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A mostrar mensagens de 2026

O povo de Ílhavo rendeu-se ao filme Playback!

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  Se dúvidas houvesse de que Carlos Paião, uma lenda da música ligeira portuguesa, pertencia ao coração do povo de ílhavo (sim, do povo!), bastava ter assistido à genuína e longa ovação que, no final da antestreia do filme Playback , as 500 pessoas que enchiam o auditório da casa da Cultura de Ílhavo, lhe proporcionaram! Arrepiante! Para todos! Para mim, sobremaneira, que sendo natural de longe, ali estava no meio daquela gente com cheiro a maresia e me senti mais um entre eles. A aclamação, naquele contexto, dir-se-ia que foi para o Rafael Ferreira (o ator que o interpretou, tão bem!) e para toda a equipa, porém, verdadeiramente, a explosão foi para o Carlos. O Paião. O médico que quis ser cantor. Letrista e compositor. O artista das palavras e das melodias. O construtor da Cinderela . Bem me lembro desse fatídico dia em que uma curva na estrada lhe ceifou a estrada da vida. E a mim, a nós, aos da minha geração, que o adorávamos, ficámos pela agreste amargura de, nessa noite...

António Costa e Silva: uma conversa que foi um hino à vida!

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  Afinal, ainda é possível conversar poeticamente sobre os temas de prosa dura que assolam o mundo: alterações climática, geopolítica, recursos naturais, economia, população, líderes mundiais, oceanos. Basta que a moderadora da conversa seja Teresa Carvalho e o convidado António Costa e Silva, a primeira proficiente e, o segundo, um comunicador brilhante. Falo de quê? Sim, é das 5.as de leitura que acontecem, regularmente, na Biblioteca Municipal da Figueira da Foz. Claro está que os temas abordados não se resumiram aos susoditos. Também se falou de livros e de literatura (o lastro do evento), de Angola, da prisão de São Paulo, de tortura, de dignidade e dos limites da vida. Foi uma sessão de encantamento, encantatória, aquela a que assistimos. Quais hipnotizadores a dizerem as palavras certeiras, uma a uma, para que a plateia se rendesse àquele concerto, ambos foram sublimes, parecendo inspirados ou comandados por uma batuta que parecia vir de um maestro invisível, alt...

Letras e Conteúdos: 2.000.000 de visualizações

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  Não sei se é muito se é pouco, mas que é um número redondo lá isso é e quero partilhá-lo. Este blogue, Letras em Conteúdos (letraseconteudos.blogspot.com), acabou de atingir hoje, dia 16 de julho de 2026, mais de 2.000.000 de visualizações. A métrica utilizada é a do próprio Blogger (blogger.com). Desde janeiro de 2010, data em que abri a porta, aqui publiquei, até agora, 3121 textos de natureza diversa. Se no início, as publicações eram essencialmente de natureza político-partidária, derivadas da circunstância de, há época e até outubro de 2015, exercer as funções de deputado à AR eleito pelo círculo eleitoral de Viseu, depois disso, estando a política sempre presente, as crónicas e os textos assumiram uma natureza mais diversificada: viagens, roteiros, música, cinema, notícias, histórias, contos e recensões de livros. Já nestes últimos três anos, a literatura e os livros que tenho vindo a editar são o foco principal. De referir que alguns dos textos que aqui se encontram ...

Planeta de Plástico: uma aula de ecologia

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O Carlos Cruchinho, ou não fosse ele professor, oferece-nos com este seu último livro, Planeta de Plástico , uma bela aula sobre ecologia. Coloca, mesmo, o dedo na ferida, através de um diálogo numa aula de HGP centrada nos continentes, sobre os plásticos que inundam os oceanos (e a terra) e as inúmeras questões ambientais que nos afetam. Que excelente ideia para uma abordagem holística em torno das problemáticas atuais da sustentabilidade, da economia circular e do bom uso dos recursos. Que bela ideia para uma atuação local, junto dos nossos alunos (e da sociedade), a partir de um pensamento global. Que habitamos um planeta saturado, sobre explorado, em que os recursos não se regeneram ao ritmo do seu consumo, todos sabemos; porém, parece que todos estamos à espera que milagrosamente a situação se resolva. Não resolverá! É por isso que espero que o Abel (vestido de Cruchinho) apresente as práticas da avó Maria Vitória ao maior número de alunos possível. Ah, as ilustrações,...

