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Júlio Calisto regressa a Sátão: um romance, uma terra e uma história por descobrir

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  Há livros que nos levam a lugares distantes. Outros fazem-nos regressar às nossas origens, às nossas terras e às histórias que nelas ficaram por contar. É também isso que acontece com Um Republicano na Mira da PIDE , o romance histórico-biográfico, que chega agora a Sátão, o concelho onde nasceu, em 1897, a figura que inspirou esta narrativa: Júlio Calisto . A apresentação terá lugar no próximo dia 18 de outubro, domingo, pelas 15h30, na Biblioteca Municipal de Sátão , numa sessão que representa um momento particularmente significativo no percurso deste livro. Júlio Calisto nasceu no Tojal, freguesia de Vila de Igreja, no final do século XIX. Filho de uma costureira e de um tabelião de Ílhavo, que se encontrava colocado em Sátão, teve uma origem e um começo de vida que ajudam a compreender a personagem. É precisamente em Sátão, no dealbar do século XX, que se desenrolam algumas das primeiras cenas do romance. E é aqui que a narrativa nos aproxima das circunstâncias do seu...

5 de Outubro: quando uma data era também uma forma de resistência

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Hoje, 5 de outubro, assinalamos a implantação da República em Portugal. É uma data que faz parte da nossa História. Mas, para algumas das personagens de Um Republicano na Mira da PIDE , era muito mais do que uma página do passado. Para Júlio Calisto, Mário Sacramento, Eduarda Senos, Joaquim da Silva, Sizenando Cunha, Manuel das Neves, Costa e Melo e outros democratas e oposicionistas que atravessam as páginas do romance, o 5 de Outubro era uma data que se vivia e se evocava. Em diferentes momentos, assinalavam a implantação da República com um jantar, com um encontro ou com uma iniciativa que mantivesse viva a memória daquele 5 de outubro de 1910. E isso tinha um significado especial. Porque, durante o Estado Novo, celebrar a República não era apenas recordar um acontecimento ocorrido décadas antes. Era também recordar uma ideia de liberdade, de cidadania e de participação política que o regime autoritário procurava limitar. Para homens e mulheres que continuavam a acreditar na democr...

Lisboa: um lugar que parece escolhido pelo próprio romance

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  Há apresentações de livros. E há apresentações que, pela história, pelo lugar e pelas pessoas que nelas participam, parecem ganhar uma dimensão que ultrapassa o próprio livro. É o que sinto em relação à apresentação de Um Republicano na Mira da PIDE em Lisboa. Depois de Ílhavo, onde o romance foi apresentado no passado dia 3 de julho, a obra chega agora à capital. Será no próximo dia 8 de outubro, às 18h30, na Fundação Mário Soares e Maria Barroso, em Lisboa , na Rua de São Bento, 160. E dificilmente poderia imaginar um lugar mais adequado para apresentar este romance. Um Republicano na Mira da PIDE é um romance histórico-biográfico inspirado na vida de Júlio Calisto , advogado, republicano e opositor da ditadura e do Estado Novo, nascido no concelho de Sátão e falecido em Ílhavo, em 1973. A sua vida cruza-se com algumas das páginas mais difíceis da história portuguesa do século XX: a ditadura, a repressão política, a vigilância da PIDE, as campanhas eleitorais da opo...

A inovação da Festa do Senhor Jesus dos Navegantes de há 100 anos

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 Diz o romance Um Republicano na Mira da PIDE  que há 100 anos o arraial da Festa do Senhor Jesus dos Navegantes, em Ílhavo, iria ter uma inovação: iluminação. Porém, tal inovação,  que o responsável pelos serviços elétricos da câmara, Artur Sacramento, se havia disponibilizado por fazer, poderia não acontecer, segundo um dos mordomos. O diálogo (pág. 86). - Parece que o Dr. Júlio quer correr com o Artur Sacramento! Lá se vai a colocação de lâmpadas no largo da igreja! - Como é possível fazerem isso a um homem que nos trouxe a luz? De facto a comissão administrativa da câmara de Ílhavo, presidida por Júlio Calisto, devido ao descalabro financeiro que as contas dos serviços elétricos apresentavam, na reunião de 31 de agosto, decidiu avançar com uma auditoria à gestão de Artur Sacramento que veio a culminar na extinção do seu lugar e na respetiva saída. Refira-se que a iluminação elétrica de Ílhavo tinha sido inaugurada em 12 de dezembro de 1925, com pompa e circunstância, ...

