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A mostrar mensagens de março, 2026

Faz hoje 57 anos que Mário Sacramento foi a sepultar

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  Após a morte o trair no dia anterior, Mário Sacramento foi a sepultar no Cemitério de Aveiro no dia 28 de março de 1969. Tinha em mãos a organização do II Congresso Republicano de Aveiro que iria ter lugar no Teatro Aveirense nos dias 15, 16 e 17 de maio desse ano. Nessa altura Salazar agonizava desde a queda, no dia 3 de agosto do ano anterior, da cadeira de lona no Forte de Santo António da Barra, no Estoril. Vem esta crónica a propósito do meu próximo romance histórico-biográfico UM REPUBLICANO NA MIRA DA PIDE (em fase final de revisão), cuja personagem principal, Júlio, foi inspirada em Júlio Correia da Rocha Calisto , advogado, e que travou muitas lutas em Ílhavo e na região de Aveiro ao lado de Mário Sacramento, que no romance inspirou a personagem Mário. Hoje vou partilhar convosco a cena em que surge ainda a personagem Álvaro, que foi inspirada em Álvaro José Pedrosa Curado de Seiça Neves, filho de Manuel das Neves, que falecera a 31 de janeiro de 1965. Eis a cena: ...

Uma boa conversa sobre o livro português na Biblioteca Municipal de Sátão

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  A Biblioteca Municipal de Sátão assinalou o Dia do Livro Português no dia 26 de março de 2026 à noite. Num serão muito participado, que teve lugar no meio dos livros, os presentes puderam ouvir três autores do concelho de Sátão: Acácio Pinto, Elisabete Bárbara e Ricardo Faustino. Na primeira pessoa, estes autores falaram dos livros e dos escritores que mais os marcaram, do seu processo criativo, das suas rotinas de escrita e de leitura e ainda levantaram o véu sobre os projetos em que estão a trabalhar e que chegarão aos escaparates a curto e a médio prazo. Mas este momento literário de promoção do livro não teria sido a mesma coisa se não tivesse contado com a presença do Coro Satense Cónego Albano Martins de Sousa, cujos temas encaixaram na perfeição neste evento. Merece igualmente referência a leitura declamada de um texto alusivo a autores portugueses encenada e produzida pelas colaboradoras da biblioteca. No final da sessão, a vereadora da cultura, Zélia Silva, em brev...

Biblioteca de Sátão: Vamos “Conversar com o livro português”

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Vamos “Conversar com o livro português”, na Biblioteca Municipal de Sátão. A Biblioteca Municipal de Sátão assinala o Dia do Livro Português no dia 26 de março de 2026 , quinta-feira, às 20h30. “Conversar com o livro português”, é o tema que senta à mesa Acácio Pinto, Elisabete Bárbara e Ricardo Faustino , numa sessão cultural dedicada à valorização da literatura portuguesa e ao encontro entre autores e leitores. Desta iniciativa também faz parte um momento musical, incentivando os hábitos de leitura, com partilha de percursos literários dos autores convidados, para com o público presente. A iniciativa é aberta a toda a comunidade que queira juntar-se a esta comemoração. Para assinalar esta efeméride, decorre até ao dia 09 de abril uma exposição de livros de autores portugueses. O Dia do Livro Português, assinalado no dia 26 de março, foi criado por iniciativa da Sociedade Portuguesa de Autores, pois neste dia foi impresso o primeiro livro em Portugal, “Pentateuco”, impresso ...

São textos, senhor, são textos!

