Miguel Macedo escolheu uma câmara PSD, descontrolada
financeiramente, para num evento oficial de inauguração de um quartel de
bombeiros, que saudamos, dizer que o país é um "monte" de cigarras e
que apenas conta com umas dúzias de formigas. Só que as formigas verdadeiras são trabalhadoras e politicamente
sérias e não andam de braço dado com Eduardo Catroga, António Borges, Dias
Loureiro, Oliveira e Costa e demais elite laranja da diáspora financeira, dos
paraísos incógnitos.
Quando Miguel Macedo vem dizer que o povo é tolo e só o
governo é esperto, fica tudo dito.
Poderia ter aproveitado, Miguel Macedo, despido da veste
partidária com que esteve e vestido da de ministro, para:
i) Explicar o que se passa no seu e nosso país onde a
criminalidade sobe todos os dias, onde há sequestros, assaltos diários a
multibancos, a gasolineiras, ourivesarias, carrinhas de transporte de valores
ou idosos indefesos;
ii) Dizer por que motivo estão desativadas desde o início do
ano, sem ministrarem qualquer formação, as unidades locais de formação de
bombeiros, (por exemplo Mangualde e Castro Daire) e se não acha que tal pode
afetar o desempenho operacional dos soldados da paz;
iii) Apresentar uma
alteração aos valores de referência do programa permanente de cooperação,
instrumento de financiamento dos bombeiros, por exemplo a nível de gasóleo e de
taxas de rádio;
iv) Explicar os motivos que o levaram, objetivamente, a
desautorizar os serviços nacionais de proteção civil ao pedir um segundo
relatório a uma entidade independente sobre a descoordenação nos grandes
incêndios do verão no Algarve.
Enfim, afinal quem esteve na inauguração do quartel dos
bombeiros de Campia foi o dirigente partidário Miguel Macedo. O ministro já não
existe, tal como a coligação.