O povo de Ílhavo rendeu-se ao filme Playback!

 


Se dúvidas houvessem de que Carlos Paião, uma lenda da música ligeira portuguesa, pertencia ao coração do povo de ílhavo (sim, do povo!), bastava ter assistido à genuína e longa ovação que, no final da antestreia do filme Playback, as 500 pessoas que enchiam o auditório da casa da Cultura de Ílhavo, lhe proporcionaram!

Arrepiante! Para todos! Para mim, sobremaneira, que sendo natural de longe, ali estava no meio daquela gente com cheiro a maresia e me senti mais um entre eles.

A aclamação, naquele contexto, dir-se-ia que foi para o Rafael Ferreira (o ator que o interpretou, tão bem!) e para toda a equipa, porém, verdadeiramente, a explosão foi para o Carlos. O Paião. O médico que quis ser cantor. Letrista e compositor. O artista das palavras e das melodias. O construtor da Cinderela.

Bem me lembro desse fatídico dia em que uma curva na estrada lhe ceifou a estrada da vida. E a mim, a nós, aos da minha geração, que o adorávamos, ficámos pela agreste amargura de, nessa noite de 26 de agosto de 1988, nos sentirmos órfãos e de cancelarmos a ida às festas em honra de S. Genésio, que anualmente têm lugar em Penalva do Castelo, um concelho vizinho do meu, Sátão.

Chorámo-lo. Sim. E ainda ontem me embarguei de o fazer.

E será que havia outro local para efetuar a antestreia deste filme?

Não, não havia. Estiveram bem, todos, nesta decisão. O produtor, Caos Calmo Filmes, o realizador, Sérgio Graciano e, com certeza, a Câmara de Ílhavo, os anteriores e os atuais autarcas. Na decisão de associarem o município a esta produção. Mais do que a materialidade da filmagem de algumas cenas no concelho, nas praias, ou junto às icónicas casas da Costa Nova do Prado, há a alma de um povo que se solta em cada gesto, trejeito, palavra ou acorde de um dos seus, que foi excelso.

Do filme, biográfico, focado em tópicos da sua vida, muito do amor (tão recíproco!) à sua Zaida, e nas canções que ele interpretou, ficou-me um, só um, aspeto que eu teria retocado, a dimensão de Carlos Paião como letrista e compositor para outros cantores. Esse pormenor, estando subliminar no filme, não é devidamente dimensionado. E ele e sobretudo o filme mereciam isso!.

Lembro-me, sem grandes investigações, do Senhor Extraterrestre que Amália Rodrigues imortalizou, A Canção do Beijinho (Quem se não lembra?), de Herman José, Trocas e Baldrocas (Festival da Canção de 1982) da Cândida Branco Flor e Eles Foram tão Longe, da Lenita Gentil, só para referir algumas.

E se a antestreia foi no dia 25 de julho em Ílhavo, a estreia nos cinemas nacionais ocorrerá a partir de 6 de agosto.

Esteja atento a um cinema perto de si! Não perca, vale a pena!

Acácio Pinto

Foto: Recorte do trailler do filme.

Mensagens populares deste blogue

"In memoriam" da tia Rosa

Deputados do PS questionam governo sobre barragem de Girabolhos

Boas notícias para Viseu