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A mostrar as mensagens que correspondem à pesquisa de Ílhavo

Jornais de Ílhavo de há 100 anos: O Ilhavense, Beira-Mar e O Nauta

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  Esta breve crónica vem a propósito de uma pesquisa que estou a desenvolver e que levará à escrita e publicação, durante este ano, de um romance histórico biográfico a editar por Letras e Conteúdos . A inspiração da narrativa centra-se numa personalidade que não sendo natural  Ílhavo  lá passou a maior parte da sua vida. E foi nessa investigação que me confrontei com o facto de, nos anos 20, mais concretamente, em 1926, existirem no concelho três jornais com edição regular, o que reputo de muito relevante e diz bem do dinamismo social, cultural e político de Ílhavo, nessa época em que se passam algumas das cenas de tal narrativa.  Falamos, pois, de O Ilhavense , dirigido por José Pereira Teles, Beira-Mar , com dois diretores, Cesário da Cruz e Guilhermino Ramalheira, e O Nauta , cujo diretor era Procópio D’Oliveira. Cada um deles, não o escondia, bastará ler as respetivas edições, tinha as suas idiossincrasias e os seus alinhamentos políticos a nível local e nacio...

As peripécias de um PIDE no comício de Ílhavo de apoio a Humberto Delgado

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Cineteatro Atlântico (Foto: Ílhavo Antigo) Nos arquivos da PIDE, sob a epígrafe de Júlio Calisto*, encontrámos diversos pormenores relativos à campanha presidencial de 1958, que opôs o contra-almirante Américo Tomás ao general Humberto Delgado. Quiçá, este foi o tempo mais intenso que a oposição viveu durante os 48 anos de ditadura. O regime, face à onda de apoio popular que granjeava Humberto Delgado, viu-se obrigado a tomar medidas de emergência (censura, prisões e fraudes) para que o seu candidato, Américo Tomás, saísse vitorioso das eleições que estavam marcadas para o dia 8 de junho. Mas vamos, concretamente, a algumas peripécias que se passaram em Ílhavo. Sob a liderança de Júlio Calisto, o advogado que integrava a comissão distrital e nacional de apoio ao general, os oposicionistas locais avançaram para a organização de uma sessão de propaganda no Atlântico cineteatro no dia 3 de junho, à noite. Com o auditório completamente cheio, com uma adesão nunca vista nas inicia...

Júlio Calisto: "Um Republicano na Mira da PIDE"

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  Chegou o momento de revelar o nome do republicano que une os concelhos de Sátão e o de Ílhavo. Trata-se de Júlio Correia da Rocha Calisto, um democrata e republicano que inspirou o meu próximo romance, de feição histórico-biográfica, UM REPUBLICANO NA MIRA DA PIDE , a ser lançado no verão, por ocasião do centenário da sua passagem pela presidência da Câmara Municipal de Ílhavo — mais rigorosamente, Comissão Administrativa da Câmara Municipal. Não vou revelar alguns dos episódios, muitos verdadeiramente inauditos, relacionados com esta personalidade que, tendo nascido no lugar do Tojal, concelho de Sátão, em 23 de agosto de 1897, faleceu em Ílhavo, em 4 de agosto de 1973, onde fez toda a sua vida adulta e onde exerceu a atividade profissional como advogado, a partir de finais de 1923, ano em que tinha concluido a sua licenciatura em Direito na Universidade de Coimbra. Está claro que a sua vida foi feita de uma intensa ação política em Ílhavo e na região de Aveiro, que se inici...

Faz hoje 57 anos que Mário Sacramento foi a sepultar

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  Após a morte o trair no dia anterior, Mário Sacramento foi a sepultar no Cemitério de Aveiro no dia 28 de março de 1969. Tinha em mãos a organização do II Congresso Republicano de Aveiro que iria ter lugar no Teatro Aveirense nos dias 15, 16 e 17 de maio desse ano. Nessa altura Salazar agonizava desde a queda, no dia 3 de agosto do ano anterior, da cadeira de lona no Forte de Santo António da Barra, no Estoril. Vem esta crónica a propósito do meu próximo romance histórico-biográfico UM REPUBLICANO NA MIRA DA PIDE (em fase final de revisão), cuja personagem principal, Júlio, foi inspirada em Júlio Correia da Rocha Calisto , advogado, e que travou muitas lutas em Ílhavo e na região de Aveiro ao lado de Mário Sacramento, que no romance inspirou a personagem Mário. Hoje vou partilhar convosco a cena em que surge ainda a personagem Álvaro, que foi inspirada em Álvaro José Pedrosa Curado de Seiça Neves, filho de Manuel das Neves, que falecera a 31 de janeiro de 1965. Eis a cena: ...

