Eduarda Senos e Clotilde Calisto: duas mulheres de Ílhavo no combate ao Estado Novo


Eduarda Senos e Clotilde Calisto não foram as únicas, outras mulheres houve, do concelho de Ílhavo, que se envolveram no combate ao Estado Novo.

Então qual o motivo para vos fala destas duas em particular?

Pelo simples motivo de que estas duas mulheres inspiraram duas das personagens que, juntamento com Júlio Correia da Rocha Calisto (que inspirou a personagem principal), percorrem grande parte do meu próximo romance a editar no verão, UM REPUBLICANO NA MIRA DA PIDE, neste ano em que se assinalam 100 anos sobre a passagem de Júlio Calisto pela Câmara Municipal de Ílhavo, como Presidente da Comissão Administrativa, ele que foi advogado, tendo nascido em Sátão em 1897 e falecido em Ílhavo em 1973.

E o que têm em comum estas duas mulheres? O facto de ambas terem combatido o Estado Novo durante várias décadas e sofrido, consequentemente, as agruras de um regime que não transigia com quem se lhe opunha.

Eduarda Senos foi a primeira mulher farmacêutica de Ílhavo. Ainda como jovem licenciada entra para a então Farmácia Cunha (anos 30) que nos anos 70, após a morte do anterior proprietário, passou a designar de Farmácia Senos. 

Dito isto, importa agora referir que Eduarda Senos foi uma republicana convicta e uma defensora dos ideais de liberdade, tendo estabelecido uma grande ligação com outros oposicionistas de Ílhavo, alguns deles referidos na informação da PIDE que aqui damos à estampa, o principal dos quais, no âmbito deste meu romance, Júlio Calisto. Eduarda Senos era casada com Manuel da Fonseca, professor no Porto.

Quanto a Clotilde Calisto, era a esposa de Júlio Calisto tendo acompanhado sempre o marido em todas as iniciativas políticas e sofrendo enormes dificuldades, algumas delas financeiras, que ficam reservadas para o romance, sobretudo aquando da prisão do marido em 1949 e 1962.

A informação da PIDE que apresentamos na foto (17.10.1957) foi efetuada a seguir ao comício que a oposição efetuou em Aveiro aquando das eleições para a Assembleia Nacional de 1957, por um informador da PIDE, que simulava ser amigo dos oposicionistas. Nessa sessão Júlio Calisto fez uma intervenção que haveria de ficar na memória de quantos lá estiveram.

Eis alguns dos presentes, referidos na informação: Eduiarda Senos, Clotilde Calisto, Júlio Calisto, Manuel Pato, Manuel da Fonseca, João Bizarro Teles (Casa Tricana), José Maria, António Catarino, Hilário Costa, Joõ Adamastor Silva, João Cesário Gonçalo, Joaquim Gravato, António Catarino, Joaquim Batista…

Acácio Pinto