Confiança, alternativa, inovação, dignidade e rigor são
cinco substantivos que sintetizam a essência do cenário macroeconómico
apresentado pelos economistas independentes e que dará forma ao programa de um
futuro governo socialista. Um compromisso avaliado, testado e credível.
Esta a ideia sublinhada pelo secretário-geral, António
Costa, numa conferência de Imprensa na qual esclareceu que o cenário
macroeconómico “não é a bíblia”, nem os economistas liderados por Mário Centeno
“são os apóstolos”, mas o relatório é uma “etapa” para a concretização do
programa eleitoral, a ser conhecido a 6 de junho. "Estas medidas inspiram
e vão motivar a elaboração do programa do Governo e não posso antecipar a
avaliação que os órgãos do PS farão do conjunto deste relatório [cenário macroeconómico]",
vincou, acrescentando que o relatório apresentado por Mário Centeno “não cobre
todas as áreas do Governo”, já que dele não constam medidas em sectores como a
Defesa Nacional ou a Segurança Interna.
“Nem sequer tem medidas sobre todas as áreas económicas.
Este relatório define um quadro macroeconómico, que nós respeitaremos, e é
dentro desse quadro que trabalharemos na elaboração do programa do Governo”,
declarou.
Depois, considerou que o principal desafio que está colocado
no debate democrático reside na credibilização dos compromissos políticos
assumidos.
Neste ponto, esclareceu que, ao convidar um grupo de
economistas para elaborar um cenário macroeconómico para os próximos quatro
anos, o PS quer também credibilizar as suas propostas, “reforçando assim a
confiança dos cidadãos na escolha da alternativa apresentada”.
O líder socialista defendeu depois que os portugueses estão
cansados da ideia de serem governados por modelos macroeconómicos, sendo por
isso fundamental acabar com essa visão do mundo e “reafirmar o primado da
política”.
“Mas reafirmar o primado da política não significa desprezar
o valor do rigor e o valor da sustentabilidade das políticas a apresentar,
assim como a seriedade dos compromissos assumidos”, alertou, lembrando que “o
programa de Governo que apresentaremos a 6 de junho tem ainda de passar pelo
teste deste modelo operacional de simulação e de avaliação das políticas a
propor”.
Na apresentação do relatório, António Costa defendeu
igualmente a ideia de que o estudo apresentado prova que “há alternativa às
políticas que têm sido prosseguidas e que é possível virar a página da
austeridade”.
"Este relatório demonstra que, com outras políticas e
virando a página da austeridade, é possível obter melhores resultados
económicos e melhores resultados quer do ponto de vista orçamental, quer ao
nível da trajetória da dívida. O final deste exercício [2019] demonstra que o
país pode crescer a uma média de 2,6%, alcançando um défice final de 0,9 e
tendo um rácio da dívida no PIB (Produto Interno Bruto) melhor do que aquele
que está previsto”, sustentou.
A concluir, o secretário-geral do PS reafirmou não haver
razões para continuar a prosseguir “políticas erradas que têm produzido
resultados errados”.
“Neste relatório não está previsto nenhum novo corte das
pensões, assim como não está previsto que seja necessário esperar pelo final da
próxima legislatura para eliminar a sobretaxa do IRS ou para a reposição
integral dos vencimentos dos trabalhadores do sector público. É preciso
acelerar essa reposição e regressar à normalidade”, rematou.
Relatório "UMA DÉCADA PARA PORTUGAL" - AQUI
Apresentação do relatório - AQUI
(www.accaosocialista.pt)