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Gralheira, Cinfães: Do colmo por baixo do telhado até ao cabrito no forno!

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Situa-se no distrito de Viseu, no concelho de Cinfães, em plena serra do Montemuro e, à semelhança de todas as aldeias do interior, quiçá de todo o Portugal, é uma aldeia em perda de população e muito envelhecida. Abundam os idosos e sobram, vazios, os espaços, hoje calcetados, dos antigos terreiros onde a criançada corria e gritava. Ali fomos recentemente. A um dos dois restaurantes que todos os dias, mas sobretudo aos fins de semana, levam muitas pessoas à Gralheira. Aliás é na gastronomia que radica muito do dinamismo económico desta aldeia serrana. Além dos restaurantes há um negócio em torno dos enchidos e dos presuntos e do gado (vacas e cabras) que vai mantendo alguns habitantes ligados à terra. Comemos, no restaurante Encosta do Moinho (Foto da página do Facebook do restaurante), cabrito assado com batata assada no forno e arroz. Estava divinal. Disse-nos o senhor Amadeu que o segredo estava na qualidade da carne. "Estes cabritos são alimentados na serra". Porta...

Na Gralheira, em audiência à memória!

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Fazer uma audiência à memória nos espaços onde convivemos com pessoas, com as pessoas de quem gostávamos e com quem partilhámos tantos momentos, tantos sabores e saberes, tantas cumplicidades, é um daqueles atos que nos conforta, ampara e alimenta. Ali, as imagens sucedem-se, os diálogos atropelam-se e a catadupa de emoções assola-nos e consola-nos perante as cenas que nos levam até esse ontem tornado, subitamente, tão agora. É assim como que uma transmutação que sofremos, tornando-nos atores tão reais desse filme imaginário produzido e realizado pela memória, pela nossa memória. Vem isto a propósito da visita que fiz, com amigos, recentemente, à Gralheira. Ao concelho de Cinfães. Às mágicas montanhas do Montemuro. Ao bucolismo das arouquesas soltas na serra. À tranquilidade do silêncio só cortado pelo longínquo toque das campainhas dos animais no pasto. À rusticidade do colmo como subtelha para aconchegar as casas de granito moreno. À autenticidade de homens e mulheres em solidári...

Os insondáveis desígnios da vida e da morte

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  Chamem-lhe fatalismo ou aquilo que quiserem. Chamam-lhe destino ou lá o que for. Chamem-lhe tudo o que vos aprouver. Eu fico-me pela crua realidade de me ter de confrontar com a morte de um amigo. Com a partida de alguém que nos tocava na intimidade do nosso querer estar com ele. Sempre com uma alegria forte. Feita de palavras nuas. De sílabas soletradas ao som das cascatas de água cristalina do Montemuro. Da sua Gralheira amada. Do seu refúgio feito de pedras soltas. Assim como que um desvão onde partilhou com os amigos os últimos prazeres terrenos. Fico-me aqui, parado. Sem saber qual caminho seguir. Qual rumo trilhar. Sem conhecer as víboras da sua serra, de que tanto nos falava. A força simbólica e milagrosa da sua cabeça, que as ervanárias e as boticas de Lisboa e do Porto compravam e vendiam a preços proibidos. Fico-me aqui sem nunca mais poder saborear as suas gargalhadas limpas e abertas. As suas anedotas agridoces, ditas com a doçura da linguagem do seu povo. As su...

Ecos da apresentação de O Leitor de Dicionários em Cinfães

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Foram vários os textos publicados na sequência da apresentação, no dia 22 de novembro, do livro O Leitor de Dicionários, em Cinfães. Deixamos aqui, para memória futura, os textos que a Rádio Montemuro e a Câmara Municipal de Cinfães publicaram. Rádio Montemuro : «Acácio Pinto, apresentou no passado dia 22 de novembro, a sua mais recente obra  “O Leitor de Dicionários” , na Biblioteca Municipal de Cinfães. O autor, ex-Governador Civil e ex-deputado, insere nesta sua obra ambientes e pormenores, alusivos ao Concelho de Cinfães, como a serra de Montemuro, o rio Bestança, a Gralheira, ou os Bombeiros de Cinfães, entre outros, como dá nota Serafim Rodrigues, vice-presidente da Câmara Municipal de Cinfães, que fez a apresentação da obra, deixando o repto de que  “Um grande final, mesmo dramático, faz um grande livro”. Armando Mourisco, edil cinfanense enalteceu o trabalho de Acácio Pinto, salientando o seu contributo ao serviço público. Por sua vez, o autor desvendou alguns po...

Visita dos Deputados do PS ao Mosteiro de S. Cristóvão de Lafões

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Os deputados do PS, Acácio Pinto, José Rui Cruz, Paulo Barradas e Helena Rebelo, visitaram no dia 18 de Abril o Mosteiro cisterciense de S. Cristóvão de Lafões, fundado no séc. XII e construído na sua forma actual nos séc. XVII e XVIII. Localizado entre Oliveira de Frades e S. Pedro do Sul, na sub-região de Lafões, o Mosteiro ergue-se num pequeno promontório sobranceiro ao rio Varoso (afluente do Vouga) e funciona como Turismo Rural, estando rodeado por um composto arbóreo frondoso constituído à base de carvalhos mas onde também pontificam castanheiros, loureiros e sobreiros. É um magnífico local para disfrutar da natureza e dos seus ruídos mais íntimos, para passeios pedestres com trilhos recomendados e para incursões no nosso memorial mais intemporal e imaterial. Ali bem perto temos temos as Serras da Arada, Freita, Gralheira, S.Macário, Montemuro, Caramulo, mas também as Termas de S. Pedro do Sul, Viseu mais além e o Douro, património da humanidade, não muito distante. É um...

