Juntando autarcas, dirigentes das instituições do ensino
superior de Viseu e deputados da Assembleia da República, a FAV (federação
académica de Viseu), presidida por Mário Coutinho, quis colocar na ordem do dia
a problemática do ensino superior em Viseu e vai daí promoveu um debate, no
teatro Viriato, sobre essa temática.
É, pois, neste contexto, e tendo em conta que fui um dos
deputados participantes, que quero aqui deixar alguns aspetos, sob a fórmula de
tópicos, a propósito deste debate.
- O interior não pode continuar a ser assaltado a partir do
terreiro do paço, também no ensino superior.
- Se há redundâncias de cursos não se diga que é em Viseu,
pois até tem havido menos vagas a concurso para Viseu do que candidatos
oriundos da nossa região, ao contrário de outras regiões litoralizadas, que têm
saldos positivos elevadíssimos.
- Não há ensino superior a mais quando estamos ainda muito
longe da meta de 40% de pessoas entre os 30 e os 34 anos com formação superior
prevista na agenda 2020; neste momento temos 27% quando a média europeia já é
de 35%.
- Não podemos fazer dos cursos técnicos superiores
profissionais (de dois anos) a panaceia para resolver esse déficit de formação
superior; igualmente estes cursos não podem ser implementados a qualquer preço
sem definir de forma muito rigorosa como se diferenciam dos CET, como se
relacionam com o mercado de trabalho, como se lhes acede e como se pode evoluir
a partir deles para o prosseguimento de estudos.
- Não pode o governo cortar de forma radical na investigação
científica e nas bolsas a troco de um novo paradigma que ninguém conhece.
- Não podemos continuar a asfixiar as instituições de ensino
superior (o OE para 2014 tem um défice de 40 milhões para as universidades e
politécnicos, como se sabe!) tentando colocá-las de joelhos ao não as dotar de
dinheiro para a sua vida corrente.
- Não podemos continuar a alimentar fantasmas, pois o ensino
superior de Viseu é constituído pela realidade que temos e que conhecemos e são
essas instituições que nos devem merecer a maior atenção e apoio.
- As instituições de ensino superior de Viseu são
fundamentais para o desenvolvimento da região, pela qualificação dos recursos
humanos que fazem, pela investigação que produzem e também pelo forte impacto
económico que proporcionam; o do IPV é de 69 milhões de euros.
- Deixemo-nos de planos diretores, de livros brancos, de conselhos estratégicos, de escolas avançadas (sem retirar qualquer valor a todas essas possíveis iniciativas) e direcionemos a nossa energia para aquela que é a importância do ensino superior no reforço da coesão territorial e na defesa de um novo paradigma que inverta esta sangria de que está a ser alvo o interior do nosso país.
- Deixemo-nos de planos diretores, de livros brancos, de conselhos estratégicos, de escolas avançadas (sem retirar qualquer valor a todas essas possíveis iniciativas) e direcionemos a nossa energia para aquela que é a importância do ensino superior no reforço da coesão territorial e na defesa de um novo paradigma que inverta esta sangria de que está a ser alvo o interior do nosso país.
Acácio Pinto
Correio Beirão nº8 de 14.03.2014