44 anos após a sua morte: o que ligou Álvaro Seiça Neves a Júlio Calisto?

 

NA FOTO [da esquerda para a direita]: Álvaro Seiça Neves, Júlio Calisto, Jaime Cortesão, Mário Sacramento, M. Costa e Melo e João Sarabando

O que ligou estes dois opositores do Estado Novo, que viveram na região de Aveiro?

Álvaro Seiça das Neves, faleceu a 15 de março de 1982, faz hoje 44 anos, e a sua ligação a Júlio Calisto, que faleceu em 1983, foi intensa.

Vem esta crónica a propósito do meu próximo romance, UM REPUBLICANO NA MIRA DA PIDE, em que ambos inspiraram duas personagens da narrativa. Júlio Calisto vamos encontrá-lo na personagem principal, Júlio, e Álvaro Seiça das Neves, vai surgir como Álvaro.

E de onde veio a ligação entre os dois, sendo que a sua diferença etária é de 23 anos.

Pois bem, Júlio Calisto tornou-se muito amigo do seu colega de advocacia Manuel das Neves, de quem se tornou compadre, e, como tal, a amizade estendeu-se aos seus filhos, um dos quais Álvaro, que nasceu a 28 de março de 1920.

E se esse era já de si um forte elemento de ligação entre os dois, a sua cumplicidade estreitou-se pela via política. Ambos foram fortes opositores do regime que Salazar conduzia com braço de ferro. Assim, desde os anos 40, até à morte de Júlio Calisto em 1973, os dois envolveram-se nas várias eleições para a Assembleia Nacional e nas presidenciais.

Recordo aqui os candidatos apoiados pelos oposicionistas em que os dois militaram: Norton de Matos (1949), Quintão Meireles, depois de Ruy Luís Gomes, (1951) e Humberto Delgado, depois de Arlindo Vicente, 1958. Mas recordo também as eleições de deputados em que ambos foram candidatos pelo círculo de Aveiro.

Quiçá, o que ainda acentuou mais a respetiva relação terão sido a conferência de Jaime Cortesão em 1956 e os congressos republicanos de 1957, 1969 e 1973. Particularmente o de 1969 em que Álvaro Seiça, após a morte do grande mentor destas iniciativas, Mário Sacramento, ter assumido um grande protagonismo no mesmo.

Pelo meio houve a PIDE. Essa polícia que os vigiava em permanência e que acabou por prender os dois em Caxias.

Foi uma luta longa de que nem todos saíram com vida e de que nem todos viram a madrugada clara.

Aqui vos recordo, hoje, Álvaro Neves e Júlio Calisto, também como forma de vos abrir o apetite para o romance que estou a finalizar, UM REPUBLICANO NA MIRA DA PIDE, e que vai trazer-nos à memória a luta que se desenvolveu no concelho de Ílhavo e na região de Aveiro, sobretudo vai falar-vos de protagonistas que colocaram a luta pela liberdade, quantas vezes, à frente dos seus interesses particulares.

Álvaro José Pedrosa Curado de Seiça Neves, de seu nome completo, nasceu em Coimbra em 28 de março de 1920 e faleceu em Aveiro em 15 de março de 1982.

Acácio Pinto

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