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Atropelamento junto à Torre do Relógio: uma coincidência literária inesperadamente atual

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  Há coincidências que a literatura não planeia. E que a realidade, muitos anos depois, torna inesperadamente atuais. Em O Emigrante , romance que publiquei em 2025, há uma cena passada em 1999 que decorre num lugar muito conhecido da Figueira da Foz. Augusto, natural de Bunhos (nome literário de Buarcos), seguia pela marginal da Figueira da Foz. Depois de passar pelo “oásis” da Praia da Claridade, seguiu em direção ao Tubarão, a marisqueira e cervejaria que existia junto à Torre do Relógio. Ao atravessar a passadeira, um automóvel que circulava em grande velocidade atropelou-o. É ficção, porém é assim que a história está escrita na página 207 do romance. Todavia, 27 anos depois desse atropelamento narrado no romance, a segurança e a circulação automóvel naquele mesmo espaço voltam a estar no centro da discussão na Figueira da Foz. Sem pretender antecipar o futuro, O Emigrante acabou, curiosamente, por guardar nas suas páginas uma cena que hoje ganha uma inesperada atualidade. Ha...

A inovação da Festa do Senhor Jesus dos Navegantes de há 100 anos

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 Diz o romance Um Republicano na Mira da PIDE  que há 100 anos o arraial da Festa do Senhor Jesus dos Navegantes, em Ílhavo, iria ter uma inovação: iluminação. Porém, tal inovação,  que o responsável pelos serviços elétricos da câmara, Artur Sacramento, se havia disponibilizado por fazer, poderia não acontecer, segundo um dos mordomos. O diálogo (pág. 86). - Parece que o Dr. Júlio quer correr com o Artur Sacramento! Lá se vai a colocação de lâmpadas no largo da igreja! - Como é possível fazerem isso a um homem que nos trouxe a luz? De facto a comissão administrativa da câmara de Ílhavo, presidida por Júlio Calisto, devido ao descalabro financeiro que as contas dos serviços elétricos apresentavam, na reunião de 31 de agosto, decidiu avançar com uma auditoria à gestão de Artur Sacramento que veio a culminar na extinção do seu lugar e na respetiva saída. Refira-se que a iluminação elétrica de Ílhavo tinha sido inaugurada em 12 de dezembro de 1925, com pompa e circunstância, ...

O Ílhavo que a PIDE vigiava

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  Há cidades que guardam a sua história nos edifícios, nas praças, nos arquivos e nas fotografias antigas. E há outras histórias que permanecem sobretudo na memória das pessoas que as viveram. Ao escrever UmRepublicano na Mira da PIDE , percebi que estava, de alguma forma, a entrar num desses territórios de memória: o Ílhavo das décadas de 40, 50 e 60, quando a oposição ao Estado Novo tinha rostos, nomes, reuniões, comícios, jornais, panfletos e, também, uma polícia política atenta a cada movimento. O advogado JúlioCalisto é a figura central do romance. Nascido no Tojal, concelho de Sátão, estabeleceu-se em Ílhavo, onde exerceu advocacia e desenvolveu uma intensa atividade política. Em 1926 presidiu à Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Ílhavo. Mais tarde, já sob o Estado Novo, tornar-se-ia uma das figuras da oposição democrática na região de Aveiro. A sua história política foi feita de combates eleitorais, de iniciativas da oposição, de amizades e cumplicidades p...

A Figueira da Foz também vive n’O Emigrante

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  A Figueira da Foz, e muito particularmente Bunhos (o nome literário de Buarcos), ocupa um lugar especial no romance O Emigrante , de Acácio Pinto. Não é apenas um território onde algumas cenas acontecem. É um espaço que acompanha as personagens, as suas relações, as suas memórias e, de certo modo, o próprio percurso de uma família atravessada pela emigração. Quando se fala da emigração portuguesa “a salto” para França, nos anos 60, é natural pensar sobretudo nas aldeias e pequenas localidades do interior, de onde partiram milhares de homens em busca de uma vida melhor. É esse o universo de Renato, uma das personagens centrais de O Emigrante , oriundo da região de Viseu. Mas o romance estabelece, desde cedo, uma outra geografia: a de Augusto, natural de Bunhos, na Figueira da Foz e também ele emigrante, que conheceu Renato numa viagem a bordo do Sud-Express . É através de Augusto que a Figueira entra profundamente na narrativa. E entra não apenas como lugar de origem, mas como...

