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| Justa de Teresa Villaverde |
O negro dos incêndios está por todo o lado. Até nos corações! Das personagens. E no viver de uma aldeia que não encontra a esperança. De uma vida que tarda em renascer.
Foi muita perda! De entes queridos! De familiares! E de bens,
em que os imateriais mais pesarão: como o de um viver em comunidade. Em família. Que não
mais regressará. Naqueles moldes.
É indizível. O peso da culpa. Carregada. Colada ao corpo.
Qual ferro em brasa. Uma culpa atirada em palavras de raiva. Ou só de revolta?
Contra tudo e contra todos.
E onde está o amor?
Nos gestos. Nas gramáticas de palavras por dizer. Nos silêncios
de tantas curvas da estrada. Com corpos. Gritos.
Nas cicatrizes de pessoas em luta por uma aurora de felicidade. Efémera?
Ou eterna? Nem que seja de uma ida ao cemitério ou de um salto para o centro
daquele fogo. De mulheres e homens inteiros. Que ali estão! Para ajudar. O
outro. Sendo eles próprios o seu semelhante. Pois todos se reveem no mesmo
espelho. E vestem a mesma roupa. A da ajuda. E do amor.
Supostamente, este filme de Teresa Villaverde que nos traz
cenas das consequências dos incêndios de 2017, alguns anos depois, não é isso. Não
é trágico. Não é dramático. Não é negro. Ou, embora sendo tudo isso, o que é
mesmo, é uma ode ao amor. Pelos ângulos de filmagem, pelos planos. Pelos
personagens. Pelo borbulhar de humanismo que se sente em cada gesto.
Título: JUSTA
Realizadora: Teresa Villaverde
Atores: Betty Faria; Filomena Cautela; Madalena Cunha;
Ricardo Vidal.
Produção e Distribuição: Alce Filmes
Coprodução: Epicentre Films (França), Le Fresnoy - Studio
National des Arts Contemporains (França), Micro Climat Studios (França)
Duração: 1h48
Ano: 2025
Recensão de Acácio Pinto
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