5 de Outubro: quando uma data era também uma forma de resistência
Hoje, 5 de outubro, assinalamos a implantação da República em Portugal.
É uma data que faz parte da nossa História. Mas, para algumas das personagens de Um Republicano na Mira da PIDE, era muito mais do que uma página do passado.
Para Júlio Calisto, Mário Sacramento, Eduarda Senos, Joaquim da Silva, Sizenando Cunha, Manuel das Neves, Costa e Melo e outros democratas e oposicionistas que atravessam as páginas do romance, o 5 de Outubro era uma data que se vivia e se evocava.
Em diferentes momentos, assinalavam a implantação da República com um jantar, com um encontro ou com uma iniciativa que mantivesse viva a memória daquele 5 de outubro de 1910.
E isso tinha um significado especial.
Porque, durante o Estado Novo, celebrar a República não era apenas recordar um acontecimento ocorrido décadas antes. Era também recordar uma ideia de liberdade, de cidadania e de participação política que o regime autoritário procurava limitar.
Para homens e mulheres que continuavam a acreditar na democracia, a República de 1910 era também uma referência. Uma memória política. Uma espécie de fio que ligava gerações.
É esse fio que Um Republicano na Mira da PIDE procura recuperar.
O romance nasceu da história de Júlio Calisto, advogado, republicano e opositor ao Estado Novo, mas cruza-se com muitas outras figuras e acontecimentos da resistência à ditadura.
A PIDE. As campanhas eleitorais da oposição à Presidência da República e as candidaturas à Assembleia Nacional. Os Congressos Republicanos de Aveiro. As lutas pela liberdade. As prisões. As perseguições. Os encontros entre homens e mulheres que, apesar das dificuldades, continuavam a acreditar que Portugal haveria de voltar a ser um país livre.
E é precisamente por isso que escolho o 5 de outubro para falar, mais uma vez, deste meu romance histórico-biográfico, porque há datas que pertencem à História.
E há datas que, para quem as viveu ou delas fez uma referência política e cívica, continuam a ser uma forma de memória.
O 5 de Outubro era uma dessas datas para Júlio Calisto e para muitos dos democratas da sua geração.
Mais de um século depois da implantação da República e mais de cinquenta anos depois do fim da ditadura, talvez valha a pena voltar a essas histórias.
Não apenas para conhecer o passado.
Mas para perceber como se constrói, às vezes durante décadas, a esperança de liberdade.
Um Republicano na Mira da PIDE é também sobre isso.
Sobre homens e mulheres que não desistiram.
E sobre uma memória que merece continuar viva.
Acácio Pinto
Foto: Facebook de Luís Manuel Farinha