Museu do Volfrâmio de Cerva: um belo espaço de memórias

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  Andava para ir a Cerva há quatro anos. Os motivos, para mim, eram óbvios. Visitar o Museu do Volfrâmio e sentir/imaginar o pulsar de mais um território onde a “febre do ouro negro” também foi vivida intensamente. Na base desta minha paixão volframífera está o interesse que tenho dedicado a esta temática desde que me envolvi na escrita do romance O Volframista . Distinguida em 2022 com o Prémio Literário Cónego Albano Martins de Sousa, esta narrativa exigiu uma vasta investigação bibliográfica e várias conversas com protagonistas. Já depois da publicação, decidi efetuar um elevado número de deslocações pelos territórios onde nos anos 40 do século XX foram explorados os filões de tungsténio ou volfrâmio. Depois de muitas outras, foi agora a vez de ir a Cerva, uma localidade do concelho de Ribeira de Pena, onde ingleses e alemães disputaram quilo a quilo a volframite que depois enviavam para as indústrias de armamento que abasteciam os respetivos exércitos. E o que é que enco...

Lições de ontem para o Portugal de hoje

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Transcrevo, de seguida, o texto que Paulo Catalino, Presidente da Câmara de Carregal do Sal, escreveu sobre o romance Um Republicano na Mira da PIDE , de Acácio Pinto, e que foi publicado no Diário de Viseu:  Acabei recentemente de ler Um Republicano na Mira da PIDE, de Acácio Pinto. Foi uma leitura feita com calma, mas que rapidamente se revelou muito mais do que um simples momento de leitura: transformou-se numa reflexão profunda sobre o passado e, inevitavelmente, sobre o presente. Há livros que contam a História. Outros obrigam-nos a confrontar a realidade em que vivemos. Um Republicano na Mira da PIDE consegue fazer ambas as coisas. A obra acompanha a vida de Júlio Calisto, um advogado respeitado, cuja competência, integridade e sentido de justiça lhe granjearam a admiração de pessoas de todas as sensibilidades. Enquanto o seu prestígio servia os interesses instalados, era reconhecido e valorizado. Tudo mudou quando assumiu publicamente as suas convicções republicanas e decidi...

Foi bom este regresso a Ferreira de Castro, com "A Tempestade"

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  Regressei a Ferreira de Castro, cinco décadas depois. Desta feita ao romance A Tempestade , publicado em 1940. E que bom foi este regresso! E que saudades eu tinha desse fabuloso escritor de Oliveira de Azeméis, que Óscar Lopes considerou o primeiro grande romancista português do século XX! Dele, na minha juventude, li tudo o que podia (que me emprestou o meu primo Gaspar) mas não esta narrativa bem marcada no tempo. Num tempo em que o homem e a mulher tinham papéis bem distintos. Ele de chefe de família e ela de dona de casa. De doméstica. Domesticada! Trata-se de um romance psicológico cuja trama se desenrola num ambiente urbano, em Lisboa, num único dia. Tudo o mais, do passado da personagem principal, nos chega através das suas memórias. Das memórias de Albano, um funcionário bancário, mediano, viúvo, ensimesmado e fortemente marcado pelas idiossincrasias socioculturais da época, que no-las vai revelando aos poucos. Este livro revela a outra dimensão de Ferreira ...

Em homenagem de Joaquim Sarmento

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Em homenagem ao meu amigo e camarada Joaquim Sarmento, de Lamego, que faleceu no dia 8 de Agosto, aos 74 anos, publico hoje este texto que escrevi para a apresentação do seu romance O CRIME DO CEREJEIRO. A apresentação foi efetuada no dia 16 de maio de 2008 no Auditório Municipal de Resende. Joaquim Sarmento foi advogado, autarca, deputado à AR e um escritor que transportava para as suas obras a sua vasta cultura e uma boa dose de ironia. Guardar-te-ei com enorme saudade! Abraço solidário à família! Eis o texto da apresentação do livro: Convidou-me o meu amigo Joaquim Sarmento para apresentar o seu último livro, um romance, O Crime de Cerejeiro . Aceitei. E porque aceitei aqui estou hoje. Mas aqui estou hoje com um temor. Temor, esse, que, confesso-vos, tem a ver com dois motivos. Primeiro: nunca antes me aventurei nestas lides e portanto estou aqui como aquele que tem fundados receios de falhar, de não corresponder, desde logo ao mérito da obra, ao mérito do autor e podendo, ass...

