São textos, senhor, são textos!
Parafraseio a resposta lendária ao rei D. Dinis, proferida
por Santa Isabel, para vos falar do mais recente livro de José Lapa, Textos Dispersos.
E porquê?
Por um óbvio motivo, aquilo que o artífice da palavra José
Lapa foi apanhado a distribuir pelos simples humanos foi pão. É pão que ele
reparte (que nos oferta) de cada vez que sai (felizmente tantas) da sua
concha de fermentação.
São nacos de si! Do seu ser em ebulição!
Transijo, se aos textos se acrescentar poéticos. Só textos,
não. Ou prosa poética. Lapa não sabe ser outra coisa que não um vate. Um construtor de
mundos. Um caminhador por trilhos ínvios. Nunca o encontrarão em estradas lisas! Em terrenos planos. Mas sempre a fazer cadabulhos!
Sim, este é um livro antológico. O autor logo nos previne. Uma
compilação, logo nos acrescenta o Rui. O Bondoso, que prefaciou. Sim, uma
incursão por territórios por desbravar. Ao lado dos amigos. Ao centro da Terra.
Em viagem. Ao lado do Pega. Carlos Almeida. Peixoto. João Pereira. Graça
Carvalho. António Ventura. Virgílio Rego. José Alfredo.
É um livro de palavras ditas. Muito mais do que escritas!
Mas também de luz e sombra. De impregnações na tela que cada um faz ao lê-lo.
Ao sorver. Ao comer e deglutir este seu pão. Maturado. Bem cozido. Com côdea.
De rilhar o sabor de palavras. Coribântico. De expressões. Estoica antecâmara
de iniciação.
É assim, José Lapa. Um peregrinador de infinitos que se
escondem em cada palavra. Nos carateres que um junco alberga e esconde. Um
devoto de altares partilhados.
No seu silêncio e na sua mansidão de escrita, Lapa junta neste livro nacos, suculentos, de alimento que não se esgota. Múltiplos nacos que já andaram por aí. Mas que são sempre perenes inícios. Partidas. Para vos trazer aqui Herberto ou Torga.
Parabéns.
TÍTULO – Textos Dispersos
AUTOR – José Lapa
EDITORA – cordel d’prata – janeiro de 2026
PÁGINAS – 114
