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António Costa e Silva: uma conversa que foi um hino à vida!

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  Afinal, ainda é possível conversar poeticamente sobre os temas de prosa dura que assolam o mundo: alterações climática, geopolítica, recursos naturais, economia, população, líderes mundiais, oceanos. Basta que a moderadora da conversa seja Teresa Carvalho e o convidado António Costa e Silva, a primeira proficiente e, o segundo, um comunicador brilhante. Falo de quê? Sim, é das 5.as de leitura que acontecem, regularmente, na Biblioteca Municipal da Figueira da Foz. Claro está que os temas abordados não se resumiram aos susoditos. Também se falou de livros e de literatura (o lastro do evento), de Angola, da prisão de São Paulo, de tortura, de dignidade e dos limites da vida. Foi uma sessão de encantamento, encantatória, aquela a que assistimos. Quais hipnotizadores a dizerem as palavras certeiras, uma a uma, para que a plateia se rendesse àquele concerto, ambos foram sublimes, parecendo inspirados ou comandados por uma batuta que parecia vir de um maestro invisível, alt...

Figueira da Foz: Carla Pais e Maria do Rosário Pedreira na Biblioteca Municipal

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  Que bela sessão, 5.as de leitura, na Biblioteca Municipal da Figueira da Foz, no dia 3 de junho! Com a Carla Pais à sua esquerda e a Maria do Rosário Pedreira à sua direita, a Teresa Carvalho soube, com a sua singular maestria nestas lides, distribuir de modo exemplar o jogo pelas convidadas, até mesmo quando as deixou, às duas, em interação direta! A primeira, a vencedora do Prémio Leya 2025, com o livro A Sombra das Árvores no Inverno , falou-nos da emoção com que recebeu a notícia (dada por Manuel Alegre!) de um dos mais importantes prémios contemporâneos da literatura portuguesa. A sua voz, ainda um pouco suspensa e emotiva, que a Teresa Carvalho deixou fluir, trouxe-nos as alterações das suas rotinas (e das do seu gato!), face ao ribombar do telefone, daquele dia em diante, e às solicitações editoriais que exigiam a sua presença. As suas palavras não esconderam a aprendizagem que teve de desenvolver (sob a batuta do Paulo!) para lidar com a notoriedade e com a comunica...

Biblioteca da Figueira da Foz: João de Melo foi o convidado das 5.as de Leitura

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  Gosto particularmente das 5. as de leitura que têm lugar na Biblioteca Municipal da Figueira da Foz, onde a um ritmo mensal, se conversa com um escritor. Desta feita (21 de maio), o convidado foi João de Melo, que já leva 50 anos de carreira literária, e a Teresa Carvalho foi a moderadora. Sim, tudo aconteceu a um ritmo muito elevado, em que o autor se centrou, sobretudo, nas memórias da sua vida e, quiçá, nos inúmeros ‘fantasmas’ de um tempo longínquo (quem os não teve/tem?), que, ainda hoje, o assolarão. É verdade que João de Melo nos pareceu em busca da felicidade, pelo menos em termos discursivos. De fechar portas. Mas as marcas da família, sobretudo do pai, da ilha de São Miguel, do seminário, da guerra, e sei lá eu que mais, ainda se sentiram. Ainda foram muito sonantes. Lastro, mesmo. É verdade que as conversas fluem, porventura, é assim, deverá ser assim, e nessa liberdade de fluência, a conversa esteve muito centrada na vida, na sua vida. Na subida a pulso. No tr...

A propósito de papagaios: Mãe, esta praia é muito bonita!

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A minha caminhada matinal pelos passadiços da Praia de Quiaios teve hoje um aliciante especial. O céu estava pejado de papagaios — de todas as cores e feitios — que o vento norte enfunava e fazia esvoaçar sobre o areal, num colorido que concentrava o olhar de todos quantos ali se deslocaram logo pela manhã. — Mãe, esta praia é muito bonita — dizia uma criança, dos seus 8 anos, à sua progenitora quando eu passava. — Tem passadiços fixes e um areal grande. Não ouvi mais nada. Ia com passo apressado. Todavia, o que escutei, bastou-me. Se dúvidas houvesse, a iniciativa da Junta de Freguesia de Quiaios (que vai na 5.ª edição), de trazer anualmente os papagaios à praia, tinha ali a justificação plena. O festival tem sido e é um excelente veículo de promoção. É que as crianças não mentem, e aquelas pequenas frases que ela trocou com a mãe permitem, sem ser abusivo, concluir que as pessoas que aqui vierem nestes dois dias de festival dos papagaios (16 e 17 de maio) daqui irão com a re...