Opiniões de leitores sobre o livro O Volframista

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  O VOLFRAMISTA: AQUI. Opinião de António Lopes Ferreira, de Avelal – Sátão. «Já li o seu livro, comecei e não consegui parar. Fui agarrado e transportado para o local onde tudo estava a acontecer graças à sua capacidade de dizer, de tornar tudo tão vivo e verdadeiro. Grande obra! Grande sabedoria e talento. Parabéns.» Opinião de Isabel Albuquerque, de Sátão. «Li o teu livro esta tarde e adorei. Revi neste volframista, o volframista que foi o meu avô materno e também as memórias que me foram deixadas pelos meus pais e tios, acerca dos contextos sociais da época, sem falar da semelhança de ele ser igualmente um mulherengo. Tudo quanto ganhou gastou em farras com mulheres e também chegou a fumar notas na taberna da aldeia. O que lhe valeu para voltarem a montar outro negócio, foi a minha avó, sua mulher, ter-lhe ‘surripiado’ e escondido pedras de volfrâmio que eram roubadas na mina por um dos irmãos dela de Rio de Moinhos que lá trabalhava. Incrível. Parabéns por estas me...

O Leitor de Dicionários foi apresentado em Cinfães

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  O Leitor de Dicionários foi apresentado, no dia 22 de novembro, na Biblioteca Municipal de Cinfães. Este romance de Acácio Pinto, que tem como cenário espacial, em grande parte da obra, a Serra do Montemuro, o vale do rio Bestança, a aldeia da Gralheira e tantos outros locais de paisagens idílicas, não poderia deixar de efetuar uma passagem por Cinfães, o concelho a que as mesmas pertencem. Com a sala cheia, depois da música, interpretada por jovens artistas da Academia de Artes de Cinfães, foi a vez de Serafim Rodrigues, o vice-presidente da câmara, efetuar a uma excelente apresentação da obra, da qual leu alguns excertos, nomeadamente referentes ao concelho, enaltecendo a qualidade da mesma e o seu final imprevisível. Armando Mourisco, o presidente da autarquia cinfanense, de seguida, aludiu à importância que a leitura tem para a escrita e para a qualidade da comunicação. Traçou igualmente uma sucinta nota biográfica do autor, nomeadamente enquanto governador civil de Vi...

"Herança mineral de um povo" - exposição na casa da cultura de Sátão alusiva a Vila Longa

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Está patente ao público na casa da cultura de Sátão, desde 9 de setembro e até 9 de outubro, a exposição "herança mineral de um povo", uma parceria entre a junta de freguesia de  Vila Longa   e a câmara municipal de Sátão. Esta exposição, alusiva à exploração mineira (quartzo e feldspato) desenvolvida em Vila Longa, nomeadamente na mina da Gralheira, ao longo de várias décadas, foi idealizada pela Linda Susana, licenciada em Biologia e Geologia e que é secretária da junta de freguesia de Vila Longa. Desde fotografias dos trabalhos na mina e no exterior, instrumentos utilizados, amostras de minerais até produtos do quotidiano que utilizam os minerais ali extraídos (chips, relógios, cerâmicas utilitárias...), de tudo um pouco com ligação à geologia e ao contexto local se pode apreciar nesta excelente iniciativa de que aqui deixo registo. Agradeço à Paula Tomás e à Linda Susana a disponibilidade para me proporcionarem conjuntamente com o Ricardo Santos uma visita guiada à...

Análise de Fernando Amaral ao livro O Leitor de Dicionários

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  Fiquei estupefacto, mas muito agradado, pelo detalhe da análise  ao meu último romance, O LEITOR DE DICIONÁRIOS, efetuada pelo  professor de Português, Fernando Amaral, do Agrupamento de Escolas de Sátão. É um olhar abrangente e rigoroso, próprio de quem domina a arte de dissecar uma obra, detendo-se em pormenores e pontos de vista que eu próprio, o seu autor, nem sempre imaginei ou coloquei no texto com tal intencionalidade. Resta-me, pois, agradecer, penhoradamente, ao Fernando Amaral a análise que me enviou e que, de seguida, aqui reproduzo com um sentimento de imerecimento.  Muito grato. Ilustre escritor! Antes de mais os meus parabéns por mais um prémio literário “Cónego Albano Martins – 2024”. Este livro começa com um poema de Eugénio de Andrade, onde as palavras emergem, sendo estas o pináculo, o expoente máxima da criação literária. Através de comparações e metáforas anuncia-nos quão importantes são as palavras e mesmo algumas cruéis, o ser humano não a...

Intervenção do autor na apresentação de O Leitor de Dicionários

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  As minhas primeiras palavras são, naturalmente, de agradecimento. À câmara, na pessoa do seu presidente, pelo prémio e pela organização deste evento . Aos membros do júri (Helena Castro, Carlos Paixão, Zélia Silva), pela escolha, sob anonimato, da minha obra. Ao meu querido amigo Ascenso Simões, com quem, já lá vai uma dúzia e meia de anos, trabalhei, era eu Governador Civil de Viseu, era ele Secretário de Estado da Proteção Civil. Trabalho intenso e duro, como são todos os trabalhos nesta área. E permitam-me que me prevaleça desta oportunidade para, desde já, prestar o meu tributo ao cidadão e ao político Ascenso Simões, não pela magnífica intervenção que aqui deixou sobre o meu livro, mas pela sua frontalidade e desassombro no exercício de tantas funções públicas ao longo da sua vida. Pela genuinidade da sua participação cívica e política. É que nós podemos discordar, mas precisamos de pessoas assim que, sem tibiezas e calculismos, nos digam aquilo que pensam e apontem ...