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A mostrar mensagens de fevereiro, 2026

Júlio Calisto: "Um Republicano na Mira da PIDE"

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  Chegou o momento de revelar o nome do republicano que une os concelhos de Sátão e o de Ílhavo. Trata-se de Júlio Correia da Rocha Calisto, um democrata e republicano que inspirou o meu próximo romance, de feição histórico-biográfica, UM REPUBLICANO NA MIRA DA PIDE , a ser lançado no verão, por ocasião do centenário da sua passagem pela presidência da Câmara Municipal de Ílhavo — mais rigorosamente, Comissão Administrativa da Câmara Municipal. Não vou revelar alguns dos episódios, muitos verdadeiramente inauditos, relacionados com esta personalidade que, tendo nascido no lugar do Tojal, concelho de Sátão, em 23 de agosto de 1897, faleceu em Ílhavo, em 4 de agosto de 1973, onde fez toda a sua vida adulta e onde exerceu a atividade profissional como advogado, a partir de finais de 1923, ano em que tinha concluido a sua licenciatura em Direito na Universidade de Coimbra. Está claro que a sua vida foi feita de uma intensa ação política em Ílhavo e na região de Aveiro, que se inici...

Sátão e Ílhavo: dois concelhos unidos por "Um Republicano na Mira da PIDE"

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No próximo verão será dado à estampa o meu novo romance que, neste momento, está em fase de revisão. E para abrir o apetite nada melhor do que levantar um pouco do véu dessa narrativa histórico-biográfica, cujo título será Um Republicano na Mira da PIDE . A personagem principal tendo nascido no “ logar do Tojal da freguesia de Villa d’Egreja ”, concelho de Sátão, em 23 de agosto de 1897, onde viveu até ao início da juventude, fez a sua vida, daí em diante, em Ílhavo, onde veio a falecer em agosto de 1973, estando os seus restos mortais sepultados no talhão 1 do cemitério local. Tendo vivido na Rua de Alqueidão e mais tarde na Rua Frederico Cerveira, em Ílhavo, este cidadão licenciou-se em Direito no ano de 1922-1923 na Universidade de Coimbra.  Com escritório em Ílhavo (primeiro na Rua Serpa Pinto e depois na Rua Arcebispo Pereira Bilhano) e em Aveiro (na Rua Direita) este advogado atravessou todo o Estado Novo, regime que combateu juntamente com muitos outros democratas da r...

O Carteiro de Pablo Neruda não é um romance, é um poema!

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  Mas que bela história esta, que nos proporciona Antonio Skármeta, com O Carteiro de Pablo Neruda . Lê-se como um poema do princípio ao fim. A relação tão ingenuamente bela entre Mário, o pescador que virou carteiro, e Pablo Neruda são de um incontido encanto com as metáforas a estarem permanentemente ao serviço das inúmeras cenas da narrativa. Sim, é uma história onde a política também assenta arraiais mas ao serviço do amor e da amizade. Leva-nos até ao Chile, até ao tempo da eleição de Salvador Allende, em 1970, e termina com a tomada do poder pelos militares, em setembro de 1973. Traça-nos a difícil vida dos pescadores, das paixões à primeira vista de jovens sonhadores. Do Nobel da Literatura que Neruda ganhou em 1971 e da sua passagem pela embaixada do Chile em Paris. Mas todos estes eventos de natureza política são circunstâncias de fundo onde se movem as personagens da ilha onde Neruda tinha a sua casa. Este livro, baseado no romance Ardiente Paciencia , mais do...

O que são os “bookaholics”?