Polémica em Ílhavo, em 1931, visando Júlio Calisto

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    Em primeiro lugar importa dizer quem foi JúlioCalisto (1897-1973). Foi advogado, com escritório em Ílhavo, tendo desempenhado, há 100 anos — de julho a outubro de 1926 — as funções de Presidente da Comissão Administrativa da Câmara Municipal de Ílhavo. Vamos então à polémica que o visou em 1931. Corria o mês de abril quando Júlio Correia da Rocha Calisto foi alvo de um ataque violentíssimo no jornal O Ilhavense , de que era diretor José Pereira Teles. Um ataque à sua honra e à sua honorabilidade. Atente-se desde logo no título do artigo que não era assinado: “Um Burlão”! E depois no conteúdo: “um bacharel em leis” que vive de “expedientes e de patifarias”. E acrescentava ainda que o visado falsificava os valores de letras que as pessoas lhe entregavam para cobrança, aumentando-os, para se pagar indevidamente. Foi exatamente assim que o articulista escreveu na edição de 12 de abril de 1931 de O Ilhavense . Face ao que precede, estarão já a pensar: o caso acabou...

Eduarda Senos e Clotilde Calisto: duas mulheres de Ílhavo no combate ao Estado Novo

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Eduarda Senos e Clotilde Calisto não foram as únicas, outras mulheres houve, do concelho de Ílhavo, que se envolveram no combate ao Estado Novo. Então qual o motivo para vos fala destas duas em particular? Pelo simples motivo de que estas duas mulheres inspiraram duas das personagens que, juntamento com Júlio Correia da Rocha Calisto (que inspirou a personagem principal), percorrem grande parte do meu próximo romance a editar no verão,  UM REPUBLICANO NA MIRA DA PIDE , neste ano em que se assinalam 100 anos sobre a passagem de Júlio Calisto pela Câmara Municipal de Ílhavo, como Presidente da Comissão Administrativa, ele que foi advogado, tendo nascido em Sátão em 1897  e falecido em Ílhavo em 1973. E o que têm em comum estas duas mulheres? O facto de ambas terem combatido o Estado Novo durante várias décadas e sofrido, consequentemente, as agruras de um regime que não transigia com quem se lhe opunha. Eduarda Senos foi a primeira mulher farmacêutica de Ílhavo. Ainda co...

Aspetos do 5 de outubro em Ílhavo, no Estado Novo

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  Ílhavo sempre foi uma terra onde, durante o Estado Novo, os valores da liberdade e da democracia tiveram muitos apoiantes. Íntegros e inteiriços. Combatentes pela liberdade. Lutadores pela superior causa da dignidade das pessoas. Vem isto a propósito do dia de hoje, em que se assinala a implantação da República, que ocorreu em 1910. Durante os 48 anos do Estado Novo, os apoiantes de Salazar assinalavam este dia (eufemisticamente, diga-se), uma vez que tal data representava o dealbar do regime republicano e o mínimo era não o violentar. Já para os opositores, comemorar o 5 de outubro era em si mesmo um ideário de luta pelos valores que inspiraram os republicanos que tinham derrubado a monarquia: voto universal e livre, direitos sociais, alfabetização... E, portanto, com este enquadramento, através da PIDE, o regime vigiava, com particular acuidade, todos aqueles que eram tidos como sendo do reviralho (comunistas e ditos republicanos), ou seja, os opositores do regime. Assi...

Também em Ílhavo, obviamente, houve fraude eleitoral nas presidenciais de 1958

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  Assinalam-se hoje, dia 8 de junho, 68 anos sobre as eleições presidenciais de 1958, que opuseram o general Humberto Delgado ao contra-almirante Américo Tomás. Foram tempos de esperança, em que a oposição, unindo-se em torno do general, obteve apoios dos mais diversos quadrantes sociais e políticos. As iniciativas de campanha em todo o país, a começar pelo Porto, no dia 14 de maio, e por Lisboa, no dia 18 de maio, Viseu, Aveiro e tantas outras, estavam condenadas ao sucesso. Eram, sempre, milhares e milhares de pessoas que acorriam aos comícios e às manifestações para aclamar o candidato que, sem medo, dissera “obviamente demito-o”, dirigindo-se a Salazar. Perante estas circunstâncias, as campainhas de São Bento soaram e havia que tomar medidas. A vitória do contra-almirante não poderia correr riscos. Instruiu-se a censura para impedir publicações nos jornais sobre os comícios de Humberto Delgado, ordenou-se à PIDE para prender, a eito, os oposicionistas e impediu-se a devid...

