Com o objetivo de assinalar o seu 157.º aniversário, a Filarmónica Quiaiense convidou a Filarmónica do Grupo Recreativo Mirandense para a realização de um concerto conjunto, neste sábado, dia 3 de janeiro, nas suas instalações.
Mas, para quem como nós ali foi para assistir ao concerto de
aniversário sob o subtítulo “Histórias de Portugal”, estava longe
de imaginar as sonoridades que iriam sair dos diversos naipes de instrumentos em
palco e da apresentadora, sob a batuta, alternada, dos maestros António Jesus,
Rui Lúcio e Alexandre Madeira e as ligações que iriam estar subjacentes à nossa
História.
Mas estiveram!
As peças musicais selecionadas proporcionaram aos presentes
uma longa viagem. Em que todos aprendemos. Em que nos foi proporcionada uma
emersão num passado mais ou menos distante do qual resultou o povo que hoje
somos. Em conjunto, músicos e público, fizemos uma viagem desde os tempos da
fundação da nacionalidade, da mourama e da interseção de culturas (Al Gharb –
de Carlos Amarelinho), até às viagens épicas por mares nunca dantes navegados
(Viagem do Gama – de João Carlos Sousa Morais), até às batalhas permanentes
entre portugueses e castelhanos, numa luta, de séculos, pela independência (A
Batalha das Linhas de Elvas – de Rui Lúcio), até ao dealbar da modernidade e à
abertura de novos mundos (A New World – de Fausto Santos) e terminando com uma
ode à alegria e à heroicidade dos portugueses (Gaudium – de Luís Cardoso).
Este concerto, que se anunciava como de aniversário, e foi,
foi também uma excelente aula de História de Portugal, em que os sons que saíam
daquele instrumental suculento se iam moldando aos momentos mais alegres ou
tristes, mais heroicos ou penosos, mais esperançosos ou desesperados.
Afinal, num concerto também se pode aprender a História de
Portugal.
Parabéns à Filarmónica Quiaiense, uma instituição com 157
anos de vida.
Acácio Pinto