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  Os estrangeirismos sempre existiram. Desde há muitos e muitos anos. Desde há séculos. Enquanto se não encontra a palavra adequada para significar o mesmo, as línguas pedem palavras de empréstimo que, quantas vezes, adotam mesmo, incorporando-as no respetivo léxico. Fiquemo-nos por alguns exemplos das últimas décadas: check-in , backup , chip , design , p en drive , password , software, abajur, déjà-vu, champanhe, menu … Uma infinidade de anglicismos e de galiscismos, entre tantas outras origens... E agora trago mais esta: bookaholic . Que começa a cirandar por aí e a ter bastantes adeptos. A que se refere? Pois bem, percebe-se que é uma palavra composta por book + aholic . E se book já é hoje uma palavra inglesa vulgarizadíssima na comunicação entre os portugueses, temos o sufixo aholic que derivando de alcoholic , significa viciado. Só que na sua junção a book — bookaholic — torna-se uma palavra com uma conotação positiva, um viciado ou uma viciada em livros. Desfrute...

O Emigrante: Um livro sobre emigração e tensões éticas e psicológicas

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  Por: João Ferreira da Cruz Após a leitura de O Emigrante aqui fica uma nota sobre a interessante intertextualidade do romance. A narrativa organiza-se por planos sucessivos de sentido. Inicialmente, a emigração de Renato para França, a salto, surge como resposta à precaridade económica, refletindo uma determinação social clara. Neste primeiro registo, a psicologia das personagens (Augusto/ Renato) é funcional, articulada à necessidade material, e a narrativa inscreve-se numa tradição de realismo social, mostrando a partida como gesto compreensível e socialmente tipificado. A tensão ética e psicológica emerge com a chegada da carta anónima reveladora da consanguinidade entre Renato e Adelaide. O dispositivo introduz segredo de forma externa à experiência imediata das personagens, criando desfasamento entre saber e ação. Renato retém o segredo enquanto está em França, e a densidade psicológica do romance constrói-se sobretudo pelo silêncio, pela contenção e pelo não-dito, mais d...

Andam difíceis os tempos desta modernidade

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Vivemos tempos em que os perigos surgem de lugares e de pessoas completamente imprevistos. Não é só a nível climático! Porventura, esse até será o mais previsível face à sociedade de consumo que construímos e aos gases libertados para a sobrealimentar. O maior problema está nas inter-relações entre as pessoas. No debate efetuado na polis . E não quero dissecar agora sobre o contributo das redes sociais para este sobreaquecimento permanente que se vive na sociedade. Não sendo especialmente habilitado para adivinhar o futuro (há por aí profissionais nessa matéria), creio que esta constante agitação e caça ao tesourinho , que tendemos a fazer, numa desenfreada disputa pela coleção desses troféus, só trará mais lama para a arena. E, dessas escorregadelas, quem aproveitará serão, inevitavelmente, os mesmos de sempre: os populistas, que, invariavelmente, se radicalizam nos extremos. Não esteve na origem desta crónica nenhum caso recente, nem nenhum em concreto, que por aí abundam à...

Contra a Barbárie: uma excelente leitura para os nossos dias

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  Dizem que a História tende a repetir-se. Pois bem, eu direi: espero e desejo que não, na vertente subjacente a este livro de Klaus Mann. Contra a Barbárie é um bom exemple, em poucas páginas, para efetuarmos uma incursão nesse passado, não muito longínquo, mas que existiu, para mal dos nossos pecados. É uma boa leitura para que a nossa consciência se torne mais aguda e crítica quando se trata de confrontos bárbaros Este livro, deste alemão, nascido em 1906, Klaus Mann, traz-nos um conjunto de textos, que ele escreveu nos anos 30 e 40, que dizem bem que a barbárie, ontem como hoje, pode começar por “bater levemente”, a entrar pela porta da democracia (e quando assim é, o que podem fazer os democratas?) e alapar-se nas várias instâncias, começando a marcar o território. Step by step , vão instalando os seus tentáculos a tudo quanto são os difusores das ideias, os livres-pensadores e os influenciadores das pessoas. Estarão na sua mira os jornais, as rádios e as televisões, as...