O povo de Ílhavo rendeu-se ao filme Playback!

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  Se dúvidas houvesse de que Carlos Paião, uma lenda da música ligeira portuguesa, pertencia ao coração do povo de ílhavo (sim, do povo!), bastava ter assistido à genuína e longa ovação que, no final da antestreia do filme Playback , as 500 pessoas que enchiam o auditório da casa da Cultura de Ílhavo, lhe proporcionaram! Arrepiante! Para todos! Para mim, sobremaneira, que sendo natural de longe, ali estava no meio daquela gente com cheiro a maresia e me senti mais um entre eles. A aclamação, naquele contexto, dir-se-ia que foi para o Rafael Ferreira (o ator que o interpretou, tão bem!) e para toda a equipa, porém, verdadeiramente, a explosão foi para o Carlos. O Paião. O médico que quis ser cantor. Letrista e compositor. O artista das palavras e das melodias. O construtor da Cinderela . Bem me lembro desse fatídico dia em que uma curva na estrada lhe ceifou a estrada da vida. E a mim, a nós, aos da minha geração, que o adorávamos, ficámos pela agreste amargura de, nessa noite...

Sátão e Ílhavo: dois concelhos unidos por "Um Republicano na Mira da PIDE"

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No próximo verão será dado à estampa o meu novo romance que, neste momento, está em fase de revisão. E para abrir o apetite nada melhor do que levantar um pouco do véu dessa narrativa histórico-biográfica, cujo título será Um Republicano na Mira da PIDE . A personagem principal tendo nascido no “ logar do Tojal da freguesia de Villa d’Egreja ”, concelho de Sátão, em 23 de agosto de 1897, onde viveu até ao início da juventude, fez a sua vida, daí em diante, em Ílhavo, onde veio a falecer em agosto de 1973, estando os seus restos mortais sepultados no talhão 1 do cemitério local. Tendo vivido na Rua de Alqueidão e mais tarde na Rua Frederico Cerveira, em Ílhavo, este cidadão licenciou-se em Direito no ano de 1922-1923 na Universidade de Coimbra.  Com escritório em Ílhavo (primeiro na Rua Serpa Pinto e depois na Rua Arcebispo Pereira Bilhano) e em Aveiro (na Rua Direita) este advogado atravessou todo o Estado Novo, regime que combateu juntamente com muitos outros democratas da r...

Ílhavo | Conferência de Mário Sacramento sobre Fernando Namora foi há 59 anos

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  Faz hoje 59 anos,, Mário Sacramento efetuou no Illiabum Clube de Ílhavo uma conferência subordinada ao título “Fernando Namora, a Obra e o Homem” que, nesse mesmo ano, haveria de vir a ser publicada em livro, com o mesmo título. A conferência, que teve lugar no dia 28 de abril de 1967, apesar do seu cariz literário, acabou por ter uma vigilância apertada por parte da PIDE que, inclusivamente,  produziu um relatório detalhado sobre tudo o que se lá se passou. Em primeiro lugar disse que “quem teve de fazer a apresentação [do conferencista] foi o engenheiro João Senos da Fonseca, filho da Dr.ª Eduarda Senos”, uma vez que, segundo o informador “não conseguiram arranjar apresentador, porque todos a quem se dirigiram recusaram a incumbência”. Igualmente é referido que “embora não se tratasse de assunto político, num ou noutro passo, o conferencista deu as suas piadas ao atual regime”. Depois o vigilante da PIDE que se identificava como “Alegre” (nome de código), dizendo que...