Alberto Manguel: uma vida à volta dos livros

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  Alberto  Manguel  - nasceu em Buenos Aires em 1948. O argentino Alberto Manguel, ou melhor, o cidadão do mundo Alberto Manguel esteve na Biblioteca Municipal da Figueira da Foz, nas 5.as de Leitura , no dia 30 de abril. E para quem, como eu, lá foi para ouvir o escritor, rapidamente percebeu que Nuno Camarneiro, o moderador, começava a levar a conversa noutro rumo. Demos connosco, para início, em Israel, onde Manguel viveu a sua infância, pois o seu pai era ali o embaixador da Argentina. Depois saltámos para o seu país, para Buenos Aires, na adolescência e juventude, e de seguida para outros, muitos outros locais, pois tantos foram os poisos desta figura incontornável daquele país sul-americano. E estou com isto a dizer que este fluir, esta interação, ficou aquém do esperado? Claro que não. Foi um trajeto diferente, mas igualmente recheado de conteúdos do escritor, do tradutor, do ensaista, afinal, do homem de cultura e de um bom contador de histórias. Foi excelen...

MAR: um restaurante de paladares de sonho, na Praia de Quiaios

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  Ali, a dois passos do areal, na Praia de Quiaios , há um restaurante que é um verdadeiro oásis para o palato. Que é uma viagem pelo interior de sabores mágicos. MAR de seu nome — qual outro poderia ser? — este palco, que nos enfeitiça com pábulos encantados, não nos deixa margem para que o não voltemos a pisar. E se se costuma dizer que o diabo está nos detalhes, neste (aquém) MAR o diabo está em todo o lado, desde o prelúdio até ao epílogo. Ora saboreiem — desculpem, imaginem, porque ainda não foram inventadas as palavras que consigam significar tais paladares. Será que conseguem traduzir a densidade de sabores que o queijo camembert com cebola caramelizada e amêndoa fatiada, de entrada, nos proporciona? Eu não consigo! Delicioso, porém! E como se escreve o travo das zamburinhas no forno, com sabor a mar e com uma gota de limão a gosto? Não sei! Só sei que o céu-da-boca foi ao céu! E lulas grelhadas com puré de feijão branco e maçã palitada? De três assobios! É...

O que é que o parapente em Quiaios tem a ver com o romance O Emigrante?

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A prática de parapente na Serra da Boa Viagem, na freguesia de Quiaios , é usual há muitos anos. Com descolagem, lá do alto, a cerca de 100 metros de altitude, os amantes da especialidade, com ventos de feição, podem usufruir de magníficas vistas sobre a Murtinheira, a Praia de Quiaios, a estrada do Enforca Cães, o Farol e todo o maciço rochoso do Cabo Mondego. Vistas de fazer perder a respiração! Mas, afinal, o que é que a prática desta atividade de lazer e de relaxamento do stress deste quotidiano duro tem a ver com o romance O Emigrante ? A resposta é simples. Não tem a ver tudo, mas tem a ver muito com este romance de Acácio Pinto, que saiu no final de 2025 e que vai na 2.ª edição. E porquê? Porque a cena final da narrativa, que se passa em final de agosto de 2017, aconteceu exatamente no BART , o bar mais icónico da praia, em que uma das personagens da narrativa surgiu, inesperadamente, vinda dos céus e aterrando, ali ao lado, no extenso areal da praia. E que mais? Obv...

O Alma De Deus! Um restaurante diferente e diferenciador!

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  Sim, O Alma De Deus é um restaurante cheio de idiossincrasias, das quais a principal é que só abre às quartas-feiras ao almoço e o prato é único. Portanto, os comensais não terão qualquer trabalho a escolher a ementa. Só terão uma decisão para tomar: se querem a sopa gandaresa no princípio ou no fim do prato principal! Uma sopa diga-se que é uma delícia: de feijão manteiga, couve, massa e com um naco de carne para dar aquele sabor especial. N’ O Alma De Deus as pessoas podem chegar a partir do meio-dia (não há reservas), sentarem-se numa das inúmeras mesas corridas e esperarem, escassos dois ou três minutos. Encontram à sua frente pratos com cebola picada e alhos por debulhar, bem como uma taça com azeitonas, com uma broa fatiada, ainda quentinha, cujo travo e textura ainda tenho na boca! De côdea crocante e de miolo ligeiramente húmido é uma iguaria! E depois de comermos a sopa no início, a nossa opção foi clássica, chegaram as postas (gigantes) de bacalhau tostadinho na...

