O Carteiro de Pablo Neruda não é um romance, é um poema!
Mas que bela história esta, que nos proporciona Antonio
Skármeta, com O Carteiro de Pablo Neruda.
Lê-se como um poema do princípio ao fim. A relação tão
ingenuamente bela entre Mário, o pescador que virou carteiro, e Pablo Neruda são de um incontido encanto com as
metáforas a estarem permanentemente ao serviço das inúmeras cenas da narrativa.
Sim, é uma história onde a política também assenta arraiais mas ao serviço do amor e da amizade. Leva-nos até ao Chile, até ao tempo da eleição de Salvador
Allende, em 1970, e termina com a tomada do poder pelos militares, em setembro
de 1973.
Traça-nos a difícil vida dos pescadores, das paixões à
primeira vista de jovens sonhadores. Do Nobel da Literatura que Neruda ganhou
em 1971 e da sua passagem pela embaixada do Chile em Paris.
Mas todos estes eventos de natureza política são circunstâncias de fundo onde se movem as personagens da ilha onde Neruda tinha a sua casa.
Este livro, baseado no romance Ardiente Paciencia, mais do que uma narrativa romanesca é um verdadeiro
poema de amor e de amizade.
TÍTULO: O Carteiro de Pablo Neruda
AUTOR: Antonio SKármeta
EDITORA: Editorial Teorema
PÁGINAS: 172
E qual a ligação deste romance com a Praia de Quiaios?
No dia 17 de agosto de 2025, foi exibido na Praia de
Quiaios, pela primeira vez em público, em Portugal, o filme “Ardiente Paciencia” que tinha sido realizado
por Skármeta e produzido por Henrique Espírito Santo em 1983.
As filmagens tinham decorrido na Praia de Quiaios, na
Murtinheira, em Quiaios, na Praia da Tocha e em Buarcos, precisamente na
primavera desse ano.
Com esta exibição fez-se justiça a um filme que havia sido rodado no nosso país e que foi alvo de inúmeros prémios internacionais: Grande Prémio de Melhor Filme e Prémio do Júri no Festival de Cinema Latino-Americano de Biarritz, 1983; Colón de Oro de Melhor Filme, Colón de Oro de Filme do Público e Colón de Oro de Melhor Interpretação Masculina no Festival de Cinema Ibero-Americano de Huelva, 1983.
