Fica a notícia da LUSA, extraída do jornal Público online, que dá conta da iniciativa de Lisboa:
«Duas centenas de pessoas juntaram-se nesta quinta-feira no
Largo de Camões, em Lisboa, para, no Dia dos Namorados, contrariarem o dito
“entre marido e mulher não metas a colher” e dançarem pelo fim da violência.
Aproveitando o dia que celebra o amor, cidadãos e cidadãs
responderam ao convite “@ Menin@ Dança?” e participaram na coreografia de várias
músicas, animada por quatro artistas da companhia Chapitô empoleirados em
andas, e não se distraíram do objectivo, mesmo quando foram atacados pelo
ensurdecedor megafone da manifestação dos empresários de diversões, que
estacionou no mesmo largo central lisboeta.
Organizada pela eurodeputada socialista Ana Gomes, a
iniciativa no Largo de Camões contou com activistas de organizações como a
Associação Portuguesa de Apoio à Vítima, Associação Portuguesa de Mulheres
Juristas, ILGA Portugal, União de Mulheres Alternativa e Resposta e Amnistia
Internacional.
Numa pausa entre danças, Filipa Vieira, de 26 anos, disse à
agência Lusa que o “medo” e a “vergonha” existem mesmo entre as mulheres mais
jovens, que também não denunciam os actos de violência contra si praticados.
Nas breves palavras que dirigiu aos presentes, Ana Gomes
destacou a importância de “lutar contra a impunidade dos perpetradores de
crimes” contra as mulheres e de “dar formação adequada” aos agentes públicos
responsáveis por proteger as vítimas.
Entre os dançantes estavam deputadas, mas também deputados.
“Esta causa não é de mulheres, nem é de homens, é de todos”, disse à Lusa o
socialista Acácio Pinto.
A Subcomissão de Igualdade da Assembleia da República
aprovou hoje um “voto de saudação” à iniciativa One Billion Rising, campanha
mundial que propunha, hoje, que se dançasse pelo fim da violência contra
mulheres.
No voto, deputados e deputadas portugueses convidam todos a
mobilizarem-se “pelo fim da violência física, psicológica e sexual contra as
mulheres e raparigas” e recusarem “participar num status quo, por vezes
culturalmente admitido”.
Duas outras dezenas de danças realizaram-se por todo o país,
em Viseu, Covilhã, Fundão, Lagos, Góis, Aljustrel, Coimbra, Almada, Costa de
Caparica e Setúbal, nas ruas ou em escolas e associações.
Acções locais de uma iniciativa mundial, cujo nome encontra
explicação numa estatística das Nações Unidas: “Mil milhões de mulheres — uma
em cada três — serão violadas e agredidas no planeta durante a sua vida”.
A campanha propunha que um número igual ou superior de
mulheres e homens se juntasse nesta quinta-feira, em todo o mundo, dançando, e
203 países responderam ao apelo.
A ideia da campanha global surgiu depois de Eve Ensler,
conhecida dramaturga dos Estados Unidos e autora do livro Os Monólogos da
Vagina, ter visitado uma comunidade na República Democrática do Congo, onde as
mulheres, altamente vulneráveis à violência, saram as feridas através da dança.
“Vi o poder da dança e comecei a pensar o que seria se mil
milhões de mulheres, e todos os homens que as amam, dançassem no mesmo dia, em
todo o planeta”, explicou Eve Ensler, recentemente, em teleconferência com
jornalistas de todo o mundo.»