Ílhavo | Da origem do nome da avenida Mário Sacramento

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  A avenida Mário Sacramento , em Ílhavo, é um dos seus arruamentos mais importantes, logo depois dos estruturantes eixos norte-sul (EN 109) e este-oeste (avenida 25 de Abril) que se cruzam na rotunda do centro da cidade. Tendo nos seus extremos o jardim Henriqueta Maia, a nascente, e a bifurcação que dá para a rua da Malhada, a poente, a decisão de atribuir a este arruamento o nome do médico, resistente antifascista, escritor e ensaísta de Ílhavo, remonta aos primeiros tempos da Revolução dos Cravos. Vamos por partes, mas cingindo-nos apenas às atas da câmara. Na reunião de 17 de maio de 1974 o executivo municipal, que ainda se mantinha em funções, apesar da revolução (Luís Bettencourt Viana, presidente; Humberto Rocha, vice-presidente; Manuel Ferreira da Silva, José Cândido Ferreira Jorge, Mário de Jesus Campolargo e Luís Pedro Conceição, vereadores), apreciou uma carta de Senos da Fonseca , em que era solicitada a mudança de nome de algumas ruas da vila. E quais eram as ...

Narsélio de Gouveia e Sousa, um construtor de consensos

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Por ocasião da morte de Narsélio de Gouveia e Sousa (N. 15.09.1947 | F. 01.08.2026) impõe-se deixar-vos breves palavras sobre aquele que foi o presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Sátão após a Revolução de Abril de 1974. E deixo-as com enorme tristeza, porquanto ainda esperava ouvir da sua boca, no café Cantinho da Amizade, em Sátão, outras histórias dentre tantas que me contou aquando da recolha de elementos que efetuei para a escrita do livro Sátão: 50 Anos de Liberdade . Claro está que alguns conteúdos dessas conversas ficaram e ficarão selados, pela sensibilidade que os envolve, assim me comprometi com ele. Vamos então aos factos. Após meio ano de manifestações e de negociações que redundaram num processo conturbado e nada linear, eis que Narsélio de Gouveia e Sousa se vê empossado, no dia 5 de dezembro de 1974, pelo governador civil de Viseu, Manuel Almeida, como presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Sátão. Ele e os seus pares: ...

Todos os homens são mentirosos: quem sabe se isto não é verdade?

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  Foi o primeiro livro de Alberto Manguel que li: Todos os homens são mentirosos e, na dedicatória que me endereçou, o autor diz: “Acácio, quem sabe se isto não é verdade?” Pois bem, trata-se da ficção no seu melhor! Manguel, a pretexto da vida de Alejandro Bevilacqua, conduz-nos por caminhos que se vão emaranhando numa teia em que, de facto, o leitor, que se prende rapidamente nesta urdidura, não sabe onde começa e acaba o que quer que seja, nem, muito menos, qual a coda que a obra vai ter. Quem escreveu a obra Elogio da Mentira ? Foi o Bevilacqua, ou este é afinal uma fraude? Que até morreu no dia do lançamento do livro.  E Manguel é só o autor ou também é protagonista neste livro? E o jornalista, Terradillos, que procura conhecer toda a verdade sobre a vida e a morte do misterioso Bevilacqua consegue tal desiderato? Ficará a saber se o autor fantasma ( ou não) morreu por acidente? Se se suicidou? Ou foi assassinado? Ai o raio da ficção! Sempre ela a deixar-nos ali ...

O povo de Ílhavo rendeu-se ao filme Playback!

