O Leitor de Dicionários: um romance que dá gosto ler de um fôlego!


Gratos a Virgínia da Silva Veiga pela recensão que publicou na sua página Facebook sobre o romance O Leitor de Dicionários e que de seguida reproduzimos.

EU, LEITORA, ME CONFESSO - A vida - vou já contar - tem surpresas muito interessantes. Uma delas foi Acácio Pinto. Ele próprio. O autor do “O Leitor de Dicionários”, o romance de que já lhes falo de seguida.

Licenciado em Geografia e em Direito, o autor tem um largo percurso de vida política que faria prever tudo menos imaginar um tal dom de escrita.

Quis o destino que nunca nos conhecêssemos até ao dia em que lhe chegou notícia de eu poder ter dados sobre a personagem do seu próximo romance. Pinto entrou em contacto comigo e acabou a enviar-me o “O Leitor de Dicionários”, um romance muitíssimo bem escrito, com uma cadência das que dá gosto ler de um fôlego, uma escrita por onde a enorme pesquisa histórica se atravessa sem perturbar a leitura, sem tirar aquele gosto de absorver as sensações das palavras sem sair do ambiente, que sempre se quer em romances, de os viver como quem vê um filme sem intervalos.

Magnífico romance que há muito devia estar na ribalta de todos nós, também pela total coerência na construção perfeita das diferentes personagens. É até difícil explicar como pode alguém escrever de forma a tornar tão vivas as figuras sem quase as descrever.

O resto? O resto é um surpreendente final onde lamento, para não estragar surpresas, não poder explicar aqui como Acácio Pinto inventa uma forma de escrever sobre si próprio, sem o fazer, protagonizando o lançamento do seu próprio livro, num golpe brilhante de invenção romanesca que me trouxe à memória, embora sem paralelo, apenas pelo lado genial, Machado de Assis e as suas “Memórias Póstumas de Brás Cubas”.

Meus senhoras e minhas senhoras, premiado, este romance não pode continuar conhecido só de alguns. Comprem e leiam. É conselho. É mesmo. Confesso, há muito que não lia uma obra tão bem estruturada em tudo.

Até a capa empresta um toque de perfeccionismo ao imitar a grafia do velho dicionário da Porto Editora.

(Partilhar talvez seja uma boa recompensa para um autor cuja maior vaidade é não a ter).