O Ílhavo que a PIDE vigiava

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  Há cidades que guardam a sua história nos edifícios, nas praças, nos arquivos e nas fotografias antigas. E há outras histórias que permanecem sobretudo na memória das pessoas que as viveram. Ao escrever UmRepublicano na Mira da PIDE , percebi que estava, de alguma forma, a entrar num desses territórios de memória: o Ílhavo das décadas de 40, 50 e 60, quando a oposição ao Estado Novo tinha rostos, nomes, reuniões, comícios, jornais, panfletos e, também, uma polícia política atenta a cada movimento. O advogado JúlioCalisto é a figura central do romance. Nascido no Tojal, concelho de Sátão, estabeleceu-se em Ílhavo, onde exerceu advocacia e desenvolveu uma intensa atividade política. Em 1926 presidiu à Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Ílhavo. Mais tarde, já sob o Estado Novo, tornar-se-ia uma das figuras da oposição democrática na região de Aveiro. A sua história política foi feita de combates eleitorais, de iniciativas da oposição, de amizades e cumplicidades p...

Lições de ontem para o Portugal de hoje

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Transcrevo, de seguida, o texto que Paulo Catalino, Presidente da Câmara de Carregal do Sal, escreveu sobre o romance Um Republicano na Mira da PIDE , de Acácio Pinto, e que foi publicado no Diário de Viseu:  Acabei recentemente de ler Um Republicano na Mira da PIDE, de Acácio Pinto. Foi uma leitura feita com calma, mas que rapidamente se revelou muito mais do que um simples momento de leitura: transformou-se numa reflexão profunda sobre o passado e, inevitavelmente, sobre o presente. Há livros que contam a História. Outros obrigam-nos a confrontar a realidade em que vivemos. Um Republicano na Mira da PIDE consegue fazer ambas as coisas. A obra acompanha a vida de Júlio Calisto, um advogado respeitado, cuja competência, integridade e sentido de justiça lhe granjearam a admiração de pessoas de todas as sensibilidades. Enquanto o seu prestígio servia os interesses instalados, era reconhecido e valorizado. Tudo mudou quando assumiu publicamente as suas convicções republicanas e decidi...

O PIDE que recebeu como leitura de férias o romance “Quando os Lobos Uivam”

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  Crónica publicada no Diário de Aveiro de 29 de junho de 2026. O romance Quando os Lobos Uivam , de Aquilino Ribeiro, que tinha por pano de fundo a brutalidade do Estado Novo contra as populações rurais, chegou aos escaparates em 1958. Porém, não demorou muito até que os censores tratassem de o condenar ao fogo do inferno. O ‘crítico literário’ de serviço para essa empreitada escreveu em fevereiro de 1959 que “ o autor intitula este livro de romance, mas com mais propriedade deveria chamar-lhe de romance panfletário, porque todo ele foi arquitetado para fazer um odioso ataque à atual situação política ”. E acrescenta ainda o relator sobre a obra: “ Escrito numa prosa viril, classifica o governo de piratas e descreve várias Autoridades, Funcionários, Polícia, Guarda Republicana e Tribunais em termos indignos e insultuosos ”. Ora, face a esta inequívoca litania (de que aqui só deixei dois excertos) os exemplares ainda por vender foram apreendidos e Aquilino Ribeiro foi alvo d...

