E para abrir o apetite
nada melhor do que levantar um pouco do véu dessa narrativa histórico-biográfica,
cujo título será Um Republicano na Mira da PIDE.
A personagem principal tendo nascido
no “logar do Tojal da freguesia de Villa d’Egreja”, concelho de Sátão, em 23 de agosto de
1897, onde viveu até ao início da juventude, fez a sua vida, daí em diante, em
Ílhavo, onde veio a falecer em agosto de 1973, estando os seus restos mortais sepultados no talhão 1 do cemitério local.
Tendo vivido na Rua de Alqueidão e mais tarde na Rua Frederico Cerveira, em Ílhavo, este cidadão licenciou-se em Direito no ano de 1922-1923 na Universidade de Coimbra.
Com escritório em Ílhavo (primeiro na Rua Serpa Pinto e depois na Rua Arcebispo
Pereira Bilhano) e em Aveiro (na Rua Direita) este advogado atravessou todo o
Estado Novo, regime que combateu juntamente com muitos outros democratas da região de
Aveiro de que cito a título de exemplo: Mário Sacramento, Manuel das Neves,
João Sarabando, Manuel Costa e Melo, Joaquim Rodrigues da Silva, Eduarda Senos,
Alfredo Magalhães, José Gouveia, Joaquim Batista, João Senos da Fonseca, Virgílio Pereira da
Silva, Álvaro Seiça, Pompeu Cardoso, António Neto Brandão, João Adamastor, Hilário Costa, Arlindo Vicente, Virgínia Moura, Carlos Candal…
Mas as suas ligações foram também a muitos democratas de Viseu, como
sejam, entre outros, Álvaro Monteiro, Ribas de Sousa, Diamantino Furtado, João Lima, Armando
Lopes e Luís Figueiredo, este último do concelho de Sátão.
Em 1926 foi nomeado presidente da Comissão Executiva da Câmara Municipal
de Ílhavo, funções que só desempenhou durante dois meses e três semanas devido a divergências políticas. Cumprem-se, pois, em julho de 2026, 100 anos, sobre tal nomeação.
Da sua intervenção política constam a participação nas campanhas presidenciais de Norton de Matos, de Quintão Meireles e de Humberto Delgado, bem como a candidatura à Assembleia Nacional pelo círculo de Aveiro nas eleições de 1957, em que era o segundo da lista.
As suas intervenções nos comícios eram sempre aguardadas com particular
ansiedade pelas metáforas que ele utilizava nos seus discursos, capazes de levar a plateia ao rubro.
Esteve na organização da Conferência de Jaime Cortesão em 1956, no I e no
II Congressos Republicanos, respetivamente em 1957 e 1969 e foi um permanente
ativista anual das iniciativas históricas do 5 de outubro, do 31 de janeiro e do 16 de maio, que assinalam momentos da História de Portugal, ligados à luta pela liberdade.
Ouviu as emissões da Rádio Bucareste, Rádio Praga, Rádio Pequim e tantas outras e muito do correio que lhe era dirigido, que nunca lhe chegou às mãos, fomos nós encontrá-lo nos arquivos da Torre do Tombo, pois fora apreendido pela polícia política.
Foi preso pela PIDE em 1949 e em 1962.
De quem se trata? Deixo, para já, a sua foto, tirada nas masmorras da PIDE em Caxias em 5 de dezembro de 1962, a ilustrar este texto e brevemente darei mais pormenores!
Acácio Pinto