Marginal: mais do que um livro de poemas, é uma filosofia de vida

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  Foi uma agradável surpresa conhecer Vieira da Silva também na sua vertente de poeta através do seu livro de poemas Marginal . Conheci-o, em primeira instância, há uns meses, durante as pesquisas que andava a fazer sobre o protagonista que inspira o meu próximo romance, Júlio Correia da Rocha Calisto, que foi advogado e residiu em Ílhavo. E foi nesse contexto de buscas e mais buscas em jornais que dei de caras, na edição do Diário de Lisboa de 17 de agosto de 1969, com o título “Jovem de Ílhavo foi o Vencedor do I Festival de Música Popular Portuguesa”. Fui ler e o jovem de Ílhavo era Vieira da Silva. Esgaravatei mais um pouco e percebi que ele foi um dos grandes cantores e compositores de música de intervenção, ainda como estudante de Medicina, tendo, inclusivamente, o seu primeiro disco, de muitos, sido apreendido pela PIDE em novembro desse mesmo ano. Depois deu-se o caso de eu publicar um artigo em que referia vários opositores de Ílhavo ao Estado Novo, um dos quais Joã...

A Fábrica da Vista Alegre é um dos lugares centrais do novo romance de Acácio Pinto

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  Como não podia deixar de ser, a Fábrica da Vista Alegre, uma instituição bicentenária de Ílhavo, tem uma grande centralidade no romance histórico-biográfico UM REPUBLICANO NA MIRA DA PIDE .  Entre outras coisas, tal centralidade advém do facto de a oposição querer sensibilizar os trabalhadores para os seus direitos. Por todas as vias os principais opositores do regime tentavam trazer para as suas hostes aqueles que diariamente ali laboravam, incentivando-os a exigirem melhores condições salariais e de trabalho e participarem nos seus comícios. À frente da oposição no concelho de Ílhavo, nesse tempo, estavam, entre outros, Júlio Calisto, Mário Sacramento, Eduarda Senos, José Gouveia e Joaquim Batista (Escalda). Estes oposicionistas tudo faziam para fazer chegar aos trabalhadores da fábrica os panfletos da oposição e até os jornais contra o regime, nomeadamente, o Avante . A principal porta de entrada para os operários eram, sobretudo, os escriturários, mas também os des...

Excerto do romance “Um Republicano na Mira da PIDE”

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  A propósito do III Congresso da Oposição Democrática que teve lugar no Cineteatro Avenida, em Aveiro, de 4 a 8 de abril de 1973, partilhamos hoje um excerto do romance Um Republicano na Mira da PIDE  (a publicar no verão deste ano) onde tal congresso é referido e onde a personagem principal, Júlio (inspirada em Júlio Calisto), se deslocou.  Eis o excerto: (…)  A sua [de Júlio] presença em Aveiro, no Cineteatro Avenida, aquando do III Congresso da Oposição Democrática, onde ele, embora adoentado, se deslocou nos dias 7 e 8 de abril, foi seguida pelos agentes da PIDE que se encontravam disseminados pela cidade em missão de vigilância dos oposicionistas presentes. — Então o que te traz por aqui, Eduarda? — perguntou o advogado à sua amiga, com ar abatido e cansado, após lhe abrir a porta e a mandar entrar. — Fui ali levar uns medicamentos e, de passagem, decidi ver se a Clotilde estava por casa — respondeu-lhe ela, mentindo quanto à causa, pois fora ali propo...

O que é que uma Casal Boss tem a ver com a distribuição do Avante, em Ílhavo?

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  Durante o Estado Novo os subterfúgios utilizados pelos oposicionistas eram inúmeros para contornarem a vigilância da PIDE. Diga-se, em abono da verdade, que o inverso era igualmente verdadeiro. Vem esta crónica a propósito da distribuição do jornal Avante no concelho de Ílhavo, antes do 25 de abril, em que era utilizada a motorizada Casal Boss que se encontra na foto. Os protagonistas foram dois ilhavenses a quem vou chamar de Tenreiro e Álvaro, embora os pudesse designar com outros nomes, pois tantos foram aqueles que desenvolveram um intenso e perigoso trabalho em prol da conquista da democracia e da liberdade. Tenreiro era um ativo comunista, funcionário público na vila, que recebia pelo seu controleiro os materiais e a linha política dimanada do Comité Central. Tudo lhe chegava depois de um ritual de senhas e de contrassenhas devidamente combinadas. A ele, localmente, cabia-lhe tentar alargar a influência e angariar mais pessoas para a causa. Foi o que Tenreiro fe...