A Fábrica da Vista Alegre é um dos lugares centrais do novo romance de Acácio Pinto

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  Como não podia deixar de ser, a Fábrica da Vista Alegre, uma instituição bicentenária de Ílhavo, tem uma grande centralidade no romance histórico-biográfico UM REPUBLICANO NA MIRA DA PIDE .  Entre outras coisas, tal centralidade advém do facto de a oposição querer sensibilizar os trabalhadores para os seus direitos. Por todas as vias os principais opositores do regime tentavam trazer para as suas hostes aqueles que diariamente ali laboravam, incentivando-os a exigirem melhores condições salariais e de trabalho e participarem nos seus comícios. À frente da oposição no concelho de Ílhavo, nesse tempo, estavam, entre outros, Júlio Calisto, Mário Sacramento, Eduarda Senos, José Gouveia e Joaquim Batista (Escalda). Estes oposicionistas tudo faziam para fazer chegar aos trabalhadores da fábrica os panfletos da oposição e até os jornais contra o regime, nomeadamente, o Avante . A principal porta de entrada para os operários eram, sobretudo, os escriturários, mas também os des...

UM REPUBLICANO NA MIRA DA PIDE

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  DETALHES DO LIVRO Título: UM REPUBLICANO NA MIRA DA PIDE Autor: Acácio Pinto Preço: 20 € Compre aqui: letraseconteudos@gmail.com ISBN: 978-989-35609-5-2 Edição: Letras e Conteúdos | Sátão Data de lançamento: 1.ª edição – junho 2026 Idioma: Português Dimensões: 152 x 235 x 21 mm Encadernação: Capa mole Páginas: 290 Classificação: Livros em Português > Literatutra > Romance SINOPSE Nascido sob o peso de ser filho ilegítimo, Júlio cresce com uma ferida que nunca chega a sarar. O estudo e a advocacia levam-no de Sátão a Ílhavo, mas não apagam o estigma que o acompanhou desde o nascimento. Entre cafés, tribunais, jornais, reuniões clandestinas, campanhas eleitorais, prisões e vigilância cerrada da PIDE, Júlio faz da sua vida uma forma de resistência a Salazar e ao Estado Novo. À sua volta cruzam-se amizade, lealdade, traição, medo e coragem, num país onde a liberdade foi adiada durante décadas. Um Republicano na Mira da PIDE é o retrato de um homem — e, através dele, de tantos o...

As peripécias de um PIDE no comício de Ílhavo de apoio a Humberto Delgado

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Cineteatro Atlântico (Foto: Ílhavo Antigo) Nos arquivos da PIDE, sob a epígrafe de Júlio Calisto*, encontrámos diversos pormenores relativos à campanha presidencial de 1958, que opôs o contra-almirante Américo Tomás ao general Humberto Delgado. Quiçá, este foi o tempo mais intenso que a oposição viveu durante os 48 anos de ditadura. O regime, face à onda de apoio popular que granjeava Humberto Delgado, viu-se obrigado a tomar medidas de emergência (censura, prisões e fraudes) para que o seu candidato, Américo Tomás, saísse vitorioso das eleições que estavam marcadas para o dia 8 de junho. Mas vamos, concretamente, a algumas peripécias que se passaram em Ílhavo. Sob a liderança de Júlio Calisto, o advogado que integrava a comissão distrital e nacional de apoio ao general, os oposicionistas locais avançaram para a organização de uma sessão de propaganda no Atlântico cineteatro no dia 3 de junho, à noite. Com o auditório completamente cheio, com uma adesão nunca vista nas inicia...