O Enforcado de cabeça para baixo | Contos de Diogo Ferreira

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  Quando vi uma publicação alusiva ao livro de contos “O enforcado de cabeça para baixo – e outros contos moribundos” algo houve que me atraiu. Não nego que foi o título e o tema da morte em geral. Não conhecia o autor, Diogo Marnoto Ferreira, e a capa não me despertou à primeira. Só depois de a olhar no livro. Avisado de que a edição tinha sido de 100 exemplares, logo enviei mensagem ao autor. Queria um. Consegui-o. Vamos então aos factos. Esta temática, a da morte, nos contos, na literatura, fascina-me desde que há uns anos li o Edgar Alan Poe. O mestre desta arte. Do horror gótico, da loucura e do macabro. Da morte, afinal. O mesmo não digo do cinema, nesta vertente. Ou seja lido bem e até gosto da palavra, nesta temática, mas já não aprecio a imagem. Essa aprecio-a noutras tramas romanescas. E eis-me aqui e agora, depois de ler as 100 páginas desta edição de autor, para vos dizer que gostei desta aventura do Diogo. Será um livro fora da caixa? Um estilo underground ? Um...

O PIDE que recebeu como leitura de férias o romance “Quando os Lobos Uivam”

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  Crónica publicada no Diário de Aveiro de 29 de junho de 2026. O romance Quando os Lobos Uivam , de Aquilino Ribeiro, que tinha por pano de fundo a brutalidade do Estado Novo contra as populações rurais, chegou aos escaparates em 1958. Porém, não demorou muito até que os censores tratassem de o condenar ao fogo do inferno. O ‘crítico literário’ de serviço para essa empreitada escreveu em fevereiro de 1959 que “ o autor intitula este livro de romance, mas com mais propriedade deveria chamar-lhe de romance panfletário, porque todo ele foi arquitetado para fazer um odioso ataque à atual situação política ”. E acrescenta ainda o relator sobre a obra: “ Escrito numa prosa viril, classifica o governo de piratas e descreve várias Autoridades, Funcionários, Polícia, Guarda Republicana e Tribunais em termos indignos e insultuosos ”. Ora, face a esta inequívoca litania (de que aqui só deixei dois excertos) os exemplares ainda por vender foram apreendidos e Aquilino Ribeiro foi alvo d...

"Outra vez Amália" encantou Quiaios

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  “Outra vez Amália” subiu ao palco do GIRQ, em Quiaios, na noite de 26 de junho. E que magnífico musical! Afinal, não são só os grupos profissionais que nos surpreendem! E, assim sendo, a surpresa é ainda maior quando a qualidade da produção emociona uma plateia completamente cheia e rendida ao espetáculo. Perdoar-me-ão se destacar a voz, forte e bem timbrada, e os trejeitos da atriz (Susana Gabriela Patrão) que desempenhou o papel de Amália. Encantou com o enorme naipe de fados de Amália Rodrigues que ela cantou, desde os seus tempos iniciais de carreira até aos anos 90. Foi uma bela incursão pela vida artística da maior fadista portuguesa do século XX . As interações em palco com Marceneiro, Hermínia Silva, Maria Teresa Noronha, Camões, Pessoa, David Mourão Ferreira, Variações, ou as mais ou menos explícitas ligações aos corredores do poder e a proscrição a que foi sujeita depois do 25 de abril, ou as encenações das marchas e das procissões, permitiram ao público presente,...

