Até sempre, camarada e amigo Flórido
Não, não o conheci quando desempenhou funções de deputado constituinte. Quando ele integrou aquelas listas primeiras da democracia. Donde haveriam de sair os eleitos com a missão de dotar Portugal com uma Constituição. A Constituição da República Portuguesa. Que ainda hoje nos rege.
As eleições tiveram lugar no dia 25 de abril de 1975.
Estávamos num país recentemente resgatado de uma ditadura.
Profunda. De uma noite de quase meio século. De censura. Polícia política.
Mordaça. De um Portugal Amordaçado, como
lhe chamou o Mário, no título de um livro. O Soares, pois claro!
Ele já por cá andava. Por Viseu. Na luta. Nas lutas pelas
causas que nortearam tantos democratas. As barricadas eram muitas. Mas ele no
Partido Socialista desde o primeiro minuto. Lado a lado com outros. Com o João
Lima. Com o Álvaro Monteiro. Com o Armando Lopes. Com o Almeida Henriques. Para me ficar só pelos mais
emblemáticos socialistas dessa época. De 1975.
Falo do Flórido. Do Flórido Marques. Do socialista que
conheci bastante mais tarde. Na sede do PS, na 5 de outubro. Em Viseu. E que
agora se despediu de nós.
Trabalhei com ele, como membro do secretariado da federação
distrital do PS, liderada pelo José Junqueiro. Era prestável. De voz doce.
Macia. Dura, porém, nas causas. De que nunca transigiu.
Acompanhei-o. Nas campanhas. Na rua. Por aí. Pelo distrito
de Viseu.
E travámos conversas. Conversávamos. De cada vez que nos
encontrávamos. Falávamos. Do ‘nosso’ PS. Dos seus dirigentes. E de muitas
coisas. Quase sempre de âmbito político.
Inconfundível. No seu traço físico. Irrepetível. No caráter
e na amizade. No humanismo. Na poesia de Sophia. E nos cravos vermelhos que dos
seus olhos brotavam.
Não podendo, hoje, estar lá, no último adeus, fico por aqui.
Ao teu lado, Flórido.
Até sempre, camarada e amigo!
Acácio Pinto, 11.06.2026
