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JORNAL DO DOURO, 13 setembro, p.3 |
Aí está, no seu esplendor, mais
um resultado, na nossa região, das políticas ultraliberais que o PSD e o CDS
estão a levar à prática há um ano no país: mais 4302 desempregados no distrito
de Viseu no mês de julho face a mês homólogo do ano anterior.
Depois de todos os confiscos que
fizeram aos portugueses, depois de todas as medidas que estão a aplicar e que
não faziam parte do contrato assinado com os eleitores no dia 5 de junho de
2011, só podemos concluir que estamos perante, afinal, uma enorme fraude
eleitoral. Sim, uma fraude política e eleitoral não é só alterar resultados nas
urnas ou viciar o número de eleitores é também mentir aos portugueses sobre as
políticas a implementar.
E, como se não bastassem todos
esses aumentos de impostos com que fomos brindados e com os novos aumentos que
agora foram anunciados, os portugueses e os viseenses veem-se atirados para o
desemprego, como se constata, e donde não sairão tão depressa, pelo menos
enquanto prosseguirem estas políticas da austeridade custe o custar promovidas
por este político-marionete de Merkel e dos interesses das offshores acoitados em paraísos fiscais.
Aí está no seu esplendor o tal
“éden” prometido por Passos Coelho: aumentar os impostos? Nem pensar. Tirar os subsídios de férias e de natal? Isso é um disparate. Mais austeridade? Era o que faltava.
Pois tudo isso aí está. Aí está
na casa de cada português, de cada família, com exceção dos bafejados com o
pote, com exceção dos inúmeros ‘catrogas’ para quem o banquete está sempre
posto.
E, neste contexto, o PS tem que
ser a voz da indignação, mas também a voz da esperança. Da indignação votando
contra o orçamento de estado que o Governo vai apresentar e rompendo, de uma
forma clara e inequívoca, com qualquer acordo com esta maioria do PSD e do CDS.
E o PS tem também que ser a voz da esperança, ao constituir-se como uma
alternativa com um caminho oposto a este, como tem vindo a ser dito,
sistematicamente, por António José Seguro.
Os viseenses não podem tolerar
mais esta gente que lhes está a extorquir os serviços, o trabalho, a dignidade.
Vivemos, talvez, o tempo em que se exige de cada um de nós a maior das
responsabilidades e a máxima intervenção cívica: estar na primeira linha e não
transigir na defesa do nosso país e da nossa terra face a estas investidas seletivas
ao interior, aos trabalhadores, aos pensionistas e aos reformados (ao mexilhão,
para usar uma expressão popular), que ultrajam os portugueses. E até os verdadeiros
social-democratas e democratas cristãos se sentiram e sentem incomodados, como
têm vindo a dizer, em coro.
Queremos continuar reféns da esperança; basta de
neoliberalismo fraudulento!
Acácio Pinto
in: Jornal do Douro | Notícias de Viseu