Museu do Volfrâmio de Cerva: um belo espaço de memórias
Andava para ir a Cerva há quatro anos. Os motivos, para mim,
eram óbvios. Visitar o Museu do Volfrâmio e sentir/imaginar o pulsar de mais um
território onde a “febre do ouro negro” também foi vivida intensamente.
Na base desta minha paixão volframífera está o interesse que
tenho dedicado a esta temática desde que me envolvi na escrita do romance O Volframista.
Distinguida em 2022 com o Prémio Literário Cónego Albano
Martins de Sousa, esta narrativa exigiu uma vasta investigação bibliográfica,
mas também um elevado número de deslocações pelos territórios onde nos anos 40
do século XX foram explorados os filões de tungsténio ou volfrâmio. Depois de muitas
outras, foi agora a vez de ir a Cerva, uma localidade do concelho de Ribeira de
Pena, onde ingleses e alemães disputaram quilo a quilo a volframite que depois enviavam
para as indústrias de armamento que abasteciam os respetivos exércitos.
E o que é que encontrei em Cerva?
Um espaço expositivo centrado no volfrâmio, instalado num edifício pertencente à Casa do Povo, construído em 1944 com o
típico granito das serras envolventes, que foi alvo
de obras de requalificação e de adaptação às atuais funções, que ali estão
sedeadas desde 2013.
Bem organizado, este museu permite aos visitantes terem uma
visão científica sobre as épocas geológicas e formações rochosas e, igualmente,
mostra um conjunto de documentos relacionados com o registo da descoberta de
filões e do quotidiano do funcionamento das minas. Estão ainda expostas algumas
ferramentas utilizadas pelos mineiros e fotografias e textos alusivos à
comercialização do volfrâmio.
Uma maquete, no final, com a localização de algumas
concessões, dos rios e das acessibilidades, fecha a parte expositiva, dando-nos
uma visão global do território onde a exploração mineira teve lugar.
Nota: Foi com gosto que oferecemos um exemplar de O
Volframista ao museu e à comunidade, entregando-o a Domingos Fulgêncio Machado que nos recebeu
com muita cordialidade.
Acácio Pinto
