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Fotos: Farol da nossa terra |
«Cerca de duas mil pessoas participaram hoje no funeral de
Cátia Pereira Dias, 20 anos de idade, bombeira da corporação de Carregal do
Sal, que morreu na passada quinta-feira num incêndio em São Marcos/Muna, na
zona de Santiago de Besteiros, concelho de Tondela.
As cerimónias religiosas tiveram início às 11h00 [dia 31 de agosto] com a
celebração de missa de corpo presente no salão polivalente do quartel dos
Bombeiros Voluntários da própria corporação, onde a urna com as cinzas cremadas
estiveram em velório desde as 20h00 de ontem. Presidiu-a o bispo de Viseu, D.
Ilídio Leandro, em concelebração com sete padres de diferentes arciprestados,
incluindo os párocos José Fernando, Ramiro Ribeiro e Álvaro Arede, do
arciprestado de Carregal do Sal.
O salão encheu por completo, sem poder acolher toda a gente
que compareceu para prestar homenagem à inditosa bombeira, ficando centenas de
pessoas no exterior do mesmo. Entre as individualidades presentes, ocuparam
lugar de destaque Miguel Macedo, ministro da Administração Interna, Atílio
Nunes, presidente da Câmara Municipal de Carregal do Sal, Jaime Soares,
presidente da Liga dos Bombeiros Portugueses, Manuel Mateus, presidente da
Autoridade Nacional de Protecção Civil, Pedro Lopes, director nacional de
Bombeiros da Autoridade Nacional de Protecção Civil, José Ferreira, presidente
da Escola Nacional de Bombeiros, Rebelo Marinho, presidente da Federação dos
Bombeiros do Distrito de Viseu, e os deputados Acácio Pinto e João Figueiredo.
No final da celebração da missa, o poeta e historiador
carregalense Hermínio Cunha Marques leu um poema de sua autoria, intitulado
“Bombeiros Voluntários também choram”, entregando depois uma cópia a cada uma
das citadas individualidades.
Como se previa, o funeral esteve rodeado de grandiosa
manifestação de solidariedade e pesar, movimentando gente de todo o concelho e
de muitos pontos do país, assim como numerosa representação de corporações de
bombeiros, juntando-se também representações da GNR e da Delegação da Cruz
Vermelha Portuguesa, autarcas locais e de outros concelhos, entre estes Carlos
Marta, presidente da Câmara Municipal de Tondela, e João Ataíde, presidente da
Câmara Municipal de Figueira da Foz.
O início do cortejo fúnebre, a pé e com a urna transportada
a ombros por bombeiros, foi assinalado com uma forte salva de palmas, seguindo
em extensas filas de gente até ao cemitério da freguesia de Currelos (Carregal
do Sal), de tal forma que ainda ali entrava gente quando a urna já descia à
cova, também devido ao facto de o cemitério dispor apenas de uma entrada, o que
dificultou o acesso de tanta gente, optando muitas pessoas por ficar de fora e
observar por cima dos muros.
Na descida do corpo à terra a sirene do quartel dos
Bombeiros fez-se ouvir, numa última homenagem a Cátia Pereira Dias. A mãe, em
pranto, não resistiu à dor e à emoção e tombou desmaiada, sendo então
transportada a uma ambulância para receber assistência médica.
“Perdemos uma grande colega, pessoa muito justa, uma grande
amiga, solidária, muito voluntária, e o Corpo de Bombeiros está a chorar esta
perda, mas juntos vamos ultrapassar esta fase e tocar a vida para a frente,
porque a população precisa de nós, e todos os bombeiros vão estar certamente
unidos neste momento difícil que nos bateu à porta” – disse Miguel David,
comandante dos Bombeiros Voluntários de Carregal do Sal, ao Farol da Nossa
Terra.
Por sua vez, António Queirós, presidente da Direcção desde
Maio deste ano, altura em que substituiu o anterior presidente, por este ter
emigrado para o Canadá, afirmou: “Estamos a viver um momento profundamente
difícil, em que a união de todos os elementos do Corpo Activo, da Direcção e de
todos os órgãos sociais é fundamental para que consigamos levar a bom porto o
trabalho que temos vindo a fazer ao longo deste último tempo. Temos esperança
nos outros bombeiros, que tudo corra pelo melhor, porque era muito importante
para nós a recuperação destes três elementos e de modo a criar um bocado de
força anímica ao resto dos colegas, que estão, como é visível, também
destroçados”.
Quanto à presença das individualidades e de tanta gente,
referiu António Queirós: “É lógico que nos sentimos confortados quando os
outros amigos vêm até nós, qualquer gesto de solidariedade é importante neste
momento. Para além das pessoas que nos visitaram, há ainda as chamadas que
recebemos, os e-mail e os fax que nos chegaram, foi uma catadupa de emoções”.
Também ouvido pelo Farol da Nossa Terra, após o funeral,
disse Atílio Nunes, presidente da Câmara Municipal: “Isto comoveu-me muito.
Nunca senti em 24 anos de mandato tanto sofrimento como o que sofri estes dias.
Já me morreu o pai, já me morreu a mãe, pessoas de família, amigos, mas isto
marcou-me mais”.
As esperanças e as preces estão agora centradas na
recuperação dos colegas da Cátia hospitalizados em estado grave, envolvidos no
mesmo trágico incêndio do Caramulo. “Vamos ter esperança de que as coisas
corram pelo melhor” – sustentou o comandante Miguel David.»
(Texto e fotos: FAROL DA NOSSA TERRA)