Uma nova capa para "Um Republicano na Mira da PIDE": uma homenagem a Virgínia da Silva Veiga
A 2.ª edição de Um Republicano na Mira da PIDE apresenta uma nova capa. A mudança não resulta apenas de uma opção estética. É, acima de tudo, uma homenagem a Virgínia da Silva Veiga, que faleceu no passado dia 6 de outubro e teve um papel muito importante na construção deste romance.
A capa da 1.ª edição mostrava Júlio Calisto através das
fotografias que a PIDE lhe tirou em Caxias, quando esteve preso. Eram imagens
que remetiam diretamente para a perseguição política de que foi alvo e para a
repressão exercida pela ditadura. Mas Virgínia da Silva Veiga, que conheceu
Júlio Calisto ainda em criança, entendia que ele deveria ser apresentado de
outra forma: num traje que revelasse a sua elegância e a sua dignidade.
A Virgínia não se limitou a partilhar comigo esta opinião sobre a capa. Ajudou-me a resgatar a memória de Júlio Calisto, fornecendo informações preciosas sobre a sua vida e a sua personalidade.
Com a sua morte, senti que não poderia deixar de acolher
aquele desejo. A nova capa apresenta, assim, uma imagem diferente de Júlio Calisto, da que marcou a primeira edição. Não se apaga a memória do homem
perseguido pela PIDE; procura-se também mostrar o homem para além das
fotografias da prisão, com a presença e a dignidade que a Virgínia recordava.
Esta 2.ª edição fica, por isso, dedicada a Virgínia da
Silva Veiga: mulher de fortes convicções democráticas, lutadora pela liberdade,
que conheceu a repressão da ditadura e esteve presa pela PIDE em 1973. Mas o contributo da Virgínia para este livro não se resume às informações que me
confiou nem às páginas que me ajudou a construir. Permanece também nesta nova
imagem de Júlio Calisto.
A 1.ª edição encontra-se esgotada. Esta segunda edição
traz uma nova capa e uma dedicatória que lhe acrescenta uma dimensão
profundamente pessoal. É uma forma de agradecer a quem tanto contribuiu para
que a memória de Júlio Calisto pudesse ser recuperada e partilhada com os
leitores.
Os livros também guardam a memória de quem os ajudou a escrever.
Acácio Pinto
