Partiu um amigo, mais um! Desta feita foi o Salomão Cruz, de Penalva do Castelo.
Conheci-o nos anos 80, quando eu tinha o jornal Gazeta de Sátão,
jornal com o qual ele colaborou durante vários anos, quando ele trabalhava nas
Finanças de Sátão
Bem me lembro da sua escrita de fina ironia. Por vezes
mordaz e acutilante. Com o mundo que o rodeava. Com a política e com os
políticos.
Recordo-me bem de alguns dos seus textos. Que publicávamos
na última página. Eram crónicas de se lhe tirar o chapéu. Da sua pena saíam
críticas em todos os sentidos. Certeiras.
Um excerto de uma das suas crónicas, que publicava sob o
título O Boato, de janeiro de 1988:
“…Os cargos de chefia
(alta chefia, entenda-se) que são ocupados por pessoas que não comem como nós,
nem bebem, têm que ser, na ótica governamental, substancialmente compensados
com aumentos entre os 40 e os 60%. Nós bebemos bagaço, eles bebem whisky, nós
bebemos tinto, eles bebem champanhe, nós comemos feijões, eles comem caviar,
nós comemos sardinha, eles comem lagosta. Ora, tudo isto tem que ser
compensado! Que demónio, as despesas também são maiores!...”
Conheci bem, igualmente, a sua costela humanitária. De uma
entrega permanente a uma causa que abraçou, os Bombeiros. Entregou-se de alma e coração. Mais do
que o comandante, ele foi sempre um bombeiro, mais um entre os demais. Altruísta.
Dedicado. E sempre alerta para socorrer os seus semelhantes. Para nos socorrer.
Fica-me dele a amizade. O olhar doce. Aquela figura esbelta e sem filtros. E ficam-me dele os seus escritos. Os seus livros. As suas rimas. Os textos com que ele nos brindou e que o perpetuarão!
Obrigado Salomão Cruz!
Daqui, deste lado, aquele forte abraço!
Sentimentos à família.
Acácio Pinto - 7 de janeiro de 2026
