Cumprir abril deve ser um
objetivo que não nos deve nunca abandonar! Ainda me lembro bem dos desígnios de
então, dos objetivos maiores que nortearam os militares nesse abril de 1974, para
libertarem um povo amordaçado por 48 anos de ditadura.
E se tantos objetivos se
cumpriram, se tantos fizeram e fazem parte, hoje, do nosso quotidiano, do nosso
viver, há tantos outros que têm vindo a sofrer uma grande regressão, e mesmo
ameaça, nestes últimos tempos.
É verdade que, 41 anos volvidos,
muita coisa mudou em Portugal e muito mudou no mundo. Que conseguimos avanços
significativos em tantos e tantos aspetos da nossa vida coletiva. Mas é
igualmente uma evidência, que estamos confrontados com opções políticas que estão
a dar resultados sociais e económicos desastrosos para os portugueses.
Ora, o que isto quer dizer é que
hoje como ontem não nos podemos resignar.
Não nos podemos resignar à
inevitabilidade de termos 35% de desemprego jovem e ao facto de termos milhares
de jovens a quem mais não resta do que estágios, trabalhos não remunerados ou o
estrangeiro como destino.
Não podemos aceitar que uma
chanceler diga aos quatro ventos que temos licenciados a mais em Portugal,
quando na realidade o que temos são licenciados a menos (17,6%). Muito menos do
que a Alemanha (25,1%) e muito menos do que a média da União Europeia (25,3%).
Temos que dizer da nossa profunda
preocupação quando 8.000 estudantes do ensino superior abandonaram os seus
cursos ao fim do primeiro ano de matrícula por dificuldades financeiras.
Não nos podemos render a ter 63%
de população entre os 25 e os 64 anos que não concluíram o 12º ano,
colocando-nos, nesta matéria, na cauda da Europa.
Não podemos estar de acordo
quando 40% dos portugueses, dos nossos concidadãos, não consegue fazer face às
despesas de saúde e quando um em cada cinco portugueses deixou de ir ao médico
por problemas monetários.
Temos que nos indignar quando 20%
dos portugueses estão em risco de ser atingidos pela pobreza e quando esta
pobreza ainda é mais agravada na faixa etária das crianças e jovens, onde atinge
25,6%.
Não podemos aceitar os atuais
níveis de emigração, mais de 300.000 nos últimos anos, semelhantes aos números
de emigrantes dos anos 60 do século passado com a sangria que isso significa nas
faixas etárias mais ativas e empreendedoras da nossa população.
Quer isto dizer que nós nunca
devemos “baixar a guarda”, que não nos podemos resignar face às dificuldades e
perceber que abril, que a melhoria da qualidade de vida dos portugueses, que o
combate ao fosso entre os mais ricos e os mais pobres, nunca pode deixar de ser
e de estar no centro das nossas prioridades enquanto cidadãos.
E é aqui que entra a avaliação
das políticas e as opções políticas a fazer para o futuro!
Acácio Pinto
Diário de Viseu