Duas notas pitorescas sobre o romance Quando os Lobos Uivam

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  Foi recentemente lançada, em Barrelas , mais uma reedição do romance Quando os Lobos Uivam , de Aquilino Ribeiro, obra que contou com o apoio da respetiva autarquia. É por isso que quero, desde já, saudar o Município de Vila Nova de Paiva, na pessoa do seu presidente, Paulo Marques, ou não fosse esta uma obra, um legado de Aquilino ao povo das Terras do Demo. Às gentes serranas, de rija têmpera, às mulheres e aos homens inteiros e inteiriços. Que não se vergaram. Que não se vergam. Que lutaram e lutam contra poderes instalados. É neste contexto que não resisto em falar-vos de dois episódios com ligações a este romance. O primeiro remonta aos tempos de estertor da ditadura. Do Estado Novo. Li o livro Quando os Lobos Uivam na minha aldeia. Na Rãs, concelho de Sátão. Estava eu prestes a fazer 15 anos. Li-o por empréstimo do meu primo Gaspar. Um oposicionista dos quatro costados que me entregou o livro embrulhado em folhas de jornal. E foi por isso, por esse e outros emprést...

O PIDE que passou o dia a transportar pessoas para o comício de Humberto Delgado

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   A campanha presidencial de 1958 foi dos momentos mais empolgantes que a oposição viveu durante o Estado Novo. A candidatura do general Humberto Delgado despertava um entusiasmo vibrante no povo — ainda mais evidente depois da desistência de Arlindo Vicente. Em cada aparição pública, como Delgado, que parecia ter magnetismo, atraía mais e mais gente, as hostes de Salazar começaram a ficar apreensivas. Havia que fazer alguma coisa para que a eleição do contra-almirante Américo Tomás, o candidato do regime, não corresse riscos. Mas vamos ao caso de que vos quero falar hoje, que teve a ver com o comício que Humberto Delgado levou a cabo no dia 24 de maio, em Aveiro, no Teatro Aveirense, iniciativa que mobilizou todos os opositores da região e que contou com a colaboração, a contragosto, de um informador da PIDE. “Alegre”, que se passava por oposicionista, mas que, de facto, não era mais do que um infiltrado no seio da oposição de Ílhavo, outro remédio não teve do que bebe...

Nossa Senhora do Pranto: Uma exposição para memória futura

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  “Para memória futura” é uma expressão muito em voga de há alguns anos a esta parte, sobretudo quando se trata de ouvir pessoas cujos testemunhos sejam relevantes para regressarmos a tempos que já lá vão. Pois bem, foi o que fizeram João Parracho e Pedro Esteves com a exposição "Senhora do Pranto: Gentes de Fé e Memória de Ílhavo", relativa à festa a Nossa Senhora do Pranto que anualmente se realiza no Cimo de Vila em Ílhavo, a 15 de agosto. Munidos das suas objetivas dispararam nas direções que as suas sensibilidades lhes ditaram e, vai daí, deram à estampa uma exposição fotográfica que pode ser vista no Centro de Religiosidade Marítima de Ílhavo, nas imediações da Igreja Matriz. E a valia e dimensão da exposição está no suporte físico que podemos observar nos expositores? Também, mas sobretudo estará na digitalização que deste trabalho não deixará de ser feito por forma a guardarmos para memória futura a luz e a sombra captadas: o arco NSP, altaneiro; o andor, aben...

O PIDE que recebeu como leitura de férias o romance “Quando os Lobos Uivam”

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  Crónica publicada no Diário de Aveiro de 29 de junho de 2026. O romance Quando os Lobos Uivam , de Aquilino Ribeiro, que tinha por pano de fundo a brutalidade do Estado Novo contra as populações rurais, chegou aos escaparates em 1958. Porém, não demorou muito até que os censores tratassem de o condenar ao fogo do inferno. O ‘crítico literário’ de serviço para essa empreitada escreveu em fevereiro de 1959 que “ o autor intitula este livro de romance, mas com mais propriedade deveria chamar-lhe de romance panfletário, porque todo ele foi arquitetado para fazer um odioso ataque à atual situação política ”. E acrescenta ainda o relator sobre a obra: “ Escrito numa prosa viril, classifica o governo de piratas e descreve várias Autoridades, Funcionários, Polícia, Guarda Republicana e Tribunais em termos indignos e insultuosos ”. Ora, face a esta inequívoca litania (de que aqui só deixei dois excertos) os exemplares ainda por vender foram apreendidos e Aquilino Ribeiro foi alvo d...