular Portuguesa”. Fui ler e o jovem de Ílhavo era Vieira da Silva. Esgaravatei mais um pouco e percebi que ele foi um dos grandes cantores e compositores de música de intervenção, ainda como estudante de Medicina, tendo, inclusivamente, o seu primeiro disco, de muitos, sido apreendido pela PIDE em novembro desse mesmo ano. Depois deu-se o caso de eu publicar um artigo em que referia vários opositores de Ílhavo ao Estado Novo, um dos quais Joã...

O cuspo do cuco ou das bruxas

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  Todos os anos na primavera, era eu miúdo, com a chegada do cuco a Portugal era ver as ervas mais tenras com uma baba branca no seu caule. À natural curiosidade infantil, logo uns respondiam, — Não lhe mexas que é cuspo do cuco. Não o ouviste já cantar? E de outros vinha uma outra versão, — A minha avó diz que é cuspo das bruxas e se lhe mexermos ficamos enfeitiçados. A verdade é que não lhe tocávamos diretamente com a mão, quando muito com uma vara que encontrássemos por perto. Ou então, os mais corajosos davam-lhe um pontapé. Sem a IA (inteligência artificial) na ponta dos dedos para nos esclarecer no momento, acreditávamos naquela história (e noutras) que nos eram contadas ao ritmo das estações do ano que, ao tempo, também eram muito mais bem definidas do que são hoje. Era a sabedoria popular a transmitir-se de geração em geração. Hoje, que me deparei com esse “cuspo”, perguntei à IA de que se tratava afinal aquela baba ou espuma branca que envolvia o caule de uma s...

O que é que uma Casal Boss tem a ver com a distribuição do Avante, em Ílhavo?

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  Durante o Estado Novo os subterfúgios utilizados pelos oposicionistas eram inúmeros para contornarem a vigilância da PIDE. Diga-se, em abono da verdade, que o inverso era igualmente verdadeiro. Vem esta crónica a propósito da distribuição do jornal Avante no concelho de Ílhavo, antes do 25 de abril, em que era utilizada a motorizada Casal Boss que se encontra na foto. Os protagonistas foram dois ilhavenses a quem vou chamar de Tenreiro e Álvaro, embora os pudesse designar com outros nomes, pois tantos foram aqueles que desenvolveram um intenso e perigoso trabalho em prol da conquista da democracia e da liberdade. Tenreiro era um ativo comunista, funcionário público na vila, que recebia pelo seu controleiro os materiais e a linha política dimanada do Comité Central. Tudo lhe chegava depois de um ritual de senhas e de contrassenhas devidamente combinadas. A ele, localmente, cabia-lhe tentar alargar a influência e angariar mais pessoas para a causa. Foi o que Tenreiro fe...

Pilriteiro, espinheiro-branco ou árvore do coração

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  Com uma floração exuberante, de flores brancas que cobrem toda a sua copa, que acontece na primavera, o pilriteiro é um arbusto nativo da Europa, do noroeste da África e da Ásia Ocidental, com uma longevidade que pode atingir os 500 anos. Muito utilizado em sebes e divisórias de terrenos, pelo facto de possuir espinhos bastante agressivos, o pilriteiro, também conhecido por espinheiro-branco, tem como fruto umas bagas vermelhas brilhantes, quando maduras, com um só caroço. E para além da beleza quando está florido, estes seus frutos, que são comestíveis, também podem ser utilizados para fazer doces, geleias e compotas, bem como para confecionar bebidas alcoólicas e vinagre.  Com as folhas secas também se pode fazer chá, cujas propriedades melhoram a circulação, reforçam o coração e fortalecem o sistema imunológico. Daí este arbusto ser também conhecido como a árvore do coração pelos seus efeitos benéficos a nível cardiovascular. Porém, a nível de saúde, é sempre bom acaute...

Excerto do romance “Um Republicano na Mira da PIDE”

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  A propósito do III Congresso da Oposição Democrática que teve lugar no Cineteatro Avenida, em Aveiro, de 4 a 8 de abril de 1973, partilhamos hoje um excerto do romance Um Republicano na Mira da PIDE  (a publicar no verão deste ano) onde tal congresso é referido e onde a personagem principal, Júlio (inspirada em Júlio Calisto), se deslocou.  Eis o excerto: (…)  A sua [de Júlio] presença em Aveiro, no Cineteatro Avenida, aquando do III Congresso da Oposição Democrática, onde ele, embora adoentado, se deslocou nos dias 7 e 8 de abril, foi seguida pelos agentes da PIDE que se encontravam disseminados pela cidade em missão de vigilância dos oposicionistas presentes. — Então o que te traz por aqui, Eduarda? — perguntou o advogado à sua amiga, com ar abatido e cansado, após lhe abrir a porta e a mandar entrar. — Fui ali levar uns medicamentos e, de passagem, decidi ver se a Clotilde estava por casa — respondeu-lhe ela, mentindo quanto à causa, pois fora ali propo...

Tertúlia sobre emigração em Santa Cruz da Trapa

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  Foi com gosto que me desloquei no dia 23 de março à Escola de Santa Cruz da Trapa, concelho de São Pedro do Sul, para participar na “Semana da Primavera”. O pretexto foi falar sobre emigração para alunos do 3.º ciclo a partir do meu romance, O Emigrante , que aborda a emigração a salto para França nos anos 60, década em que mais de um milhão de portugueses abandonaram o país em busca de melhores condições de vida. Eis o texto que o jornal escolar,  Boletim da Trapa , publicou na sua edição de abril de 2026: A Biblioteca Escolar recebeu o autor Acácio Pinto para duas tertúlias com alunos do 3.º Ciclo, centradas na emigração portuguesa a partir da obra “O Emigrante”. Durante os encontros, refletiu-se sobre este tema histórico, através da história de Renato, que emigra para França nos anos 60 em busca de melhores condições de vida. As sessões ganharam especial significado pela identificação dos alunos com experiências semelhantes nas suas famílias. Estas tertúlias constit...