Aliás uma situação que eu tinha denunciado na semana passada, dia 29 de janeiro (AQUI), na audição dos secretários de estado João Grancho e Pedro Martins (este, entretanto, já substituído).
Ou seja, em vez de aceitar prosseguir o PIAAC, uma avaliação comparada com outros países da OCDE, o governo português agiu por preconceito, não fosse essa avaliação dar bons resultados para um programa que Pedro Passos Coelho tinha condenado à morte, por ser facilitista, ainda na campanha eleitoral de 2011.
Enfim, estamos perante um verdadeiro embuste. O governo acabou com os CNO sem permitir esta avaliação internacional e menosprezando a avaliação da universidade católica e os diversos elogios que a UE e a OCDE haviam efetuado a este programa de qualificação e formação de adultos.
Em sua substituição e depois de desmantelar a rede dos CNO o governo "inventou a roda" e propõe, por portaria, que está em debate público, a criação dos CQEP (centros para a qualificação e o ensino profissional).
É a hipocrisia e o preconceito no seu melhor. Quando se tinha uma oportunidade imbatível de fazer o "teste do algodão", como diz Luís Capucha, o governo recua desperdiçando 1,2 milhões de euros que já estavam gastos com esta avaliação e desmantela um programa com base num "parece-me" e ainda por cima preconceituoso e desrespeitador de centenas de milhares de portugueses que se qualificaram e certificaram nas novas oportunidades!