MAR: um restaurante de paladares de sonho, na Praia de Quiaios

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  Ali, a dois passos do areal, na Praia de Quiaios , há um restaurante que é um verdadeiro oásis para o palato. Que é uma viagem pelo interior de sabores mágicos. MAR de seu nome — qual outro poderia ser? — este palco, que nos enfeitiça com pábulos encantados, não nos deixa margem para que o não voltemos a pisar. E se se costuma dizer que o diabo está nos detalhes, neste (aquém) MAR o diabo está em todo o lado, desde o prelúdio até ao epílogo. Ora saboreiem — desculpem, imaginem, porque ainda não foram inventadas as palavras que consigam significar tais paladares. Será que conseguem traduzir a densidade de sabores que o queijo camembert com cebola caramelizada e amêndoa fatiada, de entrada, nos proporciona? Eu não consigo! Delicioso, porém! E como se escreve o travo das zamburinhas no forno, com sabor a mar e com uma gota de limão a gosto? Não sei! Só sei que o céu-da-boca foi ao céu! E lulas grelhadas com puré de feijão branco e maçã palitada? De três assobios! É...

Murakami partilha as suas reflexões sobre a escrita de romances

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    Haruki Murakami, romancista japonês que anda há muitos anos nas bocas do mundo, quis partilhar com os seus leitores o seu processo criativo de escrita de romances, o que faz através do livro Romancista como Vocação . Numa linguagem envolvente e transparente, ele vai desfiando — com base na sua experiência concreta, a evolução que ele teve como escritor, desde os primeiros tempos até se tornar romancista em exclusividade — e dissecando sobre os vários aspetos correlacionados com o seu processo de escrita romanesca. E não se pense que este livro é como que um manual que, depois de lido, nos transforma em romancistas. Não, porque, refere ele, só há uma maneira de sabermos se dispomos dessas qualidades: “atirarmo-nos à água e ver se flutuamos ou se nos afundamos”. Acrescentando: “só aqueles que, contra ventos e marés, querem escrever, que não conseguem ficar sem o fazer, produzem romances”. Aborda também a questão dos prémios literários. Da forma como muitos escritores...

Jornais de Ílhavo de há 100 anos: O Ilhavense, Beira-Mar e O Nauta

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  Esta breve crónica vem a propósito de uma pesquisa que estou a desenvolver e que levará à escrita e publicação, durante este ano, de um romance histórico biográfico a editar por Letras e Conteúdos . A inspiração da narrativa centra-se numa personalidade que não sendo natural  Ílhavo  lá passou a maior parte da sua vida. E foi nessa investigação que me confrontei com o facto de, nos anos 20, mais concretamente, em 1926, existirem no concelho três jornais com edição regular, o que reputo de muito relevante e diz bem do dinamismo social, cultural e político de Ílhavo, nessa época em que se passam algumas das cenas de tal narrativa.  Falamos, pois, de O Ilhavense , dirigido por José Pereira Teles, Beira-Mar , com dois diretores, Cesário da Cruz e Guilhermino Ramalheira, e O Nauta , cujo diretor era Procópio D’Oliveira. Cada um deles, não o escondia, bastará ler as respetivas edições, tinha as suas idiossincrasias e os seus alinhamentos políticos a nível local e nacio...

O GRITO: Uma minissério da RTP com o foco na escola portuguesa

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Em oito episódios de 45 minutos, está lá tudo. Tudo o que tem a ver com educação em Portugal. O modelo de gestão. O papel da escola na sociedade. A carreira e a autoridade dos professores. A burocracia. A avaliação docente e a avaliação dos alunos. Os rankings das escolas. As greves. O bullying . A violência. Os consumos de estupefacientes. O stress. O mau comportamento na sala de aula. O uso de telemóvel. O que temos nesta série  – disponível na RTP Play –  é uma incursão ao seio de uma escola (afinal de todas as escolas) e ao seio de uma família (de muitas famílias). E o enredo, sóbrio, mas assertivo, deixa-nos permanentemente em questionamento. Arrasta-nos para dentro dos problemas, numa espiral de suspense, ao ponto de querermos saber mais. Saber dos desenlaces. Mas não se pense que há uma cedência ao drama puro e duro. Não, o argumento não vai além da realidade. Da vida. Tal qual nós a sabemos e a sentimos. Tal qual ela é. Enfim, poderemos dizer que esta minissérie f...