Gicav | Anim’Arte: Há sempre alguém que diz sim à cultura!
Mesmo na noite mais
triste
em tempo de servidão
há sempre alguém que
resiste
há sempre alguém que
diz não.
Prevaleço-me desta quadra, a última, da “Trova do Vento que
Passa”, de Manuel Alegre, para dizer que há sempre
alguém que resiste, há sempre alguém que, ao invés mas com o mesmo alcance, não
diz não, diz sim. Sim à cultura, sim à arte.
É o caso do GICAV, uma associação cultural de Viseu.
E, ao longo destas quase quatro décadas que leva de atividade, os seus colaboradores disseram
sempre sim “mesmo na noite mais triste / em tempos de servidão”, com que se
foram, inevitavelmente, confrontando, ao longo do tempo.
E continuam, hoje, aqui e agora, a dizer sim nestes tempos
de prosa dura, de ventos hostis à liberdade, em que os poderes tendem a olhar
de viés os movimentos de cidadãos livres. Os livres-pensadores. Aqueles que por
vezes são dissonantes da horda física e digital que, quantas vezes acriticamente, os segue.
Vem isto a propósito dos prémios Anim’Arte 2025 que foram
entregues na gala que teve lugar no dia 3 de outubro, em Viseu, na Aula Magna
da UPV.
E se, pela minha parte, estou grato pelo reconhecimento da minha
obra, ao atribuírem-me o prémio PRODUÇÃO ARTÍSTICA – LITERATURA, não se pense
que, o que digo, a tal se deve. É que eu tenho memória (para o bem e para o mal, já
com muitas décadas) e bem conheço o trabalho, contra ventos e marés, que este
grupo tem vindo a desenvolver desde os anos 90.
Não é fácil este trabalho. É mesmo um labor de difícil execução e tantas vezes incompreendido.
Produzir uma revista, fóruns de debate, animação, exposições, muitas de BD, e tantas e tantas iniciativas e galas (esta foi a 34.ª) é obra. Uma enorme obra que se centra e concentra (sejamos claros) em poucos, muito poucos. Quase sempre nos mesmo. Nos do costume!
É que este trabalho não sobe aos escaparates. Não tem as
luzes da ribalta a incidir. Não dá manchetes. Não enche ecrãs. É de bastidores.
Muitas vezes fica na sombra. E se há uma frase ligeiramente desalinhada, ou uma gafe daquelas que são humanas, cai o Carmo e a Trindade.
Não. Da minha parte, o que aqui escrevo, não é bajulação. Não
preciso e o GICAV também não.
É o meu olhar. Bem sei que não é neutro. Mas é isento. Tanto quanto é possível conseguir na análise da realidade. Desta realidade. A da cultura e da criação artística. Neste caso, é o meu olhar sobre este punhado de abnegados lutadores por esta causa maior.
A cultura merece.
Grato.
Acácio Pinto
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