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[opinião] Desprezar a juventude é hipotecar o futuro!

Este governo está há muito esgotado. Recuámos em todas as áreas uma ou mais décadas. Não existe mesmo qualquer indicador positivo, para Portugal e para os portugueses, depois de quatro anos de políticas austeritárias, que bem cedo se começou a perceber que não iriam dar certo.
Mas a situação sobre a qual me quero hoje deter tem a ver com os efeitos desta governação na área da juventude.
A taxa de desemprego jovem é o indicador que melhor evidencia o colapso das políticas públicas de juventude seguidas por este governo. Se no final de 2014 ela apresentava um valor de 34,7% (mais 4,4% do que em 2011), ela continuou a crescer, cinco meses consecutivos a crescer, e atingiu os 35% em fevereiro.
E o verdadeiro programa que este governo encontrou para lutar contra este flagelo foi o aconselhamento à emigração.
Por outro lado a taxa de jovens ‘desencorajados’ atingiu valores sem qualquer paralelo, cifrando-se no maior valor de sempre registado em Portugal, com 21,2%, quando em 2011 era de 7,7%, e quando na união europeia a mesma taxa é, atualmente, de 9,2%.
Portanto, estamos perante um vasto conjunto de portugueses, podemos dizer, os mais qualificados, jovens ativos, mas que foram dispensados de darem o seu contributo para a economia nacional. De colocarem os seus conhecimentos e as suas formações específicas ao serviços das empresas e da economia.
E o que temos, então, são jovens que não estudam, não trabalham e, na sua generalidade, não estão enquadrados em nenhuma ação de formação. Só entre os 15 e os 29 anos estavam, no final de 2014, nesta situação, mais de 230 mil jovens. Mas a estes podemos ainda somar 133 mil que emigraram entre 2011 e 2013.
É por isso que é crucial que se aposte em programas concretos que visem a integração de jovens nas empresas e na administração pública. É crucial que este potencial humano seja mobilizado para a inovação, para a economia. Quer em Portugal quer na Europa. Aliás, este investimento, que deverá ter um enquadramento europeu, será, talvez, a mais importante das vias para que o “velho continente” reganhe alguma da centralidade perdida, na inovação, investigação e na competitividade.
Não há “garantia jovem” ou programa “vem” que nos valha se estes programas não forem acompanhados por uma estratégia integrada para a economia e para o emprego, que é o que não tem acontecido até agora.
E termino como comecei, nunca será com um governo há muito esgotado e sem credibilidade que se operará esta alteração de paradigma.
Outras políticas para o país e para a juventude só são possíveis com quem pense diferente e com quem inspire a confiança dos portugueses.
É que, desprezar a juventude é, como sempre foi, hipotecar o futuro!
Acácio Pinto
in: Rua Direita | Farol da nossa terra

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