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Uma incursão até à Orca de Forles

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  Após uma refeição bem degustada na Tasca Alentejana, em Águas Boas, e depois de uma sobremesa condimentada por uma saborosa tertúlia entre livres-pensadores, eis que a orca de Forles, a norte do concelho de Sátão, ali estava mesmo à mão para uma visita! Bem, bem… mesmo à mão nem por isso! Idos de Forles e depois de nos ser anunciada a 1700 m de distância eis que as encruzilhadas surgiram e nem mais uma placa indicativa, para quem ia por aquele caminho. Com recurso ao Google Earth lá conseguimos chegar. A Orca de Forles, um dos primeiros dólmens da Beira Alta a ser inventariado e escavado em 1896 por Leite de Vasconcelos , esse vulto da arqueologia, apresenta-se hoje como um monumento restaurado, supostamente com a sua configuração e traça inicial. Como os demais da Beira Alta “a primeira fase de uso deste monumento deve ter acontecido há cerca de seis mil anos.” Porém, a maior parte dos utensílios e artefactos exumados nas escavações de 2020/21, que deram origem a esta re...

Os que nasceram no nosso ano são o nosso melhor espelho

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  Há uns largos anos que um grupo (sempore aberto) de nascidos em 1959, de Sátão e arredores, é convocado para assinalar a passagem de mais um aniversário, o que não é novidade, pois os dos restantes anos fazem exatamente o mesmo. Não quero, com esta despretensiosa crónica, dizer-vos, apesar de ser uma verdade óbvia, facilmente verificável em qualquer polígrafo, que a colheita de 1959 é a pior de todas, à exceção das demais! Não fiquem magoados os restantes, mas é verdade. Cada um de nós — os de 1959 — é um poço de virtudes. Mas deixemo-nos desta conversa até porque eu bem sei o que dizem os que nasceram em todos os outros anos! Portanto, encerremos esta parte com um empate! Bem, mas depois deste breve proémio, vamos lá então ao meu ponto, este bem mais sério, que radica na conversa que temos connosco próprios quando vamos a estas comemorações ou quando de lá vimos e rebobinamos o filme do dia. É que, por mais que julguemos o contrário, o tempo passa, passou, e estes enco...

Fontes de Castelo Branco em finais do século XIX, segundo Pinho Leal

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Transcrevemos aquilo que é dito no 2.º volume do Diccionário de Pinho Leal, Portugal Antigo e Moderno , editado em 1874 pela Livraria Editora de Mattos Moreira & Companhia para dar nota das fontes de Castelo Branco na segunda metade do século XIX. Nesta obra composta por doze volumes, o autor aborda aspetos geográficos, estatísticos, corográficos, heráldicos, arqueológicos, históricos, biográficos e etimológicos de “todas as cidades, villas e freguezias de Portugal e de grande número de aldeias”. Para além de se referir às fontes, Pinho Leal ainda acrescenta as suas qualidades para a saúde das pessoas e dos animais. Ora veja o texto que se segue com ortografia da época: “Entre as varias fontes publicas d’esta cidade, ha uma, a distancia de 2 kilometros ao S., de aguas ferreas, muito recomendadas pelos medicos, para certos padecimentos. A fonte da Graça, de uma só bica, é de agua muito adstringente e dizem que cura a dôr de pedra. Na Deveza, existe um pôço, chamado da Páq...

O que é que Zé Penicheiro tem a ver com a Praia de Quiaios?

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Foram vários os artistas plásticos ( AQUI ) que ao longo do tempo se encantaram e renderam à Praia de Quiaios, para além dos inúmeros realizadores ( AQUI ) e fotógrafos que captaram com as suas câmaras os excelentes enquadramentos da Serra da Boa Viagem e do mar que beija o extenso areal, a norte. Trazemos hoje à colação o artista plástico de renome internacional Zé Penicheiro que nasceu em Candosa, no concelho de Tábua em 1921 e faleceu, em 2014, na Figueira da Foz , onde foi sepultado. Mas como não se pretende nesta breve crónica traçar a biografia do artista, vamos, tão só, deixar breves notas sobre a sua ligação à Praia de Quiaios. Desde logo porque ele tinha casa, precisamente, no n.º 9 da “Rua Galeria Convés”, que assim foi batizada em homenagem ao mestre. É que Zé Penicheiro havia criado em Aveiro, junto à Praça do Peixe, uma pequena galeria, que também funcionava como o seu atelier/estúdio, onde teve alguns jovens discípulos que queriam aprender as suas técnicas e a que deu...

Carmo: o mais recente álbum de José Pedro Pinto

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Depois de Misericórdia em 2021 e Liturgia em 2023, é agora, em 2025, a vez de o compositor e músico José Pedro Pinto lançar o álbum Carmo , gravado no Museu Nacional Grão Vasco, em Viseu. Este projeto, que reúne um conjunto de originais, está radicado, principalmente, no órgão de tubos do século XVIII, construído por Fontanes, que foi, este ano, instalado neste museu nacional. Porém, este álbum é musicalmente multifacetado, uma vez que, para além do órgão e da guitarra clássica, que o próprio músico e compositor interpretou, também concilia o acordeão, por Sónia Sobral, as flautas, por Inês Correia e Joana Matos, e a voz de Teresa Queirós na leitura de textos clássicos, modernos e da atualidade, abordando temáticas universais. O álbum Carmo , que contou com apoios da DGArtes, Museus e Monumentos de Portugal, Museu Nacional Grão Vasco, Museu Nacional da Música e do Município de Viseu, está disponível em todas as plataformas de streaming. Para além disso, no YouTube, são disponibi...

Palheiros e espigueiros, construções em vias de extinção

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  As paisagens rurais das aldeias da Beira Alta eram, outrora, por alturas do equinócio de setembro — quando ambos os hemisférios se encontram igualmente iluminada pelo Sol —, dominadas por duas construções que se têm vindo a perder e que hoje estão em vias de extinção: os palheiros e os espigueiros. Os palheiros eram construções de palha que se faziam anualmente durante a malhada, depois de aquela ser debulhada durante a sua passagem pelo tambor da malhadeira. Refira-se que a malhada era uma das atividades agrícolas mais difíceis de executar, sobretudo pelo pó e pelas praganas que se libertavam do centeio ou do trigo durante tal operação. A propósito, acrescente-se que, igualmente, era sempre um encanto para a pequenada assistir à operação de malhar o centeio que começava com a instalação da malhadeira amarela — feita pela família Mota de Águas Boas, uma marca que ainda hoje perdura — nas eiras das aldeias. Com os esbugalhados seguiam toda a operação sem perder pitada. Da máqu...

Excelente serão cultural, com Bagão Félix, na Biblioteca da Figueira da Foz

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  Sempre gostei de conhecer o lado B das propostas, dos projetos e das pessoas. Ficarmos restringidos a um único olhar, a uma só perspetiva, à narrativa exclusiva, reduz a nossa capacidade de decidir, de encontrar o melhor caminho e de ajuizar bem seja sobre aquilo que for ou sobre quem for. Vem isto a propósito da sessão que teve lugar ontem à noite, 18 de setembro, na Biblioteca Municipal Pedro Fernandes Tomás, na Figueira da Foz. Eu conhecia o lado A de António Bagão Félix. O de político, de ministro, o de economista, em suma o de figura pública. Bem, ontem, nas “5.as de Leitura”, em torno do último livro de Bagão Félix, Quarenta Árvores em discurso direto, pude conhecer o seu outro lado, o seu lado B. E se eu até nutria alguma simpatia por ele, embora sendo nós de áreas diferentes, ele da democracia cristã, conservador, e eu da área do socialismo democrático e da social-democracia — signifique esta taxonomia política aquilo que significar —, agora fiquei rendido ao convers...