Plantação de árvores na Mata Nacional das Dunas de Quiaios

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Foi com gosto que me associei, como voluntário, à iniciativa de rearborização levada a cabo na Mata Nacional das Dunas de Quiaios que teve lugar nos dias 30 de novembro e 1 de dezembro. Foi uma pequena areia na imensidão do trabalho que, enquanto comunidade, temos pela frente. Porém, estas iniciativas, que parecerão de somenos importância, são cruciais para o nosso devir coletivo, pelas mais variadas razões: ambientais, sociais, económicas e de ordenamento territorial. Como as opções políticas dos governos nem sempre (ou quase nunca) têm respostas ágeis para uma catástrofe que se adivinha na nossa costa  —  sobretudo nessa primeira linha da sua defesa, o cordão dunar, uma faixa territorial sempre muito instável  —  há que mobilizar as boas vontades para tais iniciativas. É por isso que se impõe deixar aqui uma nota de apreço à PlantArbor , que dinamizou esta iniciativa, e a todos os parceiros que se lhe juntaram, mas também à Junta de Freguesia de Quiaios , que...

Paulo de Carvalho e as filarmónicas: um doce arrepio na Figueira da Foz!

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Foi uma viagem maravilhosa. Uma viagem até aos anos 70. Com partida e chegada no CAE (Centro de Artes e Espetáculos) da Figueira da Foz no âmbito da 3.ª Temporada Orquestrae. O comandante desta viagem, que aconteceu neste sábado, dia 22 de novembro, foi Paulo de Carvalho, esse icónico cantor e compositor, cuja cantiga E Depois do Adeus foi a primeira senha para a Revolução do 25 de Abril de 1974. Este modelo, proposto pelo CAE, não é novo. Já lá assistíramos a outro itinerário semelhante , em que à banda do cabeça de cartaz são associadas filarmónicas do concelho da Figueira da Foz, num resultado verdadeiramente espantoso. Ouvir a voz bem timbrada de Paulo de Carvalho entoar os Meninos de Huambo com uma orquestra constituída por cerca de oito dezenas de músicos da Filarmónica Quiaiense e da Filarmónica de Lares, a atuarem conjuntamente e com o público a emprestar a sua voz, formando um gigantesco coro, foi uma experiência verdadeiramente imersiva e única. Ou ouvir Lisboa Meni...

Mafalda Anjos numa conversa em torno dos algoritmos e da decência

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Após traçar uma breve biografia de Mafalda Anjos , que foi a convidada desta sessão 5.as de Leitura, autora do livro Carta a um Jovem Decente dado à estampa em 2024, Teresa Carvalho , a moderadora, foi-a desafiando e deixando-lhes as deixas para uma conversa que acabou por ir muito mais além do livro que, supostamente, serviria (e serviu!) de base a esta conversa. A convidada, jornalista há 27 anos, foi linkando as suas respostas e considerações, sobretudo, com os contextos comunicacionais em que hoje nos movemos. Esta sessão teve lugar ontem, dia 20 de novembro, ao serão, na Sala de Exposição Permanente do Museu Municipal Santos Rocha, na Figueira da Foz. Mas será que a autora não falou sobre o livro? Claro que falou. É que a decência, que subjaz ao mesmo — infere-se desde logo do título —, está na mira e sob ameaça das redes sociais sem rosto, em que o pudor não faz parte do léxico dos seus criadores. Ou seja, não é possível falar de decência sem ir desaguar, ou melhor, sem mer...

Uma ‘aula’ sobre a escravidão, por João Pedro Marques

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  A sessão das 5.as de Leitura que teve lugar nesta quinta-feira, 23 de outubro, na Biblioteca Municipal da Figueira da Foz, contou com a presença do historiador e romancista João PedroMarques . Sob a batuta suave e competente de Teresa Carvalho , a moderadora, dando o palco ao convidado, este dissertou sapientemente, enquanto historiador, pela temática da escravatura, que acabou por ser o pano de fundo deste excelente serão literário, com permanentes ligações a circunstâncias históricas, em que não faltaram também incursões francas e intimistas a alguns aspetos dos seus tempos de estudante de engenharia. Está claro que, nesta conversa, não poderia faltar uma palavra do romancista sobre os seus romances. Sobre a sua escrita criativa. Sobre as suas tramas romanescas, tecidas normalmente ‘em cima’ de “acontecimentos históricos”, onde ele se socorre de personagens reais e de personagens fictícias, para criar uma “intriga” e dar corpo às suas ficções. Ou seja, poderemos dizer, em ...