Também em Ílhavo, obviamente, houve fraude eleitoral nas presidenciais de 1958

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  Assinalam-se hoje, dia 8 de junho, 68 anos sobre as eleições presidenciais de 1958, que opuseram o general Humberto Delgado ao contra-almirante Américo Tomás. Foram tempos de esperança, em que a oposição, unindo-se em torno do general, obteve apoios dos mais diversos quadrantes sociais e políticos. As iniciativas de campanha em todo o país, a começar pelo Porto, no dia 14 de maio, e por Lisboa, no dia 18 de maio, Viseu, Aveiro e tantas outras, estavam condenadas ao sucesso. Eram, sempre, milhares e milhares de pessoas que acorriam aos comícios e às manifestações para aclamar o candidato que, sem medo, dissera “obviamente demito-o”, dirigindo-se a Salazar. Perante estas circunstâncias, as campainhas de São Bento soaram e havia que tomar medidas. A vitória do contra-almirante não poderia correr riscos. Instruiu-se a censura para impedir publicações nos jornais sobre os comícios de Humberto Delgado, ordenou-se à PIDE para prender, a eito, os oposicionistas e impediu-se a devid...

Aquilino Ribeiro estará presente no romance "Um Republicano na Mira da PIDE"

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Memorial a Aquilino Ribeiro, na Igreja Matriz de Alhais - Vila Nova de Paiva Neste dia em que se cumprem 63 anos sobre a morte de Aquilino Ribeiro (27.05.1963) deixo-vos, em pré-publicação, um excerto, entre muitos outros, do romance UM REPUBLICANO NA MIRA DA PIDE, em que o escritor das Terras do Demo é referenciado. Este romance, a minha próxima narrativa de ficção, a lançar no início de julho, foi inspirado na vida do advogado Júlio Calisto (n. 1897 em Sátão f. em 1973 em Ílhavo). Eis o excerto que tem a ver com a audição das rádios da "cortina da ferro", como a PIDE lhes chamava: (...) Porém, continuou a não descurar, à noite, a audição das emissões das rádios da “cortina de ferro”, como lhe chamava a polícia. Em sua casa, sozinho ou na companhia dos amigos Eduarda e Tavares e, muitas vezes, na presença dos compadres Manuel das Neves e Joaquim, o seu recetor captava as ondas hertzianas que chegavam da Checoslováquia e da Roménia. Passou mesmo a corresponder-se com aquelas...

O PIDE que passou o dia a transportar pessoas para o comício de Humberto Delgado

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   A campanha presidencial de 1958 foi dos momentos mais empolgantes que a oposição viveu durante o Estado Novo. A candidatura do general Humberto Delgado despertava um entusiasmo vibrante no povo — ainda mais evidente depois da desistência de Arlindo Vicente. Em cada aparição pública, como Delgado, que parecia ter magnetismo, atraía mais e mais gente, as hostes de Salazar começaram a ficar apreensivas. Havia que fazer alguma coisa para que a eleição do contra-almirante Américo Tomás, o candidato do regime, não corresse riscos. Mas vamos ao caso de que vos quero falar hoje, que teve a ver com o comício que Humberto Delgado levou a cabo no dia 24 de maio, em Aveiro, no Teatro Aveirense, iniciativa que mobilizou todos os opositores da região e que contou com a colaboração, a contragosto, de um informador da PIDE. “Alegre”, que se passava por oposicionista, mas que, de facto, não era mais do que um infiltrado no seio da oposição de Ílhavo, outro remédio não teve do que bebe...

Ílhavo | Conferência de Mário Sacramento sobre Fernando Namora foi há 59 anos

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  Faz hoje 59 anos,, Mário Sacramento efetuou no Illiabum Clube de Ílhavo uma conferência subordinada ao título “Fernando Namora, a Obra e o Homem” que, nesse mesmo ano, haveria de vir a ser publicada em livro, com o mesmo título. A conferência, que teve lugar no dia 28 de abril de 1967, apesar do seu cariz literário, acabou por ter uma vigilância apertada por parte da PIDE que, inclusivamente,  produziu um relatório detalhado sobre tudo o que se lá se passou. Em primeiro lugar disse que “quem teve de fazer a apresentação [do conferencista] foi o engenheiro João Senos da Fonseca, filho da Dr.ª Eduarda Senos”, uma vez que, segundo o informador “não conseguiram arranjar apresentador, porque todos a quem se dirigiram recusaram a incumbência”. Igualmente é referido que “embora não se tratasse de assunto político, num ou noutro passo, o conferencista deu as suas piadas ao atual regime”. Depois o vigilante da PIDE que se identificava como “Alegre” (nome de código), dizendo que...

