Todos os homens são mentirosos: quem sabe se isto não é verdade?
Foi o primeiro livro de Alberto Manguel que li: Todos os homens são mentirosos e, na dedicatória que me endereçou, o autor diz: “Acácio, quem sabe se isto não é verdade?”
Pois bem, trata-se da ficção no seu melhor!
Manguel, a pretexto da vida de Alejandro Bevilacqua,
conduz-nos por caminhos que se vão emaranhando numa teia em que, de facto, o
leitor, que se prende rapidamente nesta urdidura, não sabe onde começa e acaba o que quer
que seja, nem, muito menos, qual a coda que a obra vai ter.
Quem escreveu a obra Elogio da Mentira? Foi o Bevilacqua, ou este é afinal uma fraude? Que até morreu no dia do lançamento do livro. E Manguel é só o autor ou também é protagonista neste livro? E o jornalista, Terradillos, que procura conhecer toda a verdade sobre a vida e a morte do misterioso Bevilacqua consegue tal desiderato? Ficará a saber se o autor fantasma ( ou não) morreu por acidente? Se se suicidou? Ou foi assassinado?
Ai o raio da ficção! Sempre ela a deixar-nos ali naquele
limbo da mentira, ou da verdade de cada um.
Neste livro, Manguel leva-nos também aos meandros da vida de autores sul americanos (argentinos) que fugiram para Europa (Espanha e França) para se libertarem das garras da ditadura; e igualmente se percebem as dificuldades que enfrentam e as formas que utilizam para subsistir em espaços que lhes são, tantas vezes, hostis.
Sim, Manguel, devolvo, agora eu, a pergunta: “Quem sabe se
isto não é verdade?” Ou não seja a ficção mais uma versão da verdade!
Título: Todos os homens são mentirosos
Autor: Alberto Manguel
Editora: Tinta da China
Páginas: 166
Recensão: Acácio Pinto