Almoço real servido na Figueira no dia da inauguração da linha da Beira Alta

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Falámos em anterior crónica sobre a inauguração da linha da Beira Alta, no dia 3 de agosto de 1882, pelo Rei D. Luís , com a viagem inaugural a ter início na estação da Figueira da Foz. O chef que foi escolhido pela cidade da Figueira para preparar o almoço real foi Paul Bergamim, suiço, que já tinha sido o chefe do Hotel Bragança, de Lisboa, um hotel de “primeiro nível, verdadeiramente!” e depois no Grande Hotel do Bussaco e no bufet da estação de comboios da Pampilhosa. Está claro que nos continuamos a socorrer da descrição que Bronislaw Wolowski para falarmos nesta crónica do almoço real. E diz-nos o referido cronista: Reproduzo aqui o menu que foi impresso em língua francesa, e junto para a curiosidade do facto como exemplo da língua portuguesa, o convite enviado pelo Conselho municipal desta encantadora cidade da Figueira-da-Foz, à qual eu desejo que o novo caminho-de-ferro abra a era de todas as prosperidades. Municipalidade da Figueira-da-Foz A Camara Municipal tem...

Conhece a estrada do Enforca Cães?

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  Enforca Cães . Tão incomum é o seu nome quanto a beleza que a rodeia. Trata-se da estrada que liga, no concelho da Figueira da Foz, a localidade da Murtinheira (freguesia de Quiaios) a Buarcos. O topónimo, Enforca Cães , dever-se-á, segundo a memória dos mais idosos, ao facto de ali serem abatidos, em tempos idos, cães com doenças contagiosas para os humanos. De origem antiga, a estrada teve durante muito tempo um uso industrial (desde finais do século XVIII) dedicado quase exclusivamente à atividade extrativa de carvão e de calcário que ocorreu na Serra da Boa Viagem. Estas atividades industriais encerraram respetivamente em 1961 e em 2013. Ora, estas circunstâncias, que vieram ditar uma degradação lenta da via, levaram mesmo ao seu encerramento à circulação automóvel, por questões de segurança, em 2019, situação muito contestada pelas populações, que exigiam a sua requalificação e reabertura. Neste contexto, a Câmara Municipal da Figueira da Foz tratou de operacionaliza...

A Fonte do Cão, na Murtinheira - Quiaios

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O que resta da antiga Fonte do Cão, que existiu a céu aberto na Murtinheira, é hoje uma lápide que a Junta de Freguesia de Quiaios colocou em 2005 sobre umas manilhas de cimento, assinalando a sua existência. O local, batizado pelos populares de Largo da Fonte do Cão, como não poderia deixar de ser, e que não consta do Google Maps, mereceu, finalmente, uma intervenção de limpeza pelos serviços da autarquia, que se saúda, esperando-se, contudo, que esta não tenha sido uma operação de circunstância. Todos os locais, este como tantos outros, que possam ter associadas a si estórias de outros tempos, merecem ser olhados, pelas entidades públicas, como espaços de memória coletiva. E, assim sendo, só a sua preservação e a criação de uma narrativa associada poderão legar às gerações vindouras o conhecimento das idiossincrasias e das vivências que os nossos antepassados tiveram no território que hoje pisamos. Ao que apurámos (memórias com mais de 40 anos), aquilo que ali existia antes de ...

Sobre Quiaios: o que diz o dicionário Portugal Antigo e Moderno

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Pinho Leal, no seu dicionário Portugal Antigo e Moderno, editado em 1874, onde se refere a “todas as cidades, vilas e freguesias de Portugal”, escreve o seguinte sobre Quiaios: QUIAIOS – freguesia, comarca e concelho da Figueira da Foz (foi da mesma comarca, mas do concelho de Maiorca, suprimido), 40 quilómetros ao ONO de Coimbra, 210 ao N de Lisboa, 950 fogos. Em 1757 tinha 300 fogos. Orago S. Mamede. Bispado e distrito administrativo de Coimbra. O prior de Santa Cruz de Coimbra apresentava o vigário, que tinha 200$000 réis de rendimento. É povoação muito antiga e foi couto, ao qual o rei D. Manuel deu foral, em Lisboa, a 23 de agosto de 1514 (Livros dos forais novos da Extremadura, fl. 95, v., col. 1,º).   É terra muito fértil em todos os géneros agrícolas do nosso país. É nesta freguesia a célebre lagoa do Bom Sucesso. Ora, pelo que precede, poderemos concluir que Pinho Leal não aprofundou os dados históricos sobe a freguesia de Quiaios ao contrário daquilo que f...

O que é que Zé Penicheiro tem a ver com a Praia de Quiaios?