O que é que uma Casal Boss tem a ver com a distribuição do Avante, em Ílhavo?

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  Durante o Estado Novo os subterfúgios utilizados pelos oposicionistas eram inúmeros para contornarem a vigilância da PIDE. Diga-se, em abono da verdade, que o inverso era igualmente verdadeiro. Vem esta crónica a propósito da distribuição do jornal Avante no concelho de Ílhavo, antes do 25 de abril, em que era utilizada a motorizada Casal Boss que se encontra na foto. Os protagonistas foram dois ilhavenses a quem vou chamar de Tenreiro e Álvaro, embora os pudesse designar com outros nomes, pois tantos foram aqueles que desenvolveram um intenso e perigoso trabalho em prol da conquista da democracia e da liberdade. Tenreiro era um ativo comunista, funcionário público na vila, que recebia pelo seu controleiro os materiais e a linha política dimanada do Comité Central. Tudo lhe chegava depois de um ritual de senhas e de contrassenhas devidamente combinadas. A ele, localmente, cabia-lhe tentar alargar a influência e angariar mais pessoas para a causa. Foi o que Tenreiro fe...

Excerto do romance “Um Republicano na Mira da PIDE”

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  A propósito do III Congresso da Oposição Democrática que teve lugar no Cineteatro Avenida, em Aveiro, de 4 a 8 de abril de 1973, partilhamos hoje um excerto do romance Um Republicano na Mira da PIDE  (a publicar no verão deste ano) onde tal congresso é referido e onde a personagem principal, Júlio (inspirada em Júlio Calisto), se deslocou.  Eis o excerto: (…)  A sua [de Júlio] presença em Aveiro, no Cineteatro Avenida, aquando do III Congresso da Oposição Democrática, onde ele, embora adoentado, se deslocou nos dias 7 e 8 de abril, foi seguida pelos agentes da PIDE que se encontravam disseminados pela cidade em missão de vigilância dos oposicionistas presentes. — Então o que te traz por aqui, Eduarda? — perguntou o advogado à sua amiga, com ar abatido e cansado, após lhe abrir a porta e a mandar entrar. — Fui ali levar uns medicamentos e, de passagem, decidi ver se a Clotilde estava por casa — respondeu-lhe ela, mentindo quanto à causa, pois fora ali propo...

44 anos após a sua morte: o que ligou Álvaro Seiça Neves a Júlio Calisto?

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  NA FOTO [da esquerda para a direita]: Álvaro Seiça Neves, Júlio Calisto, Jaime Cortesão, Mário Sacramento, M. Costa e Melo e João Sarabando O que ligou estes dois opositores do Estado Novo, que viveram na região de Aveiro? Álvaro Seiça Neves, faleceu a 15 de março de 1982, faz hoje 44 anos, e a sua ligação a Júlio Calisto, que faleceu em 1973, foi intensa. Vem esta crónica a propósito do meu próximo romance, UM REPUBLICANO NA MIRA DA PIDE, em que ambos inspiraram duas personagens da narrativa. Júlio Calisto vamos encontrá-lo na personagem principal, Júlio, e Álvaro Seiça Neves, vai surgir como Álvaro. E de onde veio a ligação entre os dois, sendo que a sua diferença etária é de 23 anos. Pois bem, Júlio Calisto tornou-se muito amigo do seu colega de advocacia Manuel das Neves, de quem se tornou compadre, e, como tal, a amizade estendeu-se aos seus filhos, um dos quais Álvaro, que nasceu a 28 de março de 1920. E se esse era já de si um forte elemento de ligação entre os d...