Avançar para o conteúdo principal

Contra a Barbárie: uma excelente leitura para os nossos dias

 


Dizem que a História tende a repetir-se. Pois bem, eu direi: espero e desejo que não, na vertente subjacente a este livro de Klaus Mann.

Contra a Barbárie é um bom exemple, em poucas páginas, para efetuarmos uma incursão nesse passado, não muito longínquo, mas que existiu, para mal dos nossos pecados. É uma boa leitura para que a nossa consciência se torne mais aguda e crítica quando se trata de confrontos bárbaros

Este livro, deste alemão, nascido em 1906, Klaus Mann, traz-nos um conjunto de textos, que ele escreveu nos anos 30 e 40, que dizem bem que a barbárie, ontem como hoje, pode começar por “bater levemente”, a entrar pela porta da democracia (e quando assim é, o que podem fazer os democratas?) e alapar-se nas várias instâncias, começando a marcar o território.

Step by step, vão instalando os seus tentáculos a tudo quanto são os difusores das ideias, os livres-pensadores e os influenciadores das pessoas. Estarão na sua mira os jornais, as rádios e as televisões, as redes sociais, os escritores, os cineastas, os músicos… enfim, tudo quanto mexer não deixará de tentar ser submerso até que a sociedade, como um todo, obedeça aos novos ditames.

Contra a Barbárie, uma leitura que permite fazer uma boa audiência a uma memória que parece que anda esquecida!

TÍTULO: Contra a Barbárie

AUTOR: Klaus Mann

EDITORA: Gradiva 2020

PÁGINAS: 118

Acácio Pinto | Recensões

Mensagens populares deste blogue

Sermos David e Rafael, acalma-nos? Não, mas ampara-nos e torna-nos mais humanos!

  As palavras, essas, estão todas ditas. Todas. Mas continua a faltar-nos, a faltar-me, a compreensão. Uma explicação que seja. Só uma, para tão cruel desenlace. Da antiguidade até ao agora, o que é que ainda não foi dito? O que é que falta dizer? Nada e tudo. E aqui continuamos, longe, muito distantes, de encontrar a chave que nos abra a porta deste paradoxo. Bem sei que, quiçá, essa procura é uma impossibilidade. Que não existe qualquer via de acesso aos insondáveis desígnios. Da vida e da morte. Dos tempos de viver e de morrer. Não existe. E quando esses intentos acontecem em idades prematuras? Em idades temporãs? Tenras? Quando os olhos brilham? Quando os sonhos semeados estão a germinar? Aí, tudo colapsa. É a revolta. É o caos. Sermos David e Rafael, nestes tempos cruéis, não nos acalma. Sermos comunidade, não nos sossega. Partilharmos a dor da família, não nos apazigua. Sermos solidários, não nos aquieta. Bem sei que não. Mas, sejamos tudo isso, pois ainda é o q...

JANEIRA: A FAMA QUE VEM DE LONGE!

Agostinho Oliveira, António Oliveira, Agostinho Oliveira. Avô, filho, neto. Três gerações com um mesmo denominador: negócios, empreendedorismo. Avelal, esse, é o lugar da casa comum. O avô, Agostinho Oliveira, conheci-o há mais de meio século, início dos anos 70. Sempre bonacheirão e com uma palavra bem-disposta para todos quantos se lhe dirigiam. Clientes ou meros observadores. Fosse quem fosse. Até para os miúdos, como era o meu caso, ele tinha sempre uma graçola para dizer. Vendia sementes de nabo que levava em sacos de pano para a feira. Para os medir, utilizava umas pequenas caixas cúbicas de madeira. Fossem temporões ou serôdios, sementes de nabo era com ele! Na feira de Aguiar da Beira, montava a sua bancada, que não ocupava mais de um metro quadrado, mesmo ao lado dos relógios, anéis e cordões de ouro do senhor Pereirinha, e com o cruzeiro dos centenários à ilharga. O pai, António Oliveira, conheci-o mais tardiamente. Já nos meus tempos de adolescência, depois da revolu...

Ivon Défayes: partiu um bom gigante.

  Ivon Défayes: um bom gigante!  Conheci-o em finais dos anos oitenta. Alto e espadaúdo. Suíço de gema. Do cantão do Valais. De Leytron.  Professor de profissão, Ivon Défayes era meigo, afável e dado. Deixava sempre à entrada da porta qualquer laivo de superioridade ou de arrogância e gostava de interagir, de comunicar. Gostava de uma boa conversa sobre Portugal e sobre a terra que o recebeu de braços abertos, a pitoresca aldeia do Tojal, que ele adotara também como sua pela união com a Ana. Ivon Défayes era genuinamente bom, um verdadeiro cidadão do mundo, da globalidade, mas sempre um intransigente cultor do respeito pela biodiversidade, pelo ambiente, pelas idiossincrasias locais, que ele pensava e respeitava no seu mais ínfimo pormenor. Bem me lembro, aliás, das especificidades sobre os sons da noite que ele escrutinava, vindos da floresta, da mata dos Penedinhos Brancos – das aves, dos batráquios e dos insetos – em algumas noites de verão, junto ao rio Sátão. B...