As intermitências do IP 3, entre Viseu e Coimbra

 


Ligando os distritos de Coimbra, Viseu e Vila Real, o IP 3 tinha como pontos limites a Figueira da Foz e Vila Verde da Raia.

Face a vicissitudes várias, de que não importa agora discorrer, só os seus extremos, a Norte e a Sudoeste estão, neste momento, transformados em autoestradas, respetivamente, A24, entre Vila Verde da Raia e Viseu, e A14, entre Coimbra e a Figueira da Foz. O traçado restante, entre Viseu e Coimbra, afinal o troço mais importante do IP3 em termos de tráfego, é uma aberração, uma autêntica ‘via estreita’, envolvida, há anos sem fim, num discurso que tresanda a bafio.

Este troço, Viseu-Coimbra, ora morre, ora vive, ora é para fazer ora não é. Ora é adulado ora é vilipendiado. Ora é autoestrada ora é assim-como-está-com-uns-fundilhos-novos. Ora vai terminar a Anadia ora vai para Coimbra ou para Condeixa. Ora também conta com a requalificação do IC 12 ora não. Ora tem pontes e túneis ora tem sabe-se-lá-bem-o-quê.

Ora, este troço, morto ou vivo, vá por um lado ou vá pelo outro, tenha duas ou três faixas, tem defensores (pasme-se!) e opositores, só que os defensores e opositores de hoje foram ontem o seu contrário. Ou seja, a turbamulta é a mesma, só muda de campo conforme se muda de cor no Terreiro do Paço.

E se há localidade que sabe bem daquilo que eu estou a falar é Mortágua. Que o diga a torre altaneira do edifício da Câmara Municipal, que está exausta de ouvir promessas e compromissos, alguns gravados na sua parede: de primeiros-ministros, de ministros, de presidentes das Infraestruturas de Portugal, de presidentes da CCDRC, de tantas figuras e figurantes de Viseu e de Coimbra, dos quais não me excluo, que não deveria haver quem não sentisse (se consciência tiver!) uma réstia de vergonha perante tanta palavra vã e tamanho abandono a que este troço e, concomitantemente, este território e as suas gentes têm sido votados.

Não sei se é com um manguito ou com outra coisa qualquer que se deve mostrar a indignação, só sei que aquilo que temos não pode merecer uma pinga que seja da nossa estima. E se a algum cidadão restar qualquer dúvida daquilo que aqui se afirma, faça o favor de efetuar uma viagem por aquela montanha russa, emparedado por muros de betão! Ou então pense nas inúmeras pessoas que ali já tombaram!

Face a tudo quanto precede, dois humildes conselhos: i) o Estado Português não deveria falar mais sobre a ligação Viseu-Coimbra enquanto a mesma não estivesse concluída com perfil de autoestrada; ii) os papagaios, todos, deveriam ter vergonha e poupar os nossos ouvidos aos seus silvos estrídulos!

Acácio Pinto março de 2024