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  Se dúvidas houvesse de que Carlos Paião, uma lenda da música ligeira portuguesa, pertencia ao coração do povo de ílhavo (sim, do povo!), bastava ter assistido à genuína e longa ovação que, no final da antestreia do filme Playback , as 500 pessoas que enchiam o auditório da casa da Cultura de Ílhavo, lhe proporcionaram! Arrepiante! Para todos! Para mim, sobremaneira, que sendo natural de longe, ali estava no meio daquela gente com cheiro a maresia e me senti mais um entre eles. A aclamação, naquele contexto, dir-se-ia que foi para o Rafael Ferreira (o ator que o interpretou, tão bem!) e para toda a equipa, porém, verdadeiramente, a explosão foi para o Carlos. O Paião. O médico que quis ser cantor. Letrista e compositor. O artista das palavras e das melodias. O construtor da Cinderela . Bem me lembro desse fatídico dia em que uma curva na estrada lhe ceifou a estrada da vida. E a mim, a nós, aos da minha geração, que o adorávamos, ficámos pela agreste amargura de, nessa noite...

António Costa e Silva: uma conversa que foi um hino à vida!

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  Afinal, ainda é possível conversar poeticamente sobre os temas de prosa dura que assolam o mundo: alterações climática, geopolítica, recursos naturais, economia, população, líderes mundiais, oceanos. Basta que a moderadora da conversa seja Teresa Carvalho e o convidado António Costa e Silva, a primeira proficiente e, o segundo, um comunicador brilhante. Falo de quê? Sim, é das 5.as de leitura que acontecem, regularmente, na Biblioteca Municipal da Figueira da Foz. Claro está que os temas abordados não se resumiram aos susoditos. Também se falou de livros e de literatura (o lastro do evento), de Angola, da prisão de São Paulo, de tortura, de dignidade e dos limites da vida. Foi uma sessão de encantamento, encantatória, aquela a que assistimos. Quais hipnotizadores a dizerem as palavras certeiras, uma a uma, para que a plateia se rendesse àquele concerto, ambos foram sublimes, parecendo inspirados ou comandados por uma batuta que parecia vir de um maestro invisível, alt...

Letras e Conteúdos: 2.000.000 de visualizações

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  Não sei se é muito se é pouco, mas que é um número redondo lá isso é e quero partilhá-lo. Este blogue, Letras em Conteúdos (letraseconteudos.blogspot.com), acabou de atingir hoje, dia 16 de julho de 2026, mais de 2.000.000 de visualizações. A métrica utilizada é a do próprio Blogger (blogger.com). Desde janeiro de 2010, data em que abri a porta, aqui publiquei, até agora, 3121 textos de natureza diversa. Se no início, as publicações eram essencialmente de natureza político-partidária, derivadas da circunstância de, há época e até outubro de 2015, exercer as funções de deputado à AR eleito pelo círculo eleitoral de Viseu, depois disso, estando a política sempre presente, as crónicas e os textos assumiram uma natureza mais diversificada: viagens, roteiros, música, cinema, notícias, histórias, contos e recensões de livros. Já nestes últimos três anos, a literatura e os livros que tenho vindo a editar são o foco principal. De referir que alguns dos textos que aqui se encontram ...

Planeta de Plástico: uma aula de ecologia

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O Carlos Cruchinho, ou não fosse ele professor, oferece-nos com este seu último livro, Planeta de Plástico , uma bela aula sobre ecologia. Coloca, mesmo, o dedo na ferida, através de um diálogo numa aula de HGP centrada nos continentes, sobre os plásticos que inundam os oceanos (e a terra) e as inúmeras questões ambientais que nos afetam. Que excelente ideia para uma abordagem holística em torno das problemáticas atuais da sustentabilidade, da economia circular e do bom uso dos recursos. Que bela ideia para uma atuação local, junto dos nossos alunos (e da sociedade), a partir de um pensamento global. Que habitamos um planeta saturado, sobre explorado, em que os recursos não se regeneram ao ritmo do seu consumo, todos sabemos; porém, parece que todos estamos à espera que milagrosamente a situação se resolva. Não resolverá! É por isso que espero que o Abel (vestido de Cruchinho) apresente as práticas da avó Maria Vitória ao maior número de alunos possível. Ah, as ilustrações,...

