Artigo de opinião que publiquei hoje no OBSERVADOR:
«Na política como na vida as pessoas devem “vestir” os fatos
em que se sentem confortáveis.
Pois bem, “vestir” os seus fatos, ser genuíno, tem sido a
fórmula e a forma de António Costa se pautar na vida, ao longo do tempo, logo
na política. E isto faz toda a diferença quando os portugueses vão ter de fazer
opções, daqui a meio ano, sobre a liderança do próximo governo.
Insensível aos televisivos “pregadores” laranja e ao
ministro da propaganda social-democrata, António Costa definiu os seus tempos,
planeou os seus conteúdos e definiu os seus cronogramas de ação que, pelos
vistos, continuam a incomodar muita gente.
E vai daí, nos dias 31 de março e 1 de abril, António Costa
despediu-se, respetivamente, da assembleia municipal e da câmara municipal de
Lisboa e no dia 6 de abril Fernando Medina foi empossado como o novo presidente
do município.
Foram todos eles atos simples, mas carregados de grande
emoção, depois de, quase, oito anos (agosto de 2007 a março 2015) à frente dos
destinos da câmara municipal de Lisboa, uma câmara que mais não era do que o
“império” da desgovernação, do caos. Foram anos intensos, anos de trabalho
duro, estes de António Costa e dos seus colaboradores, anos, porém, que valeram
pelo desiderato de ter devolvido a dignidade e a credibilidade públicas ao
município lisboeta, após cinco anos e meio de descontrolo político e financeiro
operado pela direita, por Santana e Carmona.
De nada valeu aos catequistas do regime as horas perdidas,
os salmos recitados sobre as causas de tudo o que envolve o secretário-geral do
PS. António Costa decidiu segundo o seu guião.
A partir de agora vamos, pois, ter António Costa
exclusivamente concentrado num outro combate político, no das legislativas do
próximo outono e na sua candidatura a primeiro-ministro.
O seu excelente e reconhecido trabalho à frente da câmara
municipal de Lisboa fazem dele hoje um melhor político e farão dele, como gosta
de dizer, um melhor governante graças à experiência que adquiriu como autarca.
É por isso que os portugueses depositam uma grande esperança
em António Costa, numa governação que inverta este ciclo negro de quatro anos
de austeridade, de agravamento de todos os indicadores de desenvolvimento
económico e social. Na dívida pública, no desemprego, na educação, na saúde, na
solidariedade e segurança social, nos serviços públicos de proximidade.
O país está pior, muito pior, depois deste tufão neoliberal
e desta deriva de alienações de “anéis e dedos”. Tudo serviu, tudo serve para
alimentar esta voracidade de privatizações e esta gula de desmantelamento do
estado social que perpassa por este governo do PSD e do CDS.
O trabalho é longo e é duro, mas António Costa poderá
contar, não só, com os socialistas, mas com muitos milhares de portugueses
cansados de uma governação que só lhes soube mostrar, nestes últimos quatro
anos, os caminhos dos impostos, da emigração, do desalento.
Depois de Lisboa, a missão de António Costa é agora:
Portugal e os portugueses!»