Quando, em 19 de setembro de 2013, dirigi,
como deputado, ao abrigo do regimento da Assembleia da República, uma pergunta
à ministra das finanças, Maria Luís Albuqreuqe, relativamente ao encerramento
de repartições de finanças nos concelhos do distrito de Viseu, estava longe de
imaginar que a minha interlocutora, que havia jurado cumprir a lei, viesse a
ter este comportamento, o de não responder, conforme está obrigada, em trinta
dias.
A questão do encerramento de
repartições de finanças, como se sabe, entrou na agenda política e era de
elementar justiça e do mais primário decoro institucional que a ministra que
tem a tutela desta área esclarecesse as populações sobre esta matéria.
As perguntas que lhe coloquei
eram e são as seguintes:
i) Quais os concelhos do distrito
de Viseu que irão perder as respetivas repartições de finanças? ii) O serviço
distrital de finanças de Viseu irá manter-se ou vai ser extinto?
Pois bem, não respondeu e com
isso revela que não merece estar investida nas funções em que está.
Para agravar o seu comportamento,
igualmente, em dezembro, a solicitação da presidente da Assembleia da
República, face ao incumprimento do Regimento, volta a não dar resposta e daí
que os deputados do PS tenham voltado, agora, em março, a solicitar mais uma
diligência a Assunção Esteves.
Não existindo uma sanção concreta,
que só ao povo caberá, para este comportamento indigno de uma titular de um
cargo político, aquilo que se nos oferece dizer é que não baixaremos o nível,
mas também não nos cansaremos.
E enquanto tivermos pensamento e
voz falaremos, sem cansaço, sobre esta e outras matérias que assentam num
padrão comportamental evidente, por parte do governo, o do desrespeito pelos
cidadãos, sobretudo por aqueles que vivem no interior.
Estamos a ser espoliados, nas
nossas costas, sem debate e sem contraditório de tudo quanto possa significar
uma mais-valia para a coesão territorial e para a fixação de populações.
Não nos resignaremos e na
primeira oportunidade voltaremos a este assunto através de uma interpelação,
agora, cara a cara na Assembleia da República. O povo que em nós confiou o seu
voto não só nos merece como nos exige tal comportamento. As repartições de
finanças, os tribunais, os serviços de saúde, de segurança social, de educação,
entre outros, são estruturantes para qualquer concelho e temos a obrigação de
os defender acerrimamente.
Este é um tema que deve unir todos: é que com os serviços ficam pessoas, fica massa crítica, acontece coesão territorial.
Este é um tema que deve unir todos: é que com os serviços ficam pessoas, fica massa crítica, acontece coesão territorial.
Acácio Pinto
Rua Direita | Diário de Viseu