Infelizmente, é uma expressão
feliz para designar esta austeridade “musculada” ou autoritária que nos estão a
impor.
E se a elaboração destas teses e
destas políticas passou por densos cálculos matemáticos e por verdadeiros
“experts” de engenharia financeira, a sua operacionalização foi toda ela milimetricamente
projetada para nada falhar até que os cidadãos dos países-alvo da sua
implementação estivessem completamente esmifrados.
É nesta fase que Portugal se
encontra. Sem qualquer capacidade para os trabalhadores poderem continuar a ser
mais “assaltados” por uma infernal máquina fiscal e sem mais “anéis” nos dedos
para serem privatizados.
Tem sido, de facto, um fartar
vilanagem. Na EDP, na CGD, nas Águas de Portugal, na REN, no BPN, nos
Institutos que o deixaram de ser, enfim, é um rol infindo de gestores com as
suas contas bancárias diretamente ligadas a esses potes de dinheiro fácil. Mas
tudo se prepara para que a RTP, a ANA ou a TAP permitam ligações a NIB’s de outros
“gestores” de direita com “elevada” reputação internacional!
Mas tudo isto atinge o paradoxo
absoluto quando essa eminência de sapiência ilimitada, António Borges, que
passou pelo Goldman Sachs, que ajudou a mascarar as contas da Grécia e que foi
o responsável do FMI na Europa venha agora a ser o consultor do governo português
para as privatizações e para avaliação das parcerias!
Não sei o que chamar a isto, se
promiscuidade, se pornografia do pior nível entre a política e os interesses
financeiros internacionais.
Está-se do lado que elabora e
negoceia os planos e depois vai-se integrar a “equipa” que vai ter que
operacionalizar esse programa.
Pelo menos há uma certeza em tudo
isto: como não se podem servir dois amos, lá como cá, António Borges serve sempre
os mesmos, os interesses daqueles que são os seus “proprietários”.
Estamos chegados, pois, ao tempo
em que já não há mais tempo. Este governo já não consegue mais encobrir o
embuste nem as suas tutorias e os seus reais objetivos. E o povo vai reagir, o
povo está a reagir contra este austeritarismo e não está disponível para
continuar a cumprir quando o governo está, redondamente, a falhar,
parafraseando as palavras de António José Seguro no encerramento da
universidade de verão do PS, em Évora.
in: Diário de Viseu