Esta semana Miguel Macedo também quis
deixar a sua marca a nível de frases virais. Vai daí começou a falar em “cigarras”
durante a inauguração do quartel de bombeiros de Campia, construção com que nos
congratulamos pela melhoria concreta na resposta de proteção e socorro.
A juntar ao “piegas”, ao
desemprego como “oportunidade”, ao “emigrem”, ao “custe o que custar”, ao “disparate”
dos cortes nos subsídios, chega agora com requinte a expressão “cigarras” para
qualificar os portugueses.
É mais uma expressão infeliz,
muito infeliz, de um governante que não se coibiu de vestir a pele de dirigente
partidário durante uma sessão institucional. Aliás, esta foi a demonstração de
que o ministro Miguel Macedo já não existe, tal como a coligação. O que existe
são os dirigentes partidários do PSD e do CDS em duelos permanentes entre si, e
em duelos com o povo português.
E ainda por cima Miguel Macedo
contou mal a história. Que só há algumas “formigas”. Engana-se. Há muitas e não
andam de braço dado com Catroga ou Borges, com Dias Loureiro ou com Oliveira
Costa, com essa elite laranja da diáspora financeira, dos paraísos incógnitos.
Muitas dessas “formigas”, mais de um milhão, ele conheceria se passasse pelos
centros de emprego, se falasse com as pequenas e médias empresas que aumentaram
em 74%, em Agosto, o número de despedimentos coletivos, ou se falasse com os
milhares de restaurantes que encerraram por causa do IVA a 23%.
Ou será que quer insinuar que
estes são cigarras?
E, já agora, todos teríamos
agradecido que Miguel Macedo tivesse aproveitado esta sua passagem pelo
distrito de Viseu para: i) explicar o que se passa no seu e nosso país onde a
criminalidade sobe todos os dias, onde há assaltos diários a multibancos, a
gasolineiras, ourivesarias, carrinhas de transporte de valores ou idosos
indefesos; ii) dizer por que motivo as unidades locais de formação de bombeiros
(por exemplo Mangualde e Castro Daire) não fazem nenhuma formação desde o
início do ano e se não acha que tal pode afetar o desempenho operacional dos
soldados da paz; iii) apresentar uma alteração aos valores de referência do
programa permanente de cooperação, instrumento de financiamento dos bombeiros,
por exemplo a nível de gasóleo e de taxas de rádio; iv) explicar a
desautorização que fez aos serviços nacionais de proteção civil ao pedir um
segundo relatório a uma entidade independente sobre a descoordenação nos
grandes incêndios no Algarve.
Enfim, afinal quem esteve na
inauguração do quartel dos bombeiros de Campia foi o “dirigente partidário”
Miguel Macedo. O ministro já não existe, tal como a coligação.
Acácio Pinto
in: Jornal do Douro