Viseu | Exposição "Impressões de Viagem", de Carlos Almeida
Ao visitar a exposição do artista Carlos Almeida, “Impressões de Viagem”, que está patente ao público na sede da Junta da Freguesia de Viseu, no Solar dos Peixotos, fiz de imediato uma correlação com uma outra, esta do Vasco Ribeiro, que esteve patente no Museu Almeida Moreira em julho de 2019.
E porquê?
Porque os elementos expositivos são os mesmos? Porque a
expressão artística tem configurações semelhantes?
Não, nada disso. Porque ambas nos traziam, nos trazem,
olhares que as pessoas captam nas suas viagens de turismo ou de trabalho e que
decidem partilhar com os seus concidadãos. Com a comunidade. Connosco.
E se a de Vasco Ribeiro nos trouxe “Viseu pelas bocas do
Mundo”, ou seja, olhares antigos de cidadãos estrangeiros sobre a nossa cidade
de Viseu (cultura, gastronomia, arquitetura, património) em forma de texto,
esta, a de Carlos Almeida, traz-nos, quiçá, mais. Traz-nos o olhar, em forma de
desenho, das peregrinações de um artista. Traz-nos retratos revelados pela
ponta das suas grafites, das suas canetas, quais impressoras de momentos irrepetíveis
processados pelos seus olhos.
Portanto, apesar de alguma correlação, que estabeleci, as
diferenças são enormes. Gostei das duas, é verdade. Nesta, porém, e talvez esteja
aí a força da arte, viajei e senti a emoção de ser eu o narrador, de ser a
minha íris a estar lá, naquele momento e naquele lugar, qual diafragma a abrir
ou a fechar para aumentar ou reduzir a entrada de luz.
Esta exposição mostra-nos, pois, em papel, “Impressões de Viagem”
(de viagens), que não deixam de nos trazer as impressões de um artista que
carrega nessas visões as suas idiossincrasias culturais, sociais e políticas e,
sobretudo, a sua sensibilidade carregada de um romantismo e de um genuíno olhar
sobre o mundo, sobre o seu mundo.
Parabéns ao Carlos Almeida e à Junta de Freguesia de Viseu.
Acácio Pinto