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  São textos, senhor, são textos! Parafraseio a resposta lendária ao rei D. Dinis, proferida por Santa Isabel, para vos falar do mais recente livro de José Lapa, Textos Dispersos . E porquê? Por um óbvio motivo, aquilo que o artífice da palavra José Lapa foi apanhado a distribuir pelos simples humanos foi pão. É pão que ele reparte (que nos oferta) de cada vez que sai (felizmente tantas) da sua concha de fermentação. São nacos de si! Do seu ser em ebulição!  Transijo, se aos textos se acrescentar poéticos. Só textos, não. Ou prosa poética. Lapa não sabe ser outra coisa que não um vate. Um construtor de mundos. Um caminhador por trilhos ínvios. Nunca o encontrarão em estradas lisas! Em terrenos planos. Mas sempre a fazer cadabulhos! A percorrer caminhos agrestes! Sim, este é um livro antológico. O autor logo nos previne. Uma compilação, logo nos acrescenta o Rui. O Bondoso, que prefaciou. Sim, uma incursão por territórios por desbravar. Ao lado dos amigos. Ao centro...

A fasquia ficou alta, muito alta, Inês Bernardo

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  Surpreendente. Um livro que nos traz (me trouxe) uma frescura narrativa nestes tempos de cânones artificializados. Trata-se do romance agarrar a faca pelo gume , de Inês Bernardo. Li-o de duas assentadas. Uma no Bart, na Praia de Quiaios, e a outra, em casa, no terraço, sob os raios do sol de março. E não se pense que terminei o livro ali, na página 107, quando fui confrontado com a frase, supostamente a última, “uma mulher agarra sempre a faca pelo gume”(ditado de um povo da África do Sul) . Não. Continuei a lê-lo. Por mais algum tempo estive a remoê-lo. De olhos no horizonte. No dorso da Serra da Boa Viagem, lá ao longe, espetado no mar. Foi um bom quarto de hora. De degustação. A saborear a catadupa de cenas que, ainda agora, um dia depois, quando escrevo, me sobem ao palato. Está lá a mulher. Tantas mulheres. Um olhar. Tantos olhares intrusivos. Nas suas vidas. Todas diferentes ou todas iguais no condicionamento social e político? E o homem? Os homens? Também! Sã...

44 anos após a sua morte: o que ligou Álvaro Seiça Neves a Júlio Calisto?

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  NA FOTO [da esquerda para a direita]: Álvaro Seiça Neves, Júlio Calisto, Jaime Cortesão, Mário Sacramento, M. Costa e Melo e João Sarabando O que ligou estes dois opositores do Estado Novo, que viveram na região de Aveiro? Álvaro Seiça Neves, faleceu a 15 de março de 1982, faz hoje 44 anos, e a sua ligação a Júlio Calisto, que faleceu em 1973, foi intensa. Vem esta crónica a propósito do meu próximo romance, UM REPUBLICANO NA MIRA DA PIDE, em que ambos inspiraram duas personagens da narrativa. Júlio Calisto vamos encontrá-lo na personagem principal, Júlio, e Álvaro Seiça Neves, vai surgir como Álvaro. E de onde veio a ligação entre os dois, sendo que a sua diferença etária é de 23 anos. Pois bem, Júlio Calisto tornou-se muito amigo do seu colega de advocacia Manuel das Neves, de quem se tornou compadre, e, como tal, a amizade estendeu-se aos seus filhos, um dos quais Álvaro, que nasceu a 28 de março de 1920. E se esse era já de si um forte elemento de ligação entre os d...

José Rodrigues Miguéis: uma visita ao seu livro "Léah e outras histórias"

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  Soube da existência de um escritor, chamado Miguéis, ainda antes do 25 de Abril, através de um familiar meu, que era da oposição ao Estado Novo. Era só assim que ele o designava, pelo sobrenome. — Comprei mais um livro do Miguéis — dizia-me ele (que era o meu fornecedor de livros) quando eu andava pelos 14 anos. Nesse tempo, porém, não li nenhum livro de José Rodrigues Miguéis. Não calhou. Mas de Ferreira de Castro, Aquilino Ribeiro, Araújo Correia e Guerra Junqueiro, sim, ele emprestou-me vários, sendo que aqueles que mais me fascinaram, ao tempo, tenham sido os do escritor de Oliveira de Azeméis: A Lã e a Neve , Curva da Estrada , Emigrantes e Terra Fria . Mas voltemos ao José Rodrigues Miguéis, pois é dele que vos quero falar a propósito do livro  Léah e outras histórias que adquiri num alfarrabista. Não, não li todos os contos e novelas que o mesmo encerra. Porém, aquelas que li deliciaram-me e deixaram-me com uma pontinha de arrependimento. Por que é que eu nã...

