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Crónica em três atos | Ato 2: Do respeito pelas opções dos outros

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Aqui: Para ler o ATO 1 -  Do que fomos, do que somos Olho, daqui. Deste hoje. Deste agora complexo. Que não gosto de ver simplificado com propostas básicas. Com olhares maniqueístas. Preto ou branco. De absolutas certezas. Vejo um povo. Uma nação. Um país que se move. Envolvido nas suas circunstâncias. E a não poder descurar tudo aquilo que o envolve. Nos territórios mais próximos e nos espaços geopolíticos mais distantes. E tudo isto acontece num tempo controverso. Em que tudo é controvertido. Discutido. Contestado. Sob pontos de vista respeitáveis. Muito radicalizados. Mais uns dos que outros. Ao olhar de cada um de nós. Ao nosso. Olhar (de)formado pelas nossas idiossincrasias. Biológicas. Sociais. Culturais. Antropológicas. Geográficas. E sei lá mais o quê. Somos testemunhas de um tempo, este, em que cada palavra, cada frase, cada artigo, uma qualquer lei é pelejada, acareada e dirimida em contendas acaloradas. Com argumentos. Os mais diversos. Hoje somos agentes, atores de um m...

Crónica em três atos | Ato 1: Do que fomos, do que somos

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  Desde a antiguidade que somos um povo de marinheiros. Um povo com vocação marítima. Ou não vivêssemos nós paredes meias com o mar imenso. Com essa autoestrada sem fim que outrora nos levou até aos novos mundos do Mundo. Somos um jardim à beira mar plantado neste sudoeste da Europa continental. Um território com múltiplos pés espalhados pelo oceano, que se nos oferta defronte, quais atlânticos arquipélagos tão nossos, quanto este retângulo tão deles. Uma terra múltipla e com uma alma infindamente grande. Podemos afirmar que somos uma nação milenar e una. Tão una! Sem ruturas identitárias. Com uma identidade plena. Todos identificados com os seus mais fortes símbolos. Simbolismos. Hino. Bandeira. Quiçá, cultura. Dentro da qual todos cabemos, à vontade. No passado, longo de séculos, fomos mais monárquicos. Hoje somos mais republicanos. Ontem estivemos subjugados e oprimidos. Agora vivemos sob os (bons) ditames do voto livre. Fomos governados por aqueles. E nestes tempos de pro...