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Foram vários os artistas plásticos ( AQUI ) que ao longo do tempo se encantaram e renderam à Praia de Quiaios, para além dos inúmeros realizadores ( AQUI ) e fotógrafos que captaram com as suas câmaras os excelentes enquadramentos da Serra da Boa Viagem e do mar que beija o extenso areal, a norte. Trazemos hoje à colação o artista plástico de renome internacional Zé Penicheiro que nasceu em Candosa, no concelho de Tábua em 1921 e faleceu, em 2014, na Figueira da Foz , onde foi sepultado. Mas como não se pretende nesta breve crónica traçar a biografia do artista, vamos, tão só, deixar breves notas sobre a sua ligação à Praia de Quiaios. Desde logo porque ele tinha casa, precisamente, no n.º 9 da “Rua Galeria Convés”, que assim foi batizada em homenagem ao mestre. É que Zé Penicheiro havia criado em Aveiro, junto à Praça do Peixe, uma pequena galeria, que também funcionava como o seu atelier/estúdio, onde teve alguns jovens discípulos que queriam aprender as suas técnicas e a que deu...

Excelente serão cultural, com Bagão Félix, na Biblioteca da Figueira da Foz

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  Sempre gostei de conhecer o lado B das propostas, dos projetos e das pessoas. Ficarmos restringidos a um único olhar, a uma só perspetiva, à narrativa exclusiva, reduz a nossa capacidade de decidir, de encontrar o melhor caminho e de ajuizar bem seja sobre aquilo que for ou sobre quem for. Vem isto a propósito da sessão que teve lugar ontem à noite, 18 de setembro, na Biblioteca Municipal Pedro Fernandes Tomás, na Figueira da Foz. Eu conhecia o lado A de António Bagão Félix. O de político, de ministro, o de economista, em suma o de figura pública. Bem, ontem, nas “5.as de Leitura”, em torno do último livro de Bagão Félix, Quarenta Árvores em discurso direto, pude conhecer o seu outro lado, o seu lado B. E se eu até nutria alguma simpatia por ele, embora sendo nós de áreas diferentes, ele da democracia cristã, conservador, e eu da área do socialismo democrático e da social-democracia — signifique esta taxonomia política aquilo que significar —, agora fiquei rendido ao convers...

Figueira da Foz: Inauguração da Linha da Beira Alta contou com o Rei D. Luís em 1882

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Estação da Figueira da Foz  A linha da Beira Alta, entre a Figueira da Foz e Vilar Formoso, foi inaugurada com pompa e circunstância pelo Rei D. Luís no dia 3 de agosto de 1882, contando igualmente com a presença do Presidente do Conselho, de ministros e de inúmeras entidades civis, militares e religiosas. Após várias vicissitudes, que não vêm agora ao caso, o troço inicial entre a Figueira e a Pampilhosa (Ramal da Figueira da Foz) foi encerrado e desativadpo em 2009. Regressando à inauguração vamos transcrever a descrição que Bronislaw Wolowski — um jornalista possivelmente de origem polaca que escrevia para um jornal francês — publicou sobre este evento num livro sob o título Les Fêtes en Portugal. Inauguration du chemin-de-fer de la Beira-Alta – Voyage de la famille royale. Notes de souvenirs de voyage . Desse livro, editado pela E. Dentu, de Paris, em 1883, reproduzimos de seguida uma tradução do capítulo “ Pampilhosa – Figueira da Foz ”. As festas oficiais começavam verdad...

Figueira da Foz | “A Corrida Mais Bonita de Portugal”? Sim. E no resto ano?

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Foto: Município da Figueira da Foz “A Corrida Mais Bonita de Portugal”? Sim. E no resto ano? Concordo com o nome encontrado pela organização para traduzir, de forma apelativa, a corrida/caminhada que se realizou, pela segunda vez, neste fim de semana entre a Praia de Quiaios e a Figueira da Foz. Tratou-se de “A Corrida Mais Bonita de Portugal”. Porém, não compreendo a contradição que tal nome encerra. Trata-se mesmo de um paradoxo. Ou seja, a organização, a cargo do município da Figueira da Foz , adotou um nome (o melhor nome que poderia, sem dúvida!) só que inconsequente nos restantes dias do ano. E passo a explicar o meu ponto. Recuemos quatro anos, a 2021, quando por opção do município (não importa para aqui quem verdadeiramente tomou a decisão ou quem a executou), aquele percurso marginal, de rara e soberba beleza, entre a Murtinheira e o Farol, foi pavimentado. E, desde tal decisão, aquele trajeto, ou aquele trilho, que precisava de facto de uma requalificação, ficou exclu...