Eduarda Senos e Clotilde Calisto: duas mulheres de Ílhavo no combate ao Estado Novo

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Eduarda Senos e Clotilde Calisto não foram as únicas, outras mulheres houve, do concelho de Ílhavo, que se envolveram no combate ao Estado Novo. Então qual o motivo para vos fala destas duas em particular? Pelo simples motivo de que estas duas mulheres inspiraram duas das personagens que, juntamento com Júlio Correia da Rocha Calisto (que inspirou a personagem principal), percorrem grande parte do meu próximo romance a editar no verão,  UM REPUBLICANO NA MIRA DA PIDE , neste ano em que se assinalam 100 anos sobre a passagem de Júlio Calisto pela Câmara Municipal de Ílhavo, como Presidente da Comissão Administrativa, ele que foi advogado, tendo nascido em Sátão em 1897  e falecido em Ílhavo em 1973. E o que têm em comum estas duas mulheres? O facto de ambas terem combatido o Estado Novo durante várias décadas e sofrido, consequentemente, as agruras de um regime que não transigia com quem se lhe opunha. Eduarda Senos foi a primeira mulher farmacêutica de Ílhavo. Ainda co...

1958: O General Sem Medo e a República Árabe Unida

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Sob o título em epígrafe 1958: O General Sem Medo , esta publicação, inserida na coleção “Os anos de Salazar – O que se contava e o que se ocultava durante o Estado Novo”, traça uma perspetiva daquilo que aconteceu com as eleições presidenciais de 1958, enquadrando-as com acontecimentos que aconteceram em Portugal e no mundo nesse ano. E se o meu foco, ao ler esta publicação no âmbito do romance que estou a escrever, se centrou nas eleições em que o General, que disse, em Chaves, “estou disposto a morrer pela liberdade”, deparei-me também com um acontecimentos relacionado com o contexto internacional dessa época que, pela sua atualidade (guerra EUA-Irão), aqui abordo. Então qual é a ligação da RAU (República Árabe Unida) com a candidatura de Humberto Delgado? Nenhuma, para além do facto de ambas terem ocorrido em 1958. E então o que foi a RAU? Pois bem, a RAU, num ano em que Salazar tratava de controlar umas eleições presidenciais que se lhe revelavam problemáticas, forjando um...

Nossa Senhora do Pranto: Uma exposição para memória futura

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  “Para memória futura” é uma expressão muito em voga de há alguns anos a esta parte, sobretudo quando se trata de ouvir pessoas cujos testemunhos sejam relevantes para regressarmos a tempos que já lá vão. Pois bem, foi o que fizeram João Parracho e Pedro Esteves com a exposição "Senhora do Pranto: Gentes de Fé e Memória de Ílhavo", relativa à festa a Nossa Senhora do Pranto que anualmente se realiza no Cimo de Vila em Ílhavo, a 15 de agosto. Munidos das suas objetivas dispararam nas direções que as suas sensibilidades lhes ditaram e, vai daí, deram à estampa uma exposição fotográfica que pode ser vista no Centro de Religiosidade Marítima de Ílhavo, nas imediações da Igreja Matriz. E a valia e dimensão da exposição está no suporte físico que podemos observar nos expositores? Também, mas sobretudo estará na digitalização que deste trabalho não deixará de ser feito por forma a guardarmos para memória futura a luz e a sombra captadas: o arco NSP, altaneiro; o andor, aben...