O PSD “brindou” Viseu com as suas
jornadas parlamentares fazendo deslocar para a nossa região, durante dois dias,
todo o seu “estado maior”, deputados e governantes.
Mas estas jornadas acontecem numa
altura em que estão anunciados novos cortes para os trabalhadores, para a
administração pública, para os reformados e para os pensionistas. São cortes
que ocorrerão em 2014 e mais quase dois mil milhões de euros de cortes para
2015.
Assim sendo, importante seria que
o PSD explicasse em Viseu para onde nos quer empurrar. Que, mais, maldades quer
o PSD fazer a um povo que está exausto e a um distrito que está completamente
votado ao abandono.
Um distrito que o PSD sempre marginalizou
e que este governo continua a marginalizar. Um distrito que só é de “primeira”
no que ao encerramento de serviços concerne, com especial destaque para os
tribunais e para as repartições de finanças.
Mas também um distrito que, como
já se percebeu, está, por este governo, condenado a não ter a ligação
Viseu-Coimbra, nem qualquer outra acessibilidade, a não ter centro oncológico, apesar
de todos os estudos o evidenciarem, a não ter qualquer investimento. Um
distrito em que o comboio só é prioridade nos discursos de salão e nas palavras
de circunstância dos agentes políticos afetos à maioria.
Quanto às políticas sociais
recuaram, porque as diferentes instituições foram, segundo a terminologia de
Carlos Moedas, "esmifradas" dos seus meios financeiros. Podem
“aumentar” os lugares para utentes nas instituições sociais, mas não há comparticipações,
nem novos acordos seja pela saúde, seja pela segurança social. Uma vergonha que
está a deixar muitas instituições à beira do colapso.
O desemprego, como se sabe,
aumentou em todo o distrito e daqui, para tentarem uma oportunidade além
fronteira, têm partido milhares e milhares de pessoas que se juntam aos cerca
de cem mil portugueses que emigraram em 2013. Um distrito que bate o triste
recorde de ser aquele onde mais idosos vivem em isolamento.
Mas também um distrito com fortes
restrições na saúde, educação, cultura e ciência. Em que a política de
empobrecimento atinge também fortemente os agricultores, os operários, os
funcionários públicos.
Ou seja, para um primeiro-ministro
que tudo prometeu e fez o seu contrário, que aumentou a dívida de 94 par 130%
do PIB, seria bom que explicasse ao distrito de Viseu, que explicasse aos
viseenses em nome de que interesses é que se move, em nome de qual consenso é
que fala!
Acácio Pinto
Rua Direita | Diário de Viseu