O Enforcado de cabeça para baixo | Contos de Diogo Ferreira

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  Quando vi uma publicação alusiva ao livro de contos “O enforcado de cabeça para baixo – e outros contos moribundos” algo houve que me atraiu. Não nego que foi o título e o tema da morte em geral. Não conhecia o autor, Diogo Marnoto Ferreira, e a capa não me despertou à primeira. Só depois de a olhar no livro. Avisado de que a edição tinha sido de 100 exemplares, logo enviei mensagem ao autor. Queria um. Consegui-o. Vamos então aos factos. Esta temática, a da morte, nos contos, na literatura, fascina-me desde que há uns anos li o Edgar Alan Poe. O mestre desta arte. Do horror gótico, da loucura e do macabro. Da morte, afinal. O mesmo não digo do cinema, nesta vertente. Ou seja lido bem e até gosto da palavra, nesta temática, mas já não aprecio a imagem. Essa aprecio-a noutras tramas romanescas. E eis-me aqui e agora, depois de ler as 100 páginas desta edição de autor, para vos dizer que gostei desta aventura do Diogo. Será um livro fora da caixa? Um estilo underground ? Um...

O PIDE que recebeu como leitura de férias o romance “Quando os Lobos Uivam”

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  Crónica publicada no Diário de Aveiro de 29 de junho de 2026. O romance Quando os Lobos Uivam , de Aquilino Ribeiro, que tinha por pano de fundo a brutalidade do Estado Novo contra as populações rurais, chegou aos escaparates em 1958. Porém, não demorou muito até que os censores tratassem de o condenar ao fogo do inferno. O ‘crítico literário’ de serviço para essa empreitada escreveu em fevereiro de 1959 que “ o autor intitula este livro de romance, mas com mais propriedade deveria chamar-lhe de romance panfletário, porque todo ele foi arquitetado para fazer um odioso ataque à atual situação política ”. E acrescenta ainda o relator sobre a obra: “ Escrito numa prosa viril, classifica o governo de piratas e descreve várias Autoridades, Funcionários, Polícia, Guarda Republicana e Tribunais em termos indignos e insultuosos ”. Ora, face a esta inequívoca litania (de que aqui só deixei dois excertos) os exemplares ainda por vender foram apreendidos e Aquilino Ribeiro foi alvo d...

"Outra vez Amália" encantou Quiaios

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  “Outra vez Amália” subiu ao palco do GIRQ, em Quiaios, na noite de 26 de junho. E que magnífico musical! Afinal, não são só os grupos profissionais que nos surpreendem! E, assim sendo, a surpresa é ainda maior quando a qualidade da produção emociona uma plateia completamente cheia e rendida ao espetáculo. Perdoar-me-ão se destacar a voz, forte e bem timbrada, e os trejeitos da atriz (Susana Gabriela Patrão) que desempenhou o papel de Amália. Encantou com o enorme naipe de fados de Amália Rodrigues que ela cantou, desde os seus tempos iniciais de carreira até aos anos 90. Foi uma bela incursão pela vida artística da maior fadista portuguesa do século XX . As interações em palco com Marceneiro, Hermínia Silva, Maria Teresa Noronha, Camões, Pessoa, David Mourão Ferreira, Variações, ou as mais ou menos explícitas ligações aos corredores do poder e a proscrição a que foi sujeita depois do 25 de abril, ou as encenações das marchas e das procissões, permitiram ao público presente,...

Livro de tributo a José Junqueiro, "Por um Portugal inteiro"

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  Deixo-vos de seguida a minha intervenção de apresentação do livro Por um Portugal inteiro - Tributo a José Junqueiro  um livro editado pela Associação Cívica e Cultural José Junqueiro. A apresentação do livro teve lugar no dia 27 de junho no auditório da Universidade Católica de Viseu, no âmbito de uma iniciativa de homenagem a José  Junqueiro, que nos deixou em julho de 2025. Há pessoas cuja partida não termina a sua presença entre nós. José Adelmo Gouveia Bordalo Junqueiro foi uma dessas pessoas. É uma dessas pessoas. Partiu de forma abrupta deixando em todos nós, que com ele privámos, um travo amargo e um sentimento difícil de aceitar: o de que ficaram conversas por acabar, memórias por arrumar, histórias por contar e caminhos que ainda gostaríamos de percorrer ao seu lado. E foi com a firmeza e a forte convicção de que a sua presença não terminou entre nós, contrariando, aliás, aquele célebre verso de Jorge Luís Borges (Somos o esquecimento que seremos), foi com...