Os campos de margaças são uma das maravilhas de março
No mês de março, mês do equinócio da primavera, época em que
a natureza se começa a cobrir de flores, os campos da Beira Alta enchem-se de
margaças, cobrem-se de branco. É o prenúncio do amanho das terras para as
culturas de verão.
Era eu miúdo e bem me lembro de que era nesta época que se
começavam a lavrar os terrenos e toda aquela altura se finava, acabando
enterrada nas leivas sulcadas pelos arados puxados por indolentes vacas
castanhas. Era o sacrifício da beleza das margaças em benefício da fecundação
da terra que, em compensação, devolvia mais e melhores colheitas no final do
verão.
Pois bem, o ciclo, esse movimento perpétuo (até um dia!),
continua e foi com especial gosto que, neste mês de março de 2024, revi a
alvura desses campos de outrora, com as margaças a conferirem aos terrenos da
minha aldeia a alvura da neve, que, entretanto, deixou de ali assentar
arraiais. Brevemente as charruas, agora dos tratores, ofertarão ao ventre da
terra esta gulodice tão suculenta e o ciclo reinicia-se.