Livro de tributo a José Junqueiro, "Por um Portugal inteiro"

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  Deixo-vos de seguida a minha intervenção de apresentação do livro Por um Portugal inteiro - Tributo a José Junqueiro  um livro editado pela Associação Cívica e Cultural José Junqueiro. A apresentação do livro teve lugar no dia 27 de junho no auditório da Universidade Católica de Viseu, no âmbito de uma iniciativa de homenagem a José  Junqueiro, que nos deixou em julho de 2025. Há pessoas cuja partida não termina a sua presença entre nós. José Adelmo Gouveia Bordalo Junqueiro foi uma dessas pessoas. É uma dessas pessoas. Partiu de forma abrupta deixando em todos nós, que com ele privámos, um travo amargo e um sentimento difícil de aceitar: o de que ficaram conversas por acabar, memórias por arrumar, histórias por contar e caminhos que ainda gostaríamos de percorrer ao seu lado. E foi com a firmeza e a forte convicção de que a sua presença não terminou entre nós, contrariando, aliás, aquele célebre verso de Jorge Luís Borges (Somos o esquecimento que seremos), foi com...

A Fábrica da Vista Alegre é um dos lugares centrais do novo romance de Acácio Pinto

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  Como não podia deixar de ser, a Fábrica da Vista Alegre, uma instituição bicentenária de Ílhavo, tem uma grande centralidade no romance histórico-biográfico UM REPUBLICANO NA MIRA DA PIDE .  Entre outras coisas, tal centralidade advém do facto de a oposição querer sensibilizar os trabalhadores para os seus direitos. Por todas as vias os principais opositores do regime tentavam trazer para as suas hostes aqueles que diariamente ali laboravam, incentivando-os a exigirem melhores condições salariais e de trabalho e participarem nos seus comícios. À frente da oposição no concelho de Ílhavo, nesse tempo, estavam, entre outros, Júlio Calisto, Mário Sacramento, Eduarda Senos, José Gouveia e Joaquim Batista (Escalda). Estes oposicionistas tudo faziam para fazer chegar aos trabalhadores da fábrica os panfletos da oposição e até os jornais contra o regime, nomeadamente, o Avante . A principal porta de entrada para os operários eram, sobretudo, os escriturários, mas também os des...

UM REPUBLICANO NA MIRA DA PIDE

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  DETALHES DO LIVRO Título: UM REPUBLICANO NA MIRA DA PIDE Autor: Acácio Pinto Preço: 20 € Compre aqui: letraseconteudos@gmail.com ISBN: 978-989-35609-5-2 Edição: Letras e Conteúdos | Sátão Data de lançamento: 1.ª edição – junho 2026 Idioma: Português Dimensões: 152 x 235 x 21 mm Encadernação: Capa mole Páginas: 290 Classificação: Livros em Português > Literatutra > Romance SINOPSE Nascido sob o peso de ser filho ilegítimo, Júlio cresce com uma ferida que nunca chega a sarar. O estudo e a advocacia levam-no de Sátão a Ílhavo, mas não apagam o estigma que o acompanhou desde o nascimento. Entre cafés, tribunais, jornais, reuniões clandestinas, campanhas eleitorais, prisões e vigilância cerrada da PIDE, Júlio faz da sua vida uma forma de resistência a Salazar e ao Estado Novo. À sua volta cruzam-se amizade, lealdade, traição, medo e coragem, num país onde a liberdade foi adiada durante décadas. Um Republicano na Mira da PIDE é o retrato de um homem — e, através dele, de tantos o...

As peripécias de um PIDE no comício de Ílhavo de apoio a Humberto Delgado

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Cineteatro Atlântico (Foto: Ílhavo Antigo) Nos arquivos da PIDE, sob a epígrafe de Júlio Calisto*, encontrámos diversos pormenores relativos à campanha presidencial de 1958, que opôs o contra-almirante Américo Tomás ao general Humberto Delgado. Quiçá, este foi o tempo mais intenso que a oposição viveu durante os 48 anos de ditadura. O regime, face à onda de apoio popular que granjeava Humberto Delgado, viu-se obrigado a tomar medidas de emergência (censura, prisões e fraudes) para que o seu candidato, Américo Tomás, saísse vitorioso das eleições que estavam marcadas para o dia 8 de junho. Mas vamos, concretamente, a algumas peripécias que se passaram em Ílhavo. Sob a liderança de Júlio Calisto, o advogado que integrava a comissão distrital e nacional de apoio ao general, os oposicionistas locais avançaram para a organização de uma sessão de propaganda no Atlântico cineteatro no dia 3 de junho, à noite. Com o auditório completamente cheio, com uma adesão nunca vista nas inicia...

Duas notas pitorescas sobre o romance Quando os Lobos Uivam

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  Foi recentemente lançada, em Barrelas , mais uma reedição do romance Quando os Lobos Uivam , de Aquilino Ribeiro, obra que contou com o apoio da respetiva autarquia. É por isso que quero, desde já, saudar o Município de Vila Nova de Paiva, na pessoa do seu presidente, Paulo Marques, ou não fosse esta uma obra, um legado de Aquilino ao povo das Terras do Demo. Às gentes serranas, de rija têmpera, às mulheres e aos homens inteiros e inteiriços. Que não se vergaram. Que não se vergam. Que lutaram e lutam contra poderes instalados. É neste contexto que não resisto em falar-vos de dois episódios com ligações a este romance. O primeiro remonta aos tempos de estertor da ditadura. Do Estado Novo. Li o livro Quando os Lobos Uivam na minha aldeia. Na Rãs, concelho de Sátão. Estava eu prestes a fazer 15 anos. Li-o por empréstimo do meu primo Gaspar. Um oposicionista dos quatro costados que me entregou o livro embrulhado em folhas de jornal. E foi por isso, por esse e outros emprést...

Somos o esquecimento que seremos: uma obra-prima de Faciolince

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  Que livro! Somos o esquecimento que seremos do Héctor Abad Faciolince. Direi mesmo que é muito mais do que um livro, é uma obra-prima da arte de nos emocionar pela escrita! É uma narrativa impregnante. Que se nos cola ao pensamento. Impressiva! É literatura da boa. Não o li de rajada! Meteram-se alguns afazeres pelo meio! Porém, quando cheguei, mais ou menos, a meio, não mais parei. Li-o num ápice. Toldou-me, até! Estão lá três décadas da história de Medellín. Da Colômbia, afinal! A de 60, a de 70 e a de 80. De um país em convulsões políticas permanentes. Em guerrilha. Em que a frase de José Millán-Astray, “viva a morte, abaixo a inteligência”, ditou as regras sob o comando de milícias paramilitares ante o silêncio (instigador) e a passividade dos governantes. Mas o livro é sobre a história da Colômbia? Ela está lá, mas não é propriamente. O autor narra-nos (biografa-nos), com uma linguagem deliciosa, na primeira pessoa, uma história, a da sua família. Do seu pai. Um...

Até sempre, camarada e amigo Flórido

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Não, não o conheci quando desempenhou funções de deputado constituinte. Quando ele integrou aquelas listas primeiras da democracia. Donde haveriam de sair os eleitos com a missão de dotar Portugal com uma Constituição. A Constituição da República Portuguesa. Que ainda hoje nos rege. As eleições tiveram lugar no dia 25 de abril de 1975.  Era eu um jovem de 15 anos. Estávamos num país recentemente resgatado de uma ditadura. Profunda. De uma noite de quase meio século. De censura. Polícia política. Mordaça. De um Portugal Amordaçado , como lhe chamou o Mário, no título de um livro. O Soares, pois claro! Ele já por cá andava. Por Viseu. Na luta. Nas lutas pelas causas que nortearam tantos democratas. As barricadas eram muitas. Mas ele no Partido Socialista desde o primeiro minuto. Lado a lado com outros. Com o João Lima. Com o Álvaro Monteiro. Com o Armando Lopes. Com o Almeida Henriques. Para me ficar só pelos mais emblemáticos socialistas dessa época. De 1975.  Falo do F...

Também em Ílhavo, obviamente, houve fraude eleitoral nas presidenciais de 1958

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  Assinalam-se hoje, dia 8 de junho, 68 anos sobre as eleições presidenciais de 1958, que opuseram o general Humberto Delgado ao contra-almirante Américo Tomás. Foram tempos de esperança, em que a oposição, unindo-se em torno do general, obteve apoios dos mais diversos quadrantes sociais e políticos. As iniciativas de campanha em todo o país, a começar pelo Porto, no dia 14 de maio, e por Lisboa, no dia 18 de maio, Viseu, Aveiro e tantas outras, estavam condenadas ao sucesso. Eram, sempre, milhares e milhares de pessoas que acorriam aos comícios e às manifestações para aclamar o candidato que, sem medo, dissera “obviamente demito-o”, dirigindo-se a Salazar. Perante estas circunstâncias, as campainhas de São Bento soaram e havia que tomar medidas. A vitória do contra-almirante não poderia correr riscos. Instruiu-se a censura para impedir publicações nos jornais sobre os comícios de Humberto Delgado, ordenou-se à PIDE para prender, a eito, os oposicionistas e impediu-se a devid...

Figueira da Foz: Carla Pais e Maria do Rosário Pedreira na Biblioteca Municipal

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  Que bela sessão, 5.as de leitura, na Biblioteca Municipal da Figueira da Foz, no dia 3 de junho! Com a Carla Pais à sua esquerda e a Maria do Rosário Pedreira à sua direita, a Teresa Carvalho soube, com a sua singular maestria nestas lides, distribuir de modo exemplar o jogo pelas convidadas, até mesmo quando as deixou, às duas, em interação direta! A primeira, a vencedora do Prémio Leya 2025, com o livro A Sombra das Árvores no Inverno , falou-nos da emoção com que recebeu a notícia (dada por Manuel Alegre!) de um dos mais importantes prémios contemporâneos da literatura portuguesa. A sua voz, ainda um pouco suspensa e emotiva, que a Teresa Carvalho deixou fluir, trouxe-nos as alterações das suas rotinas (e das do seu gato!), face ao ribombar do telefone, daquele dia em diante, e às solicitações editoriais que exigiam a sua presença. As suas palavras não esconderam a aprendizagem que teve de desenvolver (sob a batuta do Paulo!) para lidar com a notoriedade e com a comunica...

O concelho da Figueira da Foz no romance "O Emigrante"

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  A geografia e o tempo andam, sempre, de mãos dadas nos romances. Vejamos então como no romance O Emigrante tal sucede no que diz respeito ao concelho da Figueira da Foz. Desde logo, no primeiro capítulo, numa cena que se passa a bordo do comboio Sud-Express,  em final de agosto de 1967, dois emigrantes, de regresso a França, efetuam a viagem lado a lado, sentados no corredor de uma das carruagens completamente lotada. Durante a travessia da Meseta Castelhana, de noite, quando a fome começou a apertar, por entre a partilha de merendas que ambos levavam, as respetivas terras de origem vieram à baila. Um era da região de Viseu (Renato) e o outro era de Bunhos, concelho da Figueira da Foz (Augusto). — Mas não fica [Bunhos] mesmo ao lado da Figueira? — Ficar fica, mas nós não gostamos da malta da Figueira! Têm a mania de que são mais importantes do que nós, só porque são da cidade! — vincou Augusto. — Conheces Bunhos, já lá estiveste? — Eu fiz a tropa na Figueira da ...

Aquilino Ribeiro estará presente no romance "Um Republicano na Mira da PIDE"

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Memorial a Aquilino Ribeiro, na Igreja Matriz de Alhais - Vila Nova de Paiva Neste dia em que se cumprem 63 anos sobre a morte de Aquilino Ribeiro (27.05.1963) deixo-vos, em pré-publicação, um excerto, entre muitos outros, do romance UM REPUBLICANO NA MIRA DA PIDE, em que o escritor das Terras do Demo é referenciado. Este romance, a minha próxima narrativa de ficção, a lançar no início de julho, foi inspirado na vida do advogado Júlio Calisto (n. 1897 em Sátão f. em 1973 em Ílhavo). Eis o excerto que tem a ver com a audição das rádios da "cortina da ferro", como a PIDE lhes chamava: (...) Porém, continuou a não descurar, à noite, a audição das emissões das rádios da “cortina de ferro”, como lhe chamava a polícia. Em sua casa, sozinho ou na companhia dos amigos Eduarda e Tavares e, muitas vezes, na presença dos compadres Manuel das Neves e Joaquim, o seu recetor captava as ondas hertzianas que chegavam da Checoslováquia e da Roménia. Passou mesmo a corresponder-se com aquelas...