Memórias: Debate sobre juventude promovido pela JS Sátão
Faz hoje, dia 10 de maio, 39 anos, a Juventude Socialista de Sátão promoveu na sua sede (sede do PS) um encontro em que se debateram os problemas da juventude em Portugal.
Recordo-me bem desta iniciativa. Éramos poucos, mas tiínhamos uma entrega mais genuína às causas partidárias e estávamos sempre disponíveis para promover iniciativas e para travar todos os combates eleitorais e não só os autárquicos.
Eram outros tempos, bem sei, mas havia dentro do grupo valores bem mais solidários. Havia espírito de grupo. Quiçá, terá sido essa determinação e essa resiliência que criou o substrato daquilo que o PS foi nas décadas seguintes, em que contou com a adesão de tantos satenses.
Num território claramente conservador, no final dos anos 80, dominado pelo CDS nas eleições autárquicas e pelo PSD nas legislativas, os socialistas tinham de ir à luta e tudo fazer para se afirmarem como um projeto credível no concelho. Refira-se que não tinham qualquer vereador na Câmara Municipal e eram só dois os eleitos na Assembleia.
Nesse debate, os jovens socialistas concelhios liderados pelo Vítor Figueiredo, fruto da sua dinâmica, conseguiram reunir em Sátão o Secretário Geral da JS, José Apolinário, o deputado do PS Viseu, Raul Junqueiro e o Coordenador da Federação Socialista do Distrito, José Junqueiro. Foram abordados nesse encontro os problemas do emprego no interior e foi colocado um grande foco na necessidade de participação dos jovens nos movimentos associativos.
A sede do PS, onde se realizou esta iniciativa, que se situava no início da Avenida Conde D. Henrique, num apartamento arrendado ao senhor Soutinho, tinha sido inaugurada anos antes, precisamente por um dos fundadores do Partido Socialista, António Campos. E o grande dinamizador da sua abertura foi o mesmo de sempre, Fernando Figueiredo, que contou para tal com a ajuda dos militantes do concelho, mas de um em particular, também já falecido, Américo Ribeiro, que aqui também recordo, muito justamente. A talho de foice, diga-se que na sede havia uma biblioteca com livros fornecidos pelo PS, mas os mais relevantes foram doados por um outro socialista do concelho, também já falecido, Gaspar Augusto Pais, um lutador contra o Estado Novo. Ele dou livros de autores com um passado de luta pela liberdade. Lembro-me de haver lá livros de Ferreira de Castro, de João Araújo Correia e de Aquilino Ribeiro.
Já agora, as receitas para pagamento da renda, o problema mais difícil de resolver, vinham das quotizações dos militantes e da organização de torneios de sueca, de ténis de mesa e de donativos dos poucos eleitos locais.
Foto: Notícia da Gazeta de Sátão, publicada em junho de 1987.
AP