Filipa Martins esteve na Biblioteca da Figueira da Foz
A rentrée das 5.asde Leitura, iniciativa da Biblioteca Municipal da Figueira da Foz, teve lugar no dia 17 de setembro, após a paragem de agosto!
O pontapé de entrada na estação de outono-inverno foi dado
pela Filipa Martins, romancista, argumentista e autora de vários livros.
Na moderação, desta feita, esteve Manuel Portela que abriu com um excelente texto (mas um tudo-nada spoiler) interpretado a duas vozes, a sua e a de Maria José Paiva Carvalho.
Quanto à convidada, que não conhecia, que nunca tinha
ouvido, que nunca tinha lido (falha minha!), desfiou-nos os meandros do seu último romance, No Meu Fim Está o Meu Começo. Os
processos que estiveram na sua génese. As envolvências familiares que o enredaram.
A sua mãe. A sua avó. Os filhos de pais incógnitos. E o contexto social de uma
época, bem datada. O Estado Novo. Em que a intimidade era devassada. A
vigilância era apertada. A mulher era subjugada. A violação não existia. Porque
a palavra era desconhecida. Não significava. Mas que doía, doía. Doía muito.
A Filipa Martins falou também dos narradores. Que não
gostava dos omniscientes. Daqueles que, quais deuses, invadem a mente de todas
as personagens e conhecem todos os passos e todos os espaços. Que tudo sabem! Sim, bem sei, é uma tendência
atual. A da subjetividade. Aceita-se. Afinal, ninguém tem a verdade absoluta. Nem
no romance, nem na vida. Mas eu não desgosto, igualmente, dos outros.
O estilo de comunicação é o seu, o da autora. Da Filipa.
Algo tímido, pareceu-me. Porém, assertivo. Nas causas. No conteúdo. Direi, até, com uma beleza de uma ingenuidade cativante. Com capacidade de conquistar. Pela
tecelagem que foi urdindo. Pela amarração dos fios soltos. Pelas referências
subliminares que foi deixando. Da atualidade. Deste mundo. A tender
para o cru e cruel, quanto baste! Em que a prosa da vida é dura! Muita dura!
Não ia seguro de que de lá viria com vontade de a ler. Porém, conquistado, não sei se pelo Fujaco, pelo volfrâmio da serra da Arada, pelo São Mácário, ou pela cerzidura da Filipa Martins, sim, este, No Fim Está o Meu Começo, irei ler. E dele, oportunamente, darei nota!
Parabéns à Biblioteca Municipal da Figueira da Foz e às 5.as de Leitura.
