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O GRITO: Uma minissério da RTP com o foco na escola portuguesa


Em oito episódios de 45 minutos, está lá tudo. Tudo o que tem a ver com educação em Portugal. O modelo de gestão. O papel da escola na sociedade. A carreira e a autoridade dos professores. A burocracia. A avaliação docente e a avaliação dos alunos. Os rankings das escolas. As greves. O bullying. A violência. Os consumos de estupefacientes. O stress. O mau comportamento na sala de aula. O uso de telemóvel.

O que temos nesta série é uma incursão ao seio de uma escola (afinal de todas as escolas) e ao seio de uma família (de muitas famílias). E o enredo, sóbrio, mas assertivo, deixa-nos permanentemente em questionamento. Arrasta-nos para dentro dos problemas, numa espiral de suspense, ao ponto de querermos saber mais. Saber dos desenlaces. Mas não se pense que há uma cedência ao drama puro e duro. Não, o argumento não vai além da realidade. Da vida. Tal qual nós a sabemos e a sentimos. Tal qual ela é.

Enfim, poderemos dizer que esta minissérie faz uma incursão à saúde mental da comunidade escolar e se embrenha nos desafios que se colocam à adolescência.

Como professor, agora aposentado, senti-me por lá, ao ver esta minissérie. Nas reuniões de avaliação. No mau comportamento que por vezes atravessa a sala de aula. Nas conversas na sala de professores. Nas partilhas de angústias...

Recomendo vivamente. A professores, a pais e a alunos. A todos, afinal.

Título: O GRITO

Formato: Minissérie em 8 episódios de 45 minutos

Produção e elenco: Realizada por Leonel Vieira (Volf Entertainment) e escrita por Alexandre Rodrigues, Manuel Prates, Leonel Vieira, Catarina Nunes, Filipe Santos. Conta com Daniela Ruah, Sara Matos, Pedro Laginha, Gonçalo Almeida, entre outros.

Local: Filmada no concelho de Oeiras.

 

Recensão de Acácio Pinto

Etiqueta: CINEMA